Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Até o Capitão América do cinema também contestou o 'american way of life'

A história do Capitão América é interessante. O personagem foi criado nos Estados Unidos para as histórias em quadrinhos durante a 2ª Guerra Mundial, na onda de patriotismo interno de um país em guerra contra o nazismo. O próprio personagem lutou na 2ª Guerra contra as tropas do Eixo. Com o fim da guerra de verdade, o personagem caiu no ostracismo, tendo sido retomado pela editora Marvel apenas em 1964, e nunca mais saiu das lojas de quadrinhos nos Estados Unidos. O complicado foi exportar o personagem para o mercado externo, devido ao histórico intervencionista de diversos governos americanos ao longo da história, mais ainda depois da 2ª Guerra. A contenda é compreensível. É difícil dissociar qualquer item da cultura americana (ainda mais um personagem patriota com um uniforme claramente inspirado na bandeira americana) da política do governo daquele país, a não ser que essa coisa se dissocie bem claramente da política governista americana. Talvez isso explique o fato de Steve Rogers e o governo americano terem ficado em campos opostos em algumas histórias publicadas desde então.

Depois de ver o filme Capitão América 2: O Soldado Invernal, percebi que agora os caras da Marvel resolveram fazer sua versão cinematográfica do Bandeiroso também se voltar contra o 'american way of life', notadamente a sua mais recente lambança: a política do medo, do "ataque preventivo" (atacar antes que os inimigos ataquem). Pra não revelar muito da história do filme, posso dizer apenas que o posicionamento do Capitão América fica bem claro na conversa dele com Nick Fury, o diretor da SHIELD (uma agência subordinada à ONU), que revela a Steve Rogers o projeto secreto Insight: três aeroporta-aviões com o objetivo de espionar satélites, destinados a eliminar ameaças previamente. "Isso não é liberdade. É medo", diz Steve. Esse diálogo e os aeroportas-aviões já apareciam nos trailers. Vale a pena conferir esse filme, que é claramente inspirado nos bons filmes de espionagem feitos ao longo da história. E ainda por cima parece ser um filme sem muitas firulas visuais, tal como o filme solo anterior do protagonista. Mais história, menos defeitos especiais.

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