Política, cultura e generalidades

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Papa Francisco mais próximo de Paulo VI que de São João XXIII

Eu fico aqui quieto vendo a corja da ultra esquerda e da ultra direita baixando o verbo pra cima do Papa Francisco. Numa hora ele era colaborador da ditadura argentina. Na outra é marxista, como disseram alguns caras do Fox News, republicana que só. No fundo, Papa Francisco é bem próximo do predecessor Paulo VI, que também era bastante diplomático, acenando para todas as correntes, sejam progressistas ou conservadoras. Diplomático até demais. Se Paulo VI barrou diversas reformas (ou seriam deformas?) do Vaticano II, foi ele o responsável pela reforma litúrgica da Igreja, com a introdução do vernáculo na liturgia.

Hoje o cardeal Raymundo Damasceno disse na missa de abertura da assembleia-geral da CNBB que a Igreja manterá sua opção preferencial pelos pobres, que são o tema preferido dos discursos do Papa Francisco. E hoje mesmo o Papa nomeou um padre da Opus Dei para ser bispo auxiliar de São Paulo: Carlos Lema Garcia (fonte: Vaticano).

Papa Francisco está mais próximo de Paulo VI do que de São João XXIII, que dizem ser o grande inspirador do papa argentino.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Seria o Riquinho o personagem preferido do fânqui ostentação?


Se não for, deve ser no mínimo o personagem preferido dos adeptos mais antigos da ostentação.

Se for, esperem só quando os caras do fânqui descobrirem que Riquinho toca saxofone! Dirão que ele deveria usar apenas sons pré-gravados, como os de sirene, o tamborzão...

Cartas para a redação!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Omelete anuncia suposto reboot da Disney no Universo Expandido de Star Wars

Resposta para Omelete:

Lá vem o reboot pra salvar Hollywood outra vez. Como faz há décadas. Só ficará aquilo que estiver coladinho com os seis filmes já existentes.

Em se tratando de Disney não é surpresa alguma. Ela simplesmente herdou o método da Marvel de bagunçar seu cânon, que conseguia ser mais bagunçado que o de Star Wars. Agora os dois cânones ficarão igualmente bagunçados.

sábado, 26 de abril de 2014

Papa Francisco dribla tão bem quanto Messi

Amanhã de manhã Papa Francisco canonizará dois predecessores: João Paulo II e João XXIII. Uma corja de políticos brasileiros já está em Roma pra tirar algum proveito político. Basicamente para tirarem fotos e imagens deles mesmos bastante úteis para futuras campanhas eleitorais. Quem sabe uns selfies com Papa Francisco?

Pois o Papa vindo "lá do fim do mundo" (palavras dele mesmo) está provando que sabe driblar politiqueiros brasileiros como poucas personalidades sabem e fazem. Mais ou menos como seu conterrâneo Lionel Messi faz com os adversários. Pra não provocar um incidente diplomático, não dá para o Papa driblar chefes de Estado ou de governo presentes, ou seus eventuais substitutos, como o vice-presidente Michel Temer, que foi a Roma representar a titular Dilma Rousseff. Mas os outros políticos o Papa dribla sem dó. Fez isso quinta-feira passada com vários deles, após uma missa em ação de graças numa igreja de Roma com assembleia de brasileiros, pela canonização de São José de Anchieta. Depois da missa, o Papa foi cumprimentar umas 100 pessoas que estavam na frente da porta principal da igreja e não tiveram acesso à missa, pegou um carro e voltou para o Vaticano (Fonte: Diário do Poder).

Se na Copa 2014 Messi repetir em todos os jogos o que o Papa fez anteontem em Roma, o título ficará com a seleção da AFA e vai ter político brasileiro tendo que cumprir a promessa de cometer suicídio. E haverá gente cobrando!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Tire o cisco do meu olho, mas antes tire a trave do seu! (1)

Resposta para Correio do Brasil publicada no Facebook:

Segundo Luiz Gonzaga Belluzzo, "A direita brasileira defende o darwinismo social". Aí vejo no currículo político do homem: secretário do Sarney, secretário do Quércia...

