Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 31 de março de 2014

Assessores da CNBB já escolheram sua candidata em 2014: Dilma Rousseff


Autor: Percival Puggina. Texto enviado para este blogue.

Sei que o texto a seguir parece escrito com o cotovelo, mas era preciso ser fiel ao trabalho de seus redatores. Trata-se de um trecho do documento Análise de Conjuntura, referente a março de 2014, preparado pela assessoria da CNBB para a 83ª reunião do Conselho Permanente da entidade, ocorrida entre os dias 11 e 13 deste mês em Brasília.

"Em análises anteriores da conjuntura econômica foi assinalado o discurso alarmista da imprensa e o alarmismo de analistas econômicos, não sem contradições na análise da realidade. Está bem presente um viés ideológico que perpassa todas as análises evidenciando um conluio entre a imprensa e os donos do dinheiro no país. O tom das análises reflete rancor, raiva e oposição ao governo atual, com parcialidade tal que perde o sentido de objetividade. A chave de leitura é uma oposição visceral do mundo financeiro e empresarial ao governo da presidente Dilma, ampliada com o horizonte das eleições em outubro deste ano."

Por indicação de um leitor, retornei ao site da CNBB em busca desse documento. Havia onze anos que eu não perdia meu tempo lendo as análises mensais de conjuntura preparadas pela assessoria da CNBB. A entidade, na ocasião em que questionei o tom petista militante que caracterizava os textos, informou que os mesmos não eram "dela", CNBB, mas elaborados "para ela". Com tal afirmação, os senhores bispos supunham desobrigar-se de um volumoso conjunto de documentos que, estranhamente, levam o timbre e estão disponíveis no site da entidade que os congrega.

Entre minha visita anterior e esta, transcorreu toda uma década, mudou o mundo, mudou o Brasil, mas os assessores da CNBB continuam derramando seu fel ideológico sobre cada frase. A orientação persiste: defesa insistente do petismo e seus parceiros de aquém e de além mar. O texto acima, por exemplo, é parte de um trecho bem maior, dedicado à situação nacional. Ao longo dele algo, ao menos, fica bem claro: os peritos que socorrem a CNBB com sua visão da "conjuntura" já têm candidata a "presidenta" para 2014. O documento deve ter cerca de 5 mil palavras. De início, para desvendar sua eclesialidade, procurei ver quantas vezes apareciam nele a palavra Cristo e seus derivados. Usando o instrumento de busca, digitei as letras "crist" com o que abrangeria todos os vocábulos com essa raiz. Houve apenas três ocorrências. Pareceu-me pouco para um documento católico. Quando fui ver o que diziam do Mestre, descobri, não sem surpresa, que uma dessas referências tratava da senhora Cristina Kirchner, a outra do senador Cristovam Buarque. E a terceira mencionava as "milícias cristãs" que estariam sendo submetidas à lei de Talião na República Centro-Africana. Ou seja, do Nazareno, apesar de levar a assinatura de quatro padres, nada. Ni jota como diriam nossos vizinhos castelhanos. O texto ficaria muito bem num Congresso do PT ou numa reunião do Foro de São Paulo: apoio ao governo federal, à presidente Dilma, ambiguidade em relação à crise da Ucrânia e apoio a Maduro na crise venezuelana, onde sustentam os redatores que a oposição, sim, a oposição, estaria radicalizando.

Entre os quatro leigos que também subscrevem o documento incluem-se o secretário de Articulação Social da Chefia de Gabinete da Presidência da República (braço-direito do ministro Gilberto Carvalho) e o secretário de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do governador petista do Distrito Federal. Os outros dois leigos são membros da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, outro dos vários organismos da CNBB aparelhados pelo PT, como a Pastoral da Terra, as CEBs e a Pastoral da Juventude. Todos selecionados a dedo, portanto, para produzirem o que se lê. Esperavam o quê?

Não é com surpresa que faço estas constatações e escrevo estas linhas. A CNBB parece não se importar com as demasias praticadas sob o guarda-chuva de seu nome e logomarca