Política, cultura e generalidades

sábado, 31 de maio de 2014

Aula de português: mudar O governo ou mudar DE governo?

Depois de todas as manifestações de rua que acontecem em todo o país desde 2013, a questão que se coloca sobre o povo que está indo pra rua é o quê eles pretendem fazer nas eleições de 2014. Há quem diga que eles querem mudar de governo. Ou seja: não reeleger esses que está aí, nem eleger seus candidatos (no caso dos que não tentarão a reeleição), e sim eleger oposicionistas. Outros afirmam que o povo na rua quer apenas mudar o governo.

Aula de português: há uma diferença enorme entre mudar DE governo e mudar O governo. Mudar DE governo é aquilo que disse aqui antes: não reeleger esses que estão aí nem eleger seus candidatos. Mudar O governo é outra coisa. É reeleger esses mesmos que estão aí ou eleger seus candidatos, mas querendo que mudem procedimentos. No caso específico de Dilma Rousseff, tem gente indo pra rua que não quer que ela saia porcaria nenhuma. Vão é reeleger a papisa do lulismo, numa espécie de conclave de 2014. Apenas acham que ela está sendo "pouco de esquerda", e querem que ela radicalize. Ainda que ela ainda esteja fazendo aliança com PMDB e companhia.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A raiva pode vencer a traição

Depois que a esperança venceu o medo na eleição de 2002, agora a raiva pode vencer a traição dessa corja que está aí. A possibilidade de a esquerda perder o poder e voltar toda ela (a autêntica, a falsa, a lulista, a fisiológica, a ultra esquerda, a extrema esquerda, etc) para a oposição já foi detectada. E não é um blogue nacionalista, conservador ou de direita que constata isso. São três redutos evidentemente de esquerda: o jornal Correio do Brasil e os blogues do Tsavkko e o Mingau de Aço. Cada um com abordagens diferentes. Há outros endereços com abordagens semelhantes a estas. Alguns deles apontam que as alternativas que se apresentam ao esquerdismo seja-lá-de-que-natureza-for no poder também são variadas como a própria esquerda. As alternativas variam desde a propostas racionais alternativas à cultura nascida nos aparelhados redutos estudantis (como os DCEs) a propostas histéricas de redes sociais, algumas da extrema direita. Em comum entre os redutos esquerdistas: todos eles (inclusive o Correio, o Tsavkko e o Mingau) erram enormemente (ou malandramente?) ao dizerem que o programa estilo "foda-se" do presidenciável Aécio Neves (com propostas cretinas se lixando para a concordância da população, como se fosse um Fernando de la Rúa tupiniquim) seja algo conservador. Quando a única presidenciável conservadora de fato (quer conservar o lulo-petismo no poder) é exatamente a candidata do poder governamental: Dilma Rousseff. Outros presidenciáveis já apresentados são meras dissidências de um desses dois já colocados.

Quem sabe a esquerda inteira volte a se unir um dia na oposição. Bem longe do poder, ao contrário de hoje. Será uma honra poder dar a todos eles as boas vindas de volta à oposição. Por enquanto, é confortante ver o pânico dessa corja. No entanto, deixem o poder ou não, nada indica que acabe nos próximos anos este regime de capitalismo de Estado em vigor no país. Onde socialistas estatistas e capitalistas lobistas com negócios pendurados em governantes amigos convivem harmoniosamente.

domingo, 25 de maio de 2014

Promotores da Copa batem boca em público

A casa caiu, devido à quantidade enorme de problemas em torno da realização da Copa 2014. Agora os promotores da Copa batem boca em público. Políticos, cartolas, empresários, autoridades... Todos tem razão nas críticas que fazem uns aos outros.

sábado, 24 de maio de 2014

A versão pessoal de Tony Ramos para Getúlio Vargas

Já faz algumas semanas que assisti o filme Getúlio. Muito bom. O maior destaque do filme é a versão pessoal que Tony Ramos deu para o protagonista do filme, aqui retratado em seus últimos dezenove dias de vida. Embora tivesse reproduzido muitos dos valores, falas e atitudes do Getúlio original, Tony Ramos não fez uma caricatura nem uma versão travada, ansiosa por ser igual, algo impossível. Tony ficou à vontade, utilizando sua própria entonação e voz, mesmo quando o personagem falava mais próximo do sotaque gaúcho. Os outros grandes destaques do elenco foram Alexandre Borges e seu Carlos Lacerda tão demolidor quanto o original, e a atriz Drica Moraes como a mais próxima e fiel aliada e filha do presidente. Alzira Vargas foi chefe do Gabinete Civil da Presidência da Rapública durante o último governo Vargas, num tempo em que quase ninguém questionava nepotismo nos governos.

