Política, cultura e generalidades

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Capitalismo dispensa democracia. Liberalismo, não

Uma das discordâncias que tenho com alguns liberalistas econômicos é com a insistência de classificarem alguns conservadores como liberais. Não levo a sério essa gente. Nem conhecem minimamente as ideias políticas e econômicas que defendem. Liberalismo necessita de liberdades individuais. Não existe quando o Estado se mete nas escolhas individuais de cada um. Tem uns imbecis liberais que classificam um sujeito como o general Augusto Pinochet como um liberal, só porque ele apoiou uma liberalidade econômica. Só que o homem era extremamente conservador na política. Combatia as liberdades individuais. Até o rock ele proibiu em todo o território chileno. E se ele promoveu diversas privatizações, nem por isso o Estado chileno deixou de ser um pesado estorvo na vida dos cidadãos. O próprio Estado era comandado por agentes armados dele próprio: os militares. O Estado se insubordinava contra quem lhe banca e a quem deveria servir: os cidadãos chilenos. Não há liberalismo político onde o Estado oprime o cidadão.

Ao contrário do liberalismo, o capitalismo dispensa democracia. Vide aí os maus exemplos dos regimes fechados onde há um capitalismo forte. Tanto o regime pinochetista como o do Partido Comunista da China, que é um regime de Capitalismo de Estado, onde só prosperam os negócios privados (seja com sócios locais ou estrangeiros) que estiverem autorizados e aliados ao governo da China e enquadrados na planificação governamental. Na China é liberalismo zero, portanto. Não há liberalismo econômico nem político. Só há o capitalismo de Estado e comunismo político. Parece ser esse o modelo que o governo cubano pretende atingir agora: capitalismo de Estado e comunismo político. O próprio presidente Raúl Castro já avisou que o sistema político comunista permanecerá.

Na história do liberalismo, tivemos pelo menos um caso de liberal que governou seu país a bordo de um partido conservador: Margaret Thatcher. Ela acreditava que os integrantes do Partido Conservador nos anos 1970 eram conservadores até em questões econômicas, e que eram tão demagogos quanto os trabalhistas. Isso até que ela conseguisse reunir uma maioria de liberalistas econômicos dentro do Partido Conservador suficiente para leva-la ao cargo de primeira-ministra do Reino Unido, sucedendo o trabalhista James Callaghan. Era praticamente impossível haver na gestão de Thatcher uma classe de agentes do Estado subjugando o país inteiro, como aconteceu nos regimes militares latino-americanos. Thatcher teve seu mandato e a maioria partidária no Parlamento ameaçados várias vezes durante sua gestão, e acabou sucedida por John Major, um colega de partido. Mas deixou seu partido mudado para um perfil conservador liberal que permanece até hoje.

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