Tire o cisco do meu olho, mas antes tire a trave do seu!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Executivos com pretensões de Christopher Nolan

Comentários para Omelete:

Esse é o lado negativo do sucesso de filmes como Homem de Ferro 3 e a trilogia Batman de Christopher Nolan. Agora vários executivos dos estúdios caem nessa de querer fazer filmes "realistas" cheios de piadas forçadas, indo na contramão de como devem ser filmes de super-heróis: filmes divertidos (sem serem pastelão), com roteiros e histórias minimamente decentes e ação na medida certa.

Os caras da Fox falam em fazer um filme do Quarteto Fantástico mais "realista" ao mesmo tempo que dão sinal de que virá mais uma tosqueira. Os caras tem pretensões de Christopher Nolan, mas acabarão fazendo um filme tipo Batman & Robin. Anotem aí.

Filmes e quadrinhos de super-heróis são pura ficção. Não são ficção científica, porque, na essência, histórias de super-heróis não tem compromisso com ciência. Se o reboot do Quarteto Fantástico tivesse compromisso com ciência e fosse "realista", o roteiro ficaria mais ou menos assim:

Logomarca da 20th Century Fox
Logomarca da Marvel

Um grupo de cinco astronautas (quatro homens e uma mulher, irmã de um dos outros quatro) é atingido por altas doses de radiação, enquanto o grupo está em órbita da Terra.

Nos anos seguintes, de volta à Terra, os cinco morrem de câncer. Um a um.

FIM

Créditos finais.

Ou seja: filmes com super-heróis e base totalmente científica são inviáveis.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Como são as privatizações num país capitalista de Estado

Resposta para Tribuna da Imprensa:

Neste país capitalista de Estado, tudo vira bandalheira. Não só a repartição dos cargos de nomeação livre em vários governos e estatais, mas também as privatizações. Constantino dedicou um livro inteiro sobre o assunto. Livro que só serve para enfeitar vitrines de livrarias de shopping centers. Aqui neste país as privatizações são assim: privatizam os lucros e socializam os prejuízos. Tudo com financiamento do BNDES. Os compradores nem precisam comprar com dinheiro próprio. Compram com o dinheiro do próprio vendedor: o Estado.

domingo, 20 de abril de 2014

É necessário paciência de Jó pra ser padre ou bispo neste país

Resposta para Tribuna da Imprensa:

Esse pessoal não sabe mais o que escreve. Outro dia mesmo diziam que o Dom Orani era TL (Teologia da Libertação), CNBBista, adepto do “pobrismo” do Papa Francisco. Agora só faltam acusa-lo de ser “mais reacionário que Dom Eugenio Sales”, que aliás almoçava todo domingo de Páscoa com a população carente no subsolo da Catedral.

Me lembram o pessoal que escreve sobre o Papa Francisco. Uns dizem que ele colaborou com a ditadura argentina. Na Fox News dizem que Papa Francisco é marxista. Falam demais por não terem nada a dizer.

A única certeza é que Dom Orani não tem escapatória. Se mantém a Catedral fechada, continuarão dizendo que está fechando a Igreja para Cristo na figura dos pobres. Se aciona os órgãos eclesiais caritativos como a Cáritas e o Banco da Providência, dirão que a Igreja quer tomar o lugar do Estado, que não cumpre suas obrigações. E olha que foram eles que elegeram os governantes que estão aí nos cargos eletivos do Estado. Ou então dirão que acabou a separação Igreja-Estado consagrada pela República. Tem até gente que diz que nenhuma instituição religiosa deveria ter clínicas de recuperação de dependentes químicos...