O filme se destaca também na excelente escolha das locações. Anoto que, nas cenas externas, o diretor priorizou tomadas com closes bem fechados nas locações originais, provavelmente para não mostrar as alterações que os cenários originais das histórias sofreram nesses quase 60 anos após os fatos reproduzidos no filme. Notadamente na frente do Palácio do Catete.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

FIFA quer proibir radinhos de pilha nos estádios da Copa 2014

Como se não bastasse a perda de soberania brasileira na Copa 2014, a dona FIFA pretende proibir a entrada de torcedores com radinhos de pilha nos estádios durante os jogos da Copa. Sob a alegação de que os torcedores poderiam arremessar os dispositivos radiofônicos e as pilhas no campo sobre os jogadores e os integrantes da arbitragem.

Ah, levar celular pode. Vai ver, é porque são bem mais caros e a dona FIFA acha que os torcedores não vão querer se desfazer de seus telefones móveis.

No sábado passado, em jogo-teste para a Copa válido pelo Brasileirão, torcedores foram impedidos de entrar no Estádio Beira-Rio com radinhos de pilha para assistirem a partida entre Internacional e Atlético Paranaense.

Bem se vê que a dona FIFA está se lixando para a cultura futebolística dos brasileiros apreciadores desse esporte. Mas quem foi que disse que a FIFA respeita qualquer coisa deste país?

Rádio de pilha nos estádios brasileiros é rotina desde o advento dos rádios transistorizados. Hoje há quem prefira ouvir as transmissões dentro dos estádios usando celulares que recebem as transmissões, geralmente via FM ou Internet, já que o AM é boicotado pelos fabricantes de celulares. Mas os radinhos de pilha resistem nos estádios, mesmo em menor quantidade.

Fontes da notícia: Rádio Guaíba e Blog Mílton Jung.

Mais comentários no Grupo do Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Quem pariu a Copa que a embale

Autor: Percival Puggina. Texto enviado para este blogue.

De vez em quando me vem à lembrança a figura do Lula oferecendo o Brasil para sediar a Copa de 2014 com aquele ar de Moisés malandro levando o povo à terra prometida. Entre os anos de 2003 e 2007, o governo brasileiro suou o topete para alcançar o espetacular objetivo. Sempre fui contra.

Antes da Copa da África do Sul, a propósito do "Let it be! (Pois que seja!)" com que o bispo Desmond Tutu respondeu aos jornalistas que lhe perguntaram se os estádios sul-africanos não se transformariam em elefantes brancos, eu escrevi: "A FIFA impõe aos países eleitos para acolher seu empreendimento exigências que só se cumprem despejando bilhões de dólares nos seus cofres, nas betoneiras das construtoras e nos altos fornos das siderúrgicas. Se fosse bom negócio, não faltariam empreendedores interessados em bancar a festa porque sobra no mundo dinheiro com tesão para o crescei e multiplicai-vos".

Contudo, os delírios de grandeza e a notória imprudência do líder máximo do petismo nacional mobilizaram a opinião pública que aceitou a Copa como um dos símbolos do Brasil potência emergente. A maior parte do povo brasileiro, do mesmo modo como espera o último dia de qualquer prazo para fazer o que deve, esperou o último ano anterior ao evento para perceber o descompasso entre o oneroso Brasil da FIFA, para inglês ver, e o carente Brasil dos brasileiros. E aí, alguns pularam, irresponsavelmente, do oito para os oitocentos: "Não vai ter Copa!". Como não vai ter Copa? Vai ter, sim, e não serão alguns milhares de meliantes presunçosos que vão impedir a realização do evento. A estas alturas, com o pouco de vergonha que nos reste na cara, faremos a Copa.

