Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 23 de maio de 2016

O cara é de esquerda porque é muito legal ser de esquerda

Fonte: grupo Servidores Municipais da Cidade do Rio de Janeiro no Facebook. Autor: Marco Correa.

O cara é de esquerda porque é muito legal ser de esquerda. Vocês já experimentaram? É descolado, é cool. Ser de esquerda é inclusivo. Normalmente, você é muito mais maneiro, divertido quando é de esquerda. O cara de direita é um saco. Ele quer conversar sobre economia, sobre liberdade e as instituições, sobre Marx - você já viu algum esquerdista debater Marx como um direitista? - e toda sorte de assuntos chatos. O cara de esquerda só precisa repetir frases com uma carga emocional gigante, como "a direita não gosta do negro e do pobre", para cair nas graças dos amigos que pensam tão pouco ou quase nada quanto ele. Não há debate. Se você senta numa mesa de bar onde os colegas são de direita, é certo que vai dar de cara com confrontos de ideias. Numa mesa onde os colegas são de esquerda, não. Todos estão convergindo, balançando a cabeça em sinal positivo enquanto o outro fala. Não tem discussão. É bem mais bacana assim. Paz, amor e álbum novo do Chico Buarque.

O cara de esquerda olha o de direita com aquela expressão de quem tá nauseado o tempo inteiro. Ele quer tomar chopp Amstel e postar foto no Instagram via iPhone enquanto aponta as consequências de uma sociedade desigual. Ele alfineta a Igreja - porque ser ateu também é cool e ser ateu de esquerda é top - enquanto essa faz caridade em silêncio e ele só prega o amor aos pobres sem doar 1kg de alimento não perecível. Ah, mas tão bonito o papo, né? Você já conversou com um cara de esquerda? Converse. É lindo. Ele tá sempre preocupado com a situação do negro da periferia, com a posição das mulheres na sociedade, com o gordo que sofre bullying no busão. É de arrepiar. O cara de direita, que idiota!, tá procurando soluções práticas pra cada situação dessa, mas não leva o menor jeitinho pra prosear. Não há romantismo algum em dizer que uma economia livre e um Estado reduzido pode favorecer negros, pobres, mulheres e gordinhos, mas dizer que o Estado deve acolher cada um como se fossem filhos é infinitamente mais tocante, pungente.

O cara de esquerda é todo coração, enquanto o de direita é frio, insensível. Calculista. Rejeitado. O de esquerda é sempre bem-vindo nas vibes e tals porque ele é bom. É puro. Até as coisas ruins são defendidas por ele em nome da bondade - perceba a nobreza! O de direita não se importa em parecer cruel, ele quer ser viável, efetivo, prático. O de esquerda quer que as coisas e a sociedade funcionem partindo de seus projetos imprestáveis, mas humanitários, paternais, graciosos. O de direita só quer que as coisas funcionem bem.

O cara de direita não é de direita por amor ou devoção, mas por necessidade.
O cara de esquerda é de esquerda porque, sendo de esquerda, ele não precisa ser mais nada. Ser de esquerda, por si só, basta. É o meio e o fim.

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