Realmente, é necessário paciência de pra ser padre ou bispo neste país. Sempre terá que despertar o mimimi da politicalha da extrema direita ou da extrema esquerda, ambas com uma visão unicamente utilitarista para a Igreja, em seus objetivos políticos hegemônicos, golpistas ou revolucionários.

sábado, 19 de abril de 2014

Nada em excesso é bom. Nem o conservadorismo

Resposta para Mingau de Aço publicada no Facebook:

Nada em excesso ou a nível extremo é bom. Se o Rio de Janeiro fosse um estado só conservador, estaria bem. O problema é o excesso, como bem anota Alexandre Figueiredo, que usa termos como ultraconservador, bastante conservador e muito conservador. O cenário está tão extremamente conservador que acaba virando o outro extremo: essa mediocridade sócio-cultural, ultra "pogreçista", com C e cedilha mesmo, pra coroar a ignorância e a boçalidade reinantes.

O texto do Alexandre ainda anota sobre esses ultraconservadores: "Eles nem pensam no progresso". Não podem mesmo. Extremistas não pensam em coisas positivas. Conservadores moderados podem e pensam.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Aécio Neves não representa nem os liberalistas clássicos. Por enquanto

O pessoal fica embasbacado diante do empacamento da pré-candidatura presidencial de Aécio Neves. Lulo-dilmistas comemoram. Oposicionistas mais à direita ficam constrangidos ou arrumam mil justificativas. Quem tem um mínimo de vergonha na cara está se lixando pro destino eleitoral do senador das Alterosas.

O que não está sendo dito é que Aécio não representa os únicos que poderiam ajuda-lo a chegar à Presidência da República: os liberalistas clássicos de toda ordem. Fica aí com esse discursinho meramente higienista, "do contra", nunca a favor de algo, como o que o atual Governo combate: o liberalismo clássico. O atual Governo defende o Capitalismo de Estado. Até os Capitalistas e os Grandes Empresários ficam aí querendo se pendurar no Estado de alguma forma, seja por lobbies, empréstimos do BNDES ou contratos com governos (federal, estaduais e municipais), casas legislativas, tribunais, promotorias, procuradorias, etc. E só eles prosperam. Empresário que quer gerar emprego, trabalho e renda sem a ajuda do Estado corre diariamente o risco de quebrar. Sei disso porque já vi alguns quebrando. Isso é Capitalismo de Estado. Mas já não era assim durante a Era FHC?

Além do mais, o senador mineiro já disse que quer colocar o PSDB mais à esquerda, seja lá o que isso signifique. Vai ver, é um tucano querendo que o PSDB enfim assuma a social-democracia do nome.

A rigor, o PSDB não mudou nada em 11 anos fora do Governo. Continua sendo tão Capitalista de Estado como sempre foi. Ou Aécio Neves e seu partido defendem alternativas ao que está aí, ou a população preferirá continuar com esse atual regime de Capitalismo de Estado, que é errado, mas é um adversário conhecido a ser vencido dia a dia. Em qualquer hipótese, que o país prospere. Não com a ajuda do Governo (que não vem), mas apesar dele. E até constrangendo o Governo, se preciso for.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Uma opinião sobre os filmes de personagens Marvel em outros estúdios


Fonte: Omelete.

Icaro

Lamentavelmente, aquela crise nos anos 90 fez a Marvel lotear os direitos de alguns de seus personagens e hoje fica impossível vermos a integraçao de X-Men e do Aranha com o resto do universo Marvel nos cinemas.

Apesar da qualidade e sucesso dos atuais filmes do Marvel Studios, não podemos esquecer que foram os trabalhos de Sam Raimi com o Aranha e de Singer nos primeiros filmes dos X-Men, respectivamente com a Sony e a Fox, que reabriram os caminhos de Hollywood para o gênero super-heróico (não só para os personagens da Marvel).