O que me traz novamente ao tema é o fato de que Lula quis fazer uma borboleta e produziu um morcego. Os espaços que nestes dias a mídia do resto do mundo dedica ao Brasil, em vez de exibir as maravilhas nacionais como sonhava o Lula, estão tomados por severas admoestações aos viajantes sobre os riscos de vir ao nosso país. Nosso cotidiano, descobrem, é assustador. A potência emergente foi tomada de assalto pelo crime organizado, tanto nos últimos andares do poder, no grande mundo, quanto no submundo. (Não por acaso, A Tomada do Brasil é o título do meu próximo livro). Basta-nos assistir os noticiosos do horário noturno para nos depararmos com cenas que ora lembram ocorrências de países em guerra, ora nos nivelam com as mais atrasadas republiquetas da África Subsaariana.

Se Lula, se Dilma, se o petismo dominante pretenderam transformar a Copa numa excelente oportunidade para o marketing pessoal, político e - até mesmo - nacional, seus burros empacaram dentro d'água. Foi mal, para dizer como a gurizada destes tempos. A atualidade brasileira, a violência e a insegurança de nossas ruas fazem lembrar o que Eça de Queirós escreveu numa crônica de 1871 quando se falava, em Lisboa, sobre os turistas que viriam à terrinha com a construção de uma ferrovia ligando Portugal à Espanha. Escreveu então o mestre lusitano: "A companhia dos caminhos de ferro, com intenções amáveis e civilizadoras, nos coloca em embaraços terríveis: nós não estamos em condições de receber visitas".

Não estamos, mesmo. Mas agora, quem pariu a Copa que a embale. Que apresente e justifique ao mundo, aos nossos visitantes, o Brasil real, a insegurança das nossas ruas, a violência do cotidiano nacional, nossa incapacidade de cumprir prazos, a limitação monoglota de nossos aeroportos, hotéis, restaurantes e táxis e as muitas tentativas de passar-lhes a perna a que estarão sujeitos. É o lamentável Brasil de 2014.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Um contundente manifesto contra Emir Ruivo, do Diário do Centro do Mundo (2)

Em continuação de postagem anterior!

Há controvérsias. Mas é melhor repercutir isso, antes que o Diário do Centro do Mundo se arrependa e apague antes.

Respostas para Emir Ruivo, em Diário do Centro do Mundo:

Batista Neto José

Não teria mais a ver com o advento do neoliberalismo que nasceu nos anos setenta e 80 e foi "importado" e introjetado na politica brasileira nos 90?

Veert

O
Governo nunca fez um pacto com a população na questão da saúde. Disseram-nos "confiem em nós, colocaremos o SUS". Pois é, quem já precisou (como eu) de ir ao SUS sabe muito bem que é melhor as vezes ir num açougue do que tentar a sorte para conseguir uma senha para ser atendido ou marcar um exame. Quebraram este pacto e os planos de saúde só servem para remediar a situação. Mas são planos ruins, que possuem contratos obscuros e sigilosos com o Governo e que oferecem a mesma coisa que o SUS, só que "menos pior".

Keynesianismo, neoliberalismo e etc são planos de economia (dizem os especialistas que Thatcher implantou neoliberalismo). Fica muito complicado entender o que você entende por neoliberalismo. Se o Brasil importou tal modelo - redução da carga tributária, corte nas medidas assistencialistas e corte nos gastos públicos - certamente este modelo nunca entrou em vigor neste país. Houve algum dia nos últimos 34 anos em que a carga tributária tenha sido abaixada? Os gastos públicos tenham sido cortados? Desde 1990 se vê uma sociedade sem perspectiva, a não ser carreira pelo funcionalismo público. Mas de todo modo, pode citar 3,4, 5 ou apenas uma, gostaria de saber qual característica dentre as muitas do tal "neoliberalismo" que o Brasil colocou em prática algum dia.