Porém, a nova franquia do Aranha não agrada, e tenho muito receio quanto ao futuro dos X-Men nos cinemas. Espero sinceramente que Singer acerte nesse novo filme, mas a missão é muito difícil. O cara está tendo que integrar 2 conceitos completamente distintos, pois até onde sei o universo de X-Men: First-Class não fora concebido para ser integrado com o dos filmes anteriores. Aguardo ansiosamente pelo novo filme da franquia X para ver no que vai dar, mas tenho a nítida sensação de que, por melhor que o filme seja, ainda ficarei com a sensação de que o Marvel Studios teria feito melhor.

E se já será difícil integrar os Universos-X, imagine integrar o universo do Aranha, concebido em outro estúdio, com o Universo-X, concebido pela Fox. Pode até resultar num blockbuster razoável, com rentabilidade razoável, mas dificilmente vai fortalecer as franquias.

Por essas e outras acho que esse trailer de X-Men nos pós-créditos do Spider é apenas marketing.

A solução ideal seria se o Wolverine voltasse no tempo, ali pros anos 90, e impedisse a Marvel de lotear seus personagens. Aí poderíamos ver o Quarteto, o Surfista, Namor, X-Men e o Aranha sendo levados as telas com a mesma qualidade que temos visto no universo dos Vingadores. Será que o Dr. Destino empresta a esteira-temporal?

terça-feira, 15 de abril de 2014

Um goleiro rubro-negro entra na disputa do Troféu Tolo do Ano

"Já são dez anos que o Vasco está jogando o Campeonato Paulista, e não o Carioca, pois eles não ganham nunca. A felicidade é ver a torcida rival indo embora de cabeça baixa. Roubado é mais gostoso ainda".
Rodrigo, goleiro do Flamengo. Fonte: Lance!.

Jogadores de futebol bem sucedidos costumam servir de inspiração para outras pessoas, especialmente os jovens. Não podem falar barbaridades como essa. Se bem que ontem o goleiro pediu desculpas pelo que disse. Mas fica a candidatura ao Troféu Tolo do Ano 2014.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Até o Capitão América do cinema também contestou o 'american way of life'

A história do Capitão América é interessante. O personagem foi criado nos Estados Unidos para as histórias em quadrinhos durante a 2ª Guerra Mundial, na onda de patriotismo interno de um país em guerra contra o nazismo. O próprio personagem lutou na 2ª Guerra contra as tropas do Eixo. Com o fim da guerra de verdade, o personagem caiu no ostracismo, tendo sido retomado pela editora Marvel apenas em 1964, e nunca mais saiu das lojas de quadrinhos nos Estados Unidos. O complicado foi exportar o personagem para o mercado externo, devido ao histórico intervencionista de diversos governos americanos ao longo da história, mais ainda depois da 2ª Guerra. A contenda é compreensível. É difícil dissociar qualquer item da cultura americana (ainda mais um personagem patriota com um uniforme claramente inspirado na bandeira americana) da política do governo daquele país, a não ser que essa coisa se dissocie bem claramente da política governista americana. Talvez isso explique o fato de Steve Rogers e o governo americano terem ficado em campos opostos em algumas histórias publicadas desde então.

Depois de ver o filme Capitão América 2: O Soldado Invernal, percebi que agora os caras da Marvel resolveram fazer sua versão cinematográfica do Bandeiroso também se voltar contra o 'american way of life', notadamente a sua mais recente lambança: a política do medo, do "ataque preventivo" (atacar antes que os inimigos ataquem). Pra não revelar muito da história do filme, posso dizer apenas que o posicionamento do Capitão América fica bem claro na conversa dele com Nick Fury, o diretor da SHIELD (uma agência subordinada à ONU), que revela a Steve Rogers o projeto secreto Insight: três aeroporta-aviões com o objetivo de espionar satélites, destinados a eliminar ameaças previamente. "Isso não é liberdade. É medo", diz Steve. Esse diálogo e os aeroportas-aviões já apareciam nos trailers. Vale a pena conferir esse filme, que é claramente inspirado nos bons filmes de espionagem feitos ao longo da história. E ainda por cima parece ser um filme sem muitas firulas visuais, tal como o filme solo anterior do protagonista. Mais história, menos defeitos especiais.

domingo, 13 de abril de 2014

Um amigo me convenceu

Um amigo chamado Leandro Rocha me convenceu de uma coisa. Me convenceu a não dizer mais que alguém não deva recorrer ao Judiciário toda vez que se sentir injustiçado. As pessoas tem que correr atrás do que acham justo, mesmo. Ainda que ninguém ajude ou apoie.