Na verdade, o que houve no Brasil desde 1990 deve ser chamado de keynesianismo, uma forma de capitalismo de Estado.

domingo, 18 de maio de 2014

Um contundente manifesto contra Emir Ruivo, do Diário do Centro do Mundo

Há controvérsias. Mas é melhor repercutir isso, antes que o Diário do Centro do Mundo se arrependa e apague antes.

Resposta de Veert para Emir Ruivo, em Diário do Centro do Mundo:

Que preocupação da patrulha sobre qualquer um dar uma guinada à direita. Parece que qualquer coisa que não seja centro-esquerda ou esquerda é ruim. Realmente, através do discurso barato e do apelo emocional, a esquerda nesse país pobre intelectualmente conseguiu monopolizar tudo que é bom e colocar na direita tudo que é ruim. E quanto ao morro (do Querosene, nota deste blogue), tem este nome porque os que ali moravam não tinham energia elétrica. Não era uma região violenta até 1996. 90% das casas, lembro bem, em 1992-94 não tinham grandes na frente e qualquer um podia apertar a campainha e sair correndo. Graças a classe intelectual que fica colocando a culpa no outro (classe conservadora , bla bla bla) e não ajuda a apontar os verdadeiros culpados, agora, antes das 19:00 está todo mundo trancado em casa e toda a região deste grande bairro está com mais grades que tinha o Carandiru. O que mudou de 94 pra 2014? Quase nada, apenas o "boom" das ideias progressistas colocadas em prática nos anos 80. Agora os revuças (revolucionários) de 1984 já formaram tanta gente militante (desde o jardim de infância) que não temos mais sociedade civil; temos militantes, sindicalistas e massa de manobra. Morro do Querosene, grande exemplo que pobreza não é violência e que a educação progressista dos anos 80 e 90 conseguiram atolar as casas do Butantã em um amontoado de grades e medo. De qualquer modo, não podemos reclamar como sociedade: plantamos o que colhemos.

sábado, 17 de maio de 2014

Já pensaram se o Magneto aparecesse no país da Copa?



Resposta para Omelete:

Puxa. Magneto levantando o estádio ficou maneiro. Bem que ele poderia fazer isso com os estádios da Copa. Mas aí a corja da politicagem brasileira chamaria o Magneto de coxinha, reaça, conserva, golpista... Se bem que reaça e golpista o cara é mesmo, com essa história de pretender subjugar a raça humana (derrubando as democracias, inclusive) e ser um tirano de um regime de mutantes. A não ser que tenha mudado, como o Magneto dos quadrinhos, que até virou um X-Men e ainda por cima liderado pelo Ciclope.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

A propaganda dos fraudadores da esperança, dos algozes da verdade e dos moralistas de botequim

Resposta para Blog do Josias:

Emídio Junior

Intelectuais de esquerda, aqueles que sabem tudo, podem com certeza explicar a propaganda abaixo, mas eu, sinto muito, não quero ouvir o discurso do "Nunca antes na história desse país". Fraudadores da esperança, algozes da verdade, moralistas de botequim.



Me lembra as propagandas eleitorais de José Serra na eleição de 2002 (aquelas com Regina Duarte) e da campanha do Sim pela permanência do governo de Augusto Pinochet no plebiscito chileno de 1988. Serra e Pinochet foram derrotados.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Leitores de bilhetes eletrônicos programados para linhas erradas

O sistema de ônibus municipais do Rio de Janeiro continua uma bagunça. Agora os leitores de bilhetes eletrônicos andam sendo programados para linhas erradas. As empresas de ônibus costumam programar cada leitor com a linha onde o respectivo ônibus circula. A cada novo passageiro que passa pela catraca, fica registrada a linha utilizada, de modo que isso pode ajudar o sistema de ônibus a saber quantos passageiros utilizam aquela linha, possibilitando assim um planejamento da frota a ser utilizada na linha. Só que essa tecnologia fica inútil se o passageiro pega um ônibus de uma linha e o leitor de bilhetes eletrônicos está programado para outra linha, ainda que seja uma linha invariavelmente da mesma empresa. O resultado é que todos os passageiros daquele ônibus acabam sendo contados como se fossem passageiros de outra linha. O planejamento, assim, vai pras cucuias. Aliás, algum dia houve um planejamento que prestasse no sistema de ônibus municipais do Rio de Janeiro?

segunda-feira, 12 de maio de 2014

José de Abreu e Roger Moreira batem boca na Internet

2014 vai ser fogo. Ainda estamos longe da eleição e os eleitores dos petistas e dos tucanos já estão quebrando pau, tanto quanto os partidos e seus candidatos. O bate-boca das últimas horas é entre José de Abreu e Roger Moreira. Tudo começou com este tuíte do Zé de Abreu. As respostas de Roger, dos apoiadores do Zé ou do Roger e de detratores de um ou de outro não tardaram, como pode ser visto nas respostas ao tuíte do Zé de Abreu. A resposta do Roger foi publicada no blogue do Felipe Moura Brasil, com direito a um cartaz que motivou o tuíte do Zé de Abreu: um cartaz de um evento do CCBB de São Paulo (que pertence ao Banco do Brasil) com vários nomes do rock nacional. Inclusive o Ultraje a Rigor, do Roger. O próprio deu seu recado durante a apresentação no CCBB:



Se os artistas consagrados do Brasil (sejam da música, da TV, do cinema, do teatro ou de qualquer outro segmento) estão errados em pegar patrocínio estatal para gravarem discos, filmes e programas de TV, mais errados são os governantes que lhes pagam. Essas são verdades que nem José de Abreu nem Roger Moreira admitirão.

No entanto, Roger Moreira mereceu duas respostas minhas:

Marcelo Delfino

@Roxmo Quando governistas dizem que artistas patrocinados devem lealdade a eles é a prova de que querem, na verdade, comprar consciências

Marcelo Delfino

@Roxmo Essa corja governista é a mesma que quer lealdade até dos concursados não filiados ou aliados do Partido

domingo, 11 de maio de 2014

Capitalismo de Estado: politiqueiros e "cumpanhêros" empresários

Resposta para Aldeia Maracanã publicada no Facebook:

Capitalismo de Estado é isso aí: o país é desgovernado por politiqueiros e por "cumpanhêros" empresários aliados. Ambos os lados se alimentando mutuamente, num esquema de looping infinito, passando por cima de tudo que é correto e justo.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

A volta do Mixto Quente

Ontem às 22h voltou ao ar através do Canal Viva um dos melhores programas televisivos da década de 1980: o Mixto Quente. Este programa foi lançado pela Rede Globo em janeiro de 1986, para estender o sucesso que o rock brasileiro alcançou nacionalmente a partir do Rock in Rio original, de janeiro de 1985. A fórmula do programa era muito boa, e até hoje não foi igualada: várias bandas e cantores do rock nacional e alguns nomes relacionados da MPB se revezavam no palco, sempre montado ora na Praia do Pepino ora na Praia da Macumba (ambas no Rio de Janeiro), tocando ao vivo suas músicas (nada de playback) durante o tempo de programa, que durava uma hora (incluindo os intervalos comerciais).

Contextualmente e culturalmente falando, o rock brasileiro na primeira metade da década de 1980 ficou restrito a alguns segmentos, nichos e redutos localizados principalmente nas grandes cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, o rock nacional teve seus redutos, como a Fluminense FM e casas como Circo Voador e diversas outras, a maioria já extintas. O rock nacional continuou sendo algo apenas de cidade grande, apesar do estouro nacional de alguns nomes como Blitz e Os Paralamas do Sucesso e da presença de várias dessas bandas em rádios pop, como a Rádio Cidade. Esse cenário mudou com o Rock in Rio de 1985. A partir daí, o rock nacional se tornou, efetivamente, um sucesso nacional, atingindo até mesmo rincões do país. Era evidente que mesmo veículos nada-a-ver-com-rock embarcariam na onda, de alguma forma. Depois de transmitir boa parte do Rock in Rio, a forma que a Rede Globo encontrou para permanecer na onda foi colocar algumas dessas bandas e cantores do rock nacional na sua programação e criar o Mixto Quente, para juntar todas elas num programa praticamente só delas, em sequências de números musicais ao vivo.