Isso tudo ocorreu diante do caso da Portuguesa, que eu dizia que não tinha que ficar recorrendo à justiça comum para ser reconduzida à Série A do Brasileirão. A Portuguesa deve recorrer, mesmo. Embora acredite que os homens da FIFA (que estão chegando aí) vão dar um gancho daqueles na Portuguesa, se o caminho escolhido for a justiça comum. Aí não haverá Portuguesa no futebol, em divisão alguma. Nem Série A, nem Série B, nem Série C, nem Série D...

De qualquer forma, parece que a Portuguesa desistiu de recorrer à justiça comum. Mas continuo dizendo: poderia recorrer.

sábado, 12 de abril de 2014

O socialismo jamais reconhecerá seu bastardinho ariano, com seu Capitalismo de Estado

Comentários para Rede Liberdade:

Pais cafajestes não reconhecem filhos feios. O socialismo jamais reconhecerá seu bastardinho ariano, com seu Capitalismo de Estado.

O nacionalismo também tem culpa. Gerou um filho com quem lhe é diretamente oposto: o socialismo, que diz pregar a solidariedade internacional dos trabalhadores. Deu no que deu.

Eu já vi nacionalistas reconhecendo que o nazismo nasceu com parte de seu DNA, foi maligno e não pode voltar. Enquanto isso, nas hostes "pogreçistas"...

Outro dia o blogueiro Luciano Ayan caiu no mesmo erro. Rechaçou veementemente que o regime chinês seja capitalista e rechaçou quem diz que seja um regime de Capitalismo de Estado e não socialismo. Só que Capitalismo de Estado é a forma moderna de regime socialista. Admite propriedade privada vigiada, economia planificada pelo Governo e Partido Único. Exatamente a receita do nazismo.

Todo regime extremista perde apoio com o tempo. Perde apoio até de alguns que ajudaram na implantação. Uns porque veem a merda que fizeram, outros por se sentirem prejudicados ou preteridos. Aconteceu com o regime soviético, que perdeu apoio de gente como Leon Trótski. Aconteceu com o regime nazista, implantado com o apoio de muita gente na Alemanha e fora dela, como alguns grupos privados nos EUA e no Reino Unido. Enfim, Capitalistas e Grandes Empresários, pra usar termos de um amigo meu. Aconteceu com o golpe de 1964, que teve apoio de gente bastante diversa, de Carlos Lacerda a Ulysses Guimarães. Lacerda só passou para a oposição depois que cancelaram a eleição direta para a sucessão de Castelo Branco, na qual ele queria ser candidato. Já Ulysses passou para a oposição logo no início. E magistralmente, com o acúmulo de ações democráticas que empreendeu nas décadas seguintes. Foi uma história de redenção, conforme escrevi outro dia.

Pra não dizerem que não encontrei méritos no texto de Elke di Barros, digo que ele acertou ao incluir os social-democratas no campo da esquerda. Um ato de coragem, ainda mais para um texto de esquerda escrito no Brasil.

O parágrafo final do texto merece um destrinchamento.

Não deixa de ser irônico que essa “nova direita” neoconservadora e neoliberal que faz essa propaganda enganosa tenha muitas ideias em comum com os nazi-fascistas: o antimarxismo, a paranoia conspiratória, o militarismo, o policialesco, o racismo/xenofobia, o machismo/homofobia, o conservadorismo religioso, a sacralização da propriedade privada e a defesa da supremacia nórdica-ocidental. Não é muito difícil perceber que o “meritocratismo” da nova velha direita é um eufemismo para o darwinismo social.

O texto utiliza das mesmas técnicas retóricas e propagandistas atribuídas aos críticos. Não define o que seja neoconservadorismo nem neoliberalismo. É neoconservadorismo econômico, comportamental ou ambos? É neoliberalismo econômico, comportamental ou ambos? Ao meu ver, não dá para ser neoconservador e neoliberal ao mesmo tempo. Só é possível ser conservador tradicional (nada dessa frescura de neo) e liberal ao mesmo tempo se o liberalismo se restringir ao campo econômico. O marxismo é visto com simpatia por vários liberais americanos, gente classificada como de direita por boa parte da esquerda. Paranoia conspiradora? Isso se aplica também ao texto do Elke. Que tirem a trave dos próprios olhos antes de falar do cisco nos olhos dos outros. O militarismo foi apoiado por gente tão oposta como o Führer Hitler, o general Pinochet e os comandantes Stalin, Mao, Fidel, Che e Chávez, este um militar de carreira. O policialesco não é apoiado pelo conservadorismo comportamental, pelo menos o cristão, que rejeita o noticiário policial na imprensa brasileira. Machismo é uma vertente do hedonismo sexual com homens subjugando as mulheres, e como tal é rejeitado pelo conservadorismo comportamental. Já os homossexuais nunca tiveram espaço em regimes da extrema direita. E nem da extrema esquerda, que só diz valorizar o coletivo da sociedade inteira, nunca valorizando as demandas individuais ou de grupos específicos por direitos civis.

Chega de destrinchar tanta estupidez. Não sou blogueiro profissional nem militonto. Tenho mais o que fazer.

Pra encerrar: o nazismo reuniu o pior da direita (o financiamento privado de regimes políticos) com o pior da esquerda (Partido Único e dirigismo estatal). E foi um regime da extrema direita com pretensões capitalistas de Estado.

Se alguém não gostou, que vá estudar mais, ler mais e pesquise sobre Capitalismo de Estado.

Mais debate sobre este assunto aqui.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A primeira aparição de Feiticeira Escarlate e Mercúrio no cinema

Na última sexta-feira (dia 4), estreou lá fora o filme Capitão América 2: O Soldado Invernal. Na Wikipedia em inglês já colocaram a história toda do filme. Quem quiser conferir, não se arrependerá. A trama é sensacional. É disparada a melhor história da Fase 2 da Marvel Studios. Talvez seja a melhor história das duas fases até agora. Aguardemos o filme propriamente dito, já que desta vez o filme chegou primeiro na Gringolândia, a terra de Steve Rogers. O filme estreará no Brasil no próximo dia 10, quinta-feira.

SPOILERS:

O parágrafo acima foi algo necessário para introduzir o assunto que interessa aqui. Sobre a cena inter créditos finais de Capitão América 2: O Soldado Invernal (ver vídeo abaixo, antes que apaguem), o que dizer além de um "bem vindos ao cinema, irmãos Maximoff"? Só essa cena valeria por um filme inteiro. Aparição apoteótica, mesmo com os irmãos aprisionados. Vendo a Wanda quebrando cubos de madeira, dá para imagina-la usando a energia do Caos para esmagar o maquinário a serviço de Ultron.

Agora a coisa ficou séria.

Ainda tem o paradeiro do cetro que os Chitauri deram pro Loki...

E pensar que, além da Hidra ainda estar por aí, o Caveira Vermelha também deve estar em algum lugar oculto do universo. O futuro cinematográfico da Marvel está garantido por anos a fio.

sábado, 5 de abril de 2014

Ainda uma notícia de 1º de abril: Disney adquire a franquia Star Trek



Resposta para Conselho Jedi São Paulo publicada no Facebook:

Não sei quanto a vocês, mas eu digo que a ideia é interessante. Mesmo que, como informa o texto, trate-se de um 1º de abril. Mas vai que vira realidade um dia...

Um crossover Star Wars & Star Trek é possível, desde que se leve em consideração algumas coisas:

A linha do tempo Star Wars se passa "há muito tempo atrás", como é dito em todos os filmes. Ela começa milhares de anos antes do EP 1 e atualmente termina cerca de 137 anos após a batalha de Yavin (EP 4). Já a linha do tempo Star Trek se passa daqui a alguns séculos no futuro. Para haver um contato entre os dois universos, em primeiro lugar deverá ser no nosso futuro, daqui a alguns séculos. Teria que haver um contato da Federação com habitantes da galáxia de Star Wars que provavelmente não incluirá nenhum dos habitantes da atual linha de tempo Star Wars. Provavelmente serão os descendentes e herdeiros.

Também será necessário estabelecer quem estará no poder na galáxia de Star Wars: a República ou o Império. Sendo uma coisa ou outra, terá que se estabelecer se o regime é democrático ou não, se é um Império de uma dinastia monárquica (como a Dinastia Fel), se é um Império de lordes Sith, se há movimentos contestatórios ao regime (separatistas, republicanos vs. imperiais ou vice-versa, uma aliança rebelde contra a ditadura), ou outra coisa. Depois é necessário saber com quem a Federação terá contato e do lado de quem a Federação ficará, ou se ela permanecerá neutra.

Todos estes estabelecimentos do status também serão necessários se o regime da galáxia de Star Wars é que entrar em contato e se interessar em ingressar na Federação, ou tomar a Federação.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

"Menos Marx, mais Mises" na UFF

Estou escrevendo sobre isso há tempos. Uma virada ideológica está acontecendo neste país. Dos subterrâneos da sociedade brasileira se levantam aqueles que não concordam com o vigente "politicamente correto": ser "cumpanhêro", ser "pogreçista" ou ser qualquer coisa que remeta à esquerda. E a virada começou exatamente nos centros de formação das futuras lideranças do país: as universidades. Invertendo totalmente o caminho ideológico apontado por Antonio Gramsci. São grupos de estudantes com linhas ideológicas diferentes. Alguns conservadores, outros de direita e outros as duas coisas ao mesmo tempo. Em comum, o apoio ao liberalismo econômico clássico. Uma chapa de estudantes conservadores chegou a vencer em 2011 a eleição para dirigir o DCE da UnB, histórico reduto da esquerda.

Talvez sejam só pessoas que discordam do atual status quo nacional. Ou algo mais. Se for algo mais, é gente que só chegará ao poder daqui a uns 20 anos, se chegarem lá. Se for isso, tomara que tenham paciência e persistência, sem recorrer a métodos fáceis ou mesmo bélicos para chegarem lá, como outros fizeram no passado.

Outro dia o blogueiro assumidamente liberal Rodrigo Constantino descreveu as ações de alguns estudantes da UFF. Fez isso na postagem Quando a direita reage nas universidades. O grupo autointitulado Liberalismo Conservador (só se for liberalismo econômico, não comportamental) fez alguns adesivos escritos com a frase "Menos Marx, mais Mises", e colou em cima de cartazes e pichações de progressistas e de esquerdistas. Constantino colocou fotos desses cartazes em sua postagem. Nem o cartaz atribuído ao PSOL escapou, embora quem botou o adesivo ali deveria te-lo poupado, por se tratar de um cartaz contrário à quartelada de 1964. Constantino também citou um confronto acontecido entre estudantes da UFSC. Leitores do blogue do Constantino deram mais detalhes a respeito.

Procurando mais a respeito dessa frase "Menos Marx, mais Mises", é possível encontrar na Internet mais confrontos de ideias. O mais interessante que achei foi este, no Yahoo.

Enquanto alguns ficam pedindo intervenção militar por aí, outros preferem partir para o confronto de ideias. Melhor assim.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Uma história de redenção: o golpista de ontem pode ser o democrata de amanhã

Enquanto os mais ativos blogues lembram neste ano a famigerada quartelada de 1964, ocorrida há exatos 50 anos, lembro de uma breve história que poderia ter sepultado a biografia de um então político de meia idade: ninguém menos que Ulysses Guimarães. Os relatos históricos dão conta de que ele foi um dos políticos da época que apoiaram a deposição do presidente João Goulart. Mas a biografia registra que, logo no início do regime militar, ele passou para a oposição. Ulysses se filiou ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), tão logo o bipartidarismo foi instalado pelo regime. O MDB foi concebido pelo regime militar para ser uma espécie de oposição consentida, mas acabou virando oposição de fato, abrigando desde direitistas moderados (como o próprio Ulysses) a comunistas destituídos de um partido legalizado e registrado.

A trajetória democrática de Ulysses Guimarães a partir da passagem para a oposição ao regime militar é praticamente irretocável. Foi anticandidato a presidente da República em 1973, como uma forma de protesto contra o regime e a própria eleição, que foi indireta. Seu candidato a vice naquele ano foi um ex-governador de Pernambuco: Barbosa Lima Sobrinho. Como liderança do MDB, participou de todas as campanhas pelo retorno do país à democracia. No fim da década de 1970, participou da campanha pela anistia ampla, geral e irrestrita a todos os opositores do regime, que possibilitou o retorno ao Brasil dos exilados políticos. Na década seguinte, esteve na linha de frente do movimento Diretas Já, que reivindicou eleições diretas para presidente da República. Depois da rejeição da Emenda Dante de Oliveira, tentou novamente ser candidato a presidente numa eleição indireta marcada para 1985, mas o rebatizado PMDB não era (e não é) como o combativo MDB das duas décadas anteriores. Políticos menos idealistas tinham tomado conta da linha de frente do partido, inclusive alguns ex-aliados do regime militar. A ponto de o PMDB ter lançado para a eleição indireta a chapa vencedora que foi composta por Tancredo Neves (o mesmo que foi primeiro-ministro do curto parlamentarismo instalado para tirar poderes governamentais do presidente João Goulart) e seu vice José Sarney, ex-Arena e ex-PDS, ambos partidos aliados do regime militar, e ex-PFL, dissidente do PDS. Tendo presidido a Câmara dos Deputados entre 1985 e 1989, Ulysses substituiu interinamente várias vezes o presidente José Sarney, titular do cargo após a morte de Tancredo Neves. Mas acabou se destacando mais do que nunca entre 1987 e 1988, quando presidiu a Assembleia Nacional Constituinte, mediando os debates e conflitos entre as várias correntes de constituintes e, de certa maneira, na própria sociedade brasileira que se fez presente nos debates e reivindicações ao longo daquele período da Constituinte. Mesmo com a excelente biografia política, o peso negativo do PMDB (que não era mais o MDB velho de guerra, como disse antes) e a indicação de alguns ministros do Governo Sarney cobraram um preço alto em 1989, ano seguinte à promulgação da Constituição. Ulysses teve apenas 4,4% dos votos no primeiro turno da eleição de presidente da República. Em 1990, não disputou a presidência da Câmara dos Deputados e ainda perdeu a presidência do PMDB para Orestes Quércia. Voltou para a linha de frente dos movimentos democráticos em 1992, durante o processo de impedimento do presidente Fernando Collor. Ulysses chegou a pedir que a votação do impeachment na Câmara fosse aberta, não secreta.

O êxito na destituição de Fernando Collor acabou servindo como uma metáfora perfeita para a redenção política de Ulysses Guimarães. Um dos apoiadores de baixo escalão do golpe contra João Goulart foi, décadas depois, um dos principais articuladores da destituição de outro presidente da República, desta vez por vias democráticas e tudo dentro da lei. E teve aquela longa trajetória de atitudes pela construção de um regime democrático, entre uma queda de presidente e outra. O golpista de ontem pode ser o democrata de amanhã.

Sem dúvida, figuras como Ulysses Guimarães fazem falta nesses dias sombrios da atualidade.