O Mixto Quente em si também era, num contexto mais geral, fruto da cultura da juventude da época. Além da escalação das bandas e cantores, a estética do programa era escancaradamente voltada para os jovens. O palco era montado em forma de asa delta, e tinha uma torre de vidro ao fundo, com uma estética claramente oitentista. A logomarca também refletia a estética da época. E a escolha dos locais de gravação (duas praias cariocas) era um pretexto para mostrar a própria juventude se divertindo na praia, para que os próprios se identificassem com o programa vendo vários jovens semelhantes a eles ali na tela, geralmente vestindo a moda praia da época.

A escalação do programa de ontem (exatamente a primeira edição gravada, em janeiro de 1986) foi uma boa amostra de todas as edições do Mixto Quente. Começou com Lulu Santos, primeiro nome oitentista (mas egresso da banda progressiva setentista Vímana) a fazer sucesso (isso em 1981!). Lulu tocou faixas que constaram em seu primeiro compacto e em seu LP Tempos Modernos. Aliás, Nelson Motta (antigo parceiro de Lulu) integrava a equipe de produção do programa. Assim como o fever Miguel Plopschi, que visivelmente influiu pouco na concepção artística do programa. Lulu Santos foi a atração principal da edição de ontem, pois tocou mais músicas que os outros, abriu e fechou o programa. O setentista Guilherme Arantes foi a única atração do programa a não estourar na década de 1980. Guilherme começou a carreira na banda de rock progressivo Moto Perpétuo em 1973, estourando em carreira solo posteriormente, ainda nos anos 70. Supla apareceu no programa a bordo de sua então banda Tokyo. Vinícius Cantuária e Kiko Zambianchi completaram, com Lulu Santos, a lista de artistas solo oitentistas do dia. O Capital Inicial tocou ao vivo a música Descendo o Rio Nilo, ainda com o arranjo utilizado no compacto lançado anteriormente pela CBS e tocado na Fluminense FM. Os Titãs também compareceram, ainda em sua fase pré-Cabeça Dinossauro.

Praticamente todos os nomes do rock nacional que estouraram nacionalmente tocaram e cantaram no Mixto Quente. Eles deverão aparecer nas próximas edições do programa. Inclusive as duas maiores bandas da década: Legião Urbana e RPM. Também deverão aparecer artistas da MPB que já faziam sucesso na época. A lista de futuras atrações do Mixto Quente no Canal Viva é enorme: Barão Vermelho, Zero, 14 Bis, Plebe Rude, Tim Maia, Escola de Escândalos, Cazuza, Caetano Veloso...

terça-feira, 6 de maio de 2014

Na blogosfera progressista, há quem insinue que ser colorado é ser "alternativo"

Resposta para Mingau de Aço publicada no Facebook:

Eu já vi tanta estupidez na Internet que vou te contar, hein... Já vi blogueiro "pogreçista" gaúcho defendendo a tese de o Internacional ser algo "alternativo", mais progressista e popular que a concorrência. Será por causa do vermelho do clube? Se for, vai ver o cara acha que o Grêmio é de direita e tucano, por causa da predominância do azul, contrastando com o vermelho do Internacional.

sábado, 3 de maio de 2014

Diferenças entre a Blitz e os Mamonas Assassinas

Resposta para Felipe Rozza no Facebook:

Eu gostava da Blitz. Comprei os três primeiros discos deles. O primeiro foi sensacional. Tinha até o Lobão como baterista. O segundo também foi bom, apenas um pouquinho inferior ao primeiro. O terceiro foi uma lástima. Poucas músicas prestavam. Digna de nota aqui, só a faixa Egotrip. Teria espaço garantido em algum dos discos anteriores. A Blitz é uma boa banda. Tem informação cultural ali. Tem até um lance teatral. O próprio vocalista Evandro Mesquita já era ator antes mesmo da banda existir, e continua sendo ator, atualmente. A Blitz continua sendo a grande representante da new wave brasileira.

Já os Mamonas eu não curtia muito. Só fui a um show deles ao vivo (e "de grátis") no Arpoador, quando ainda eram ilustres anônimos. O suficiente para descobrir que os caras eram apenas excelentes piadistas e excelentes músicos. Mas nada que fizesse dos caras uma boa banda. Muitas das bandas clássicas nem tinham músicos virtuosos (até os Beatles erravam ao vivo!), mas se valiam de boas ideias e vasta bagagem cultural. Não era o caso dos Mamonas, que se calçavam apenas naquilo que era conhecido pelo brasileiro médio.

Música dos Mamonas que eu curtiria hoje, só a Débil Metal, que brinca com clichês do rock pesado, com a mesma virtuosidade das verdadeiras bandas de rock pesado. Algo que a banda Massacration faria anos depois com dois discos inteiros. Não curto nem a faixa Débil Metal porque não curto piada velha e tenho mais o que fazer.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Resposta para fanboys do Homem-Aranha leitores do Omelete

Resposta para Omelete:

Quero fazer a defesa do xará (Marcelo) Hessel, aqui. É um dos poucos críticos de cinema que tem culhões para ir contra a publicidade do estúdio e os fanboys do protagonista, apontando erros no filme e dando somente 2 ovos. E daí que o cara talvez esteja querendo (inutilmente) derrubar a bilheteria do filme para que, quem sabe, o Aranha volte para a Marvel Studios? Pelo menos o xará está fazendo um grande favor, incentivando algumas pessoas a não perderem tempo saindo de casa para ver esse filme nos cinemas. E é exatamente o que farei. Verei o filme quando sair no On Demand ou na TV. Tou na dúvida se verei em blu-ray, porque, francamente, me arrependo de ter comprado o do primeiro filme do reboot do Aranha. Ô filme ruim de dar dó... Só se salva o quebra-pau do Aranha e do Lagarto na biblioteca, enquanto o Stan Lee não tá nem aí pra eles, trabalhando e ouvindo música clássica no fone de ouvido.

Li vários spoilers desse segundo volume do reboot, inclusive a trama toda na Wikipedia. A trama do filme é simplesmente muito fraca. Indigna do mais famoso e sagaz personagem da Marvel, único capaz de enfrentar seis vilões ao mesmo tempo.

Antes que alguém se meta a besta de dizer que sou viúvo da trilogia do Sam Raimi, afirmo que considero sensacional apenas o segundo filme. O primeiro foi bom, mas dentro do esperado dentro do gênero. O terceiro foi uma lástima, tão ruim quando o reboot que ajudou a causar.

Não esperava a reação tão irada contra o xará. O pessoal está muito estressado. Parecem militantes partidários chamando os colunistas de política de golpistas, reaças, conservas e outros adjetivos desqualificantes. Gente, O Espetacular Homem-Aranha 2 é apenas um filme! Não mudará a vida de ninguém. Guardem sua indignação para coisas mais importantes.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Vendo o mundo a partir do Parque Nacional da Tijuca


No domingo passado fui ao Parque Nacional da Tijuca. Fui a pretexto de ver o parque de transmissão de rádio, TV e telecomunicações do Morro do Sumaré. Só que a segurança contratada pelo ICMBio não permitiu a entrada no parque de transmissão. Nem minha nem do amigo que foi lá comigo ao Morro do Sumaré. Tive que me contentar com a visita ao restante do Parque Nacional da Tijuca. Só que a visita à reserva florestal fez o esforço e o cansaço todo valerem a pena. O parque é importante para o ecossistema da cidade do Rio de Janeiro. Chamou a atenção a árvore com flores roxas que encontrei na Estrada do Sumaré, e o mico que achei trepando no muro de entrada da Casa do Bispo. Mas antes da Estrada do Sumaré há a Estrada das Paineiras e a Estrada do Redentor, onde é possível encontrar algumas fontes naturais de água (pra quê levar água de fora?) e alguns pontos de onde é possível observar de longe outros pontos da cidade. Mas nenhum desses pontos é tão alto quanto o ponto da Estrada do Sumaré onde encontrei a vista do Oceano Atlântico que ilustra esta postagem e, desde segunda-feira passada, ilustra o fundo deste blogue, o fundo do Twitter e o cabeçalho do Facebook. Em outro ponto da Estrada do Sumaré foi possível encontrar uma vista para a Zona Norte da cidade, incluindo o Engenhão, bem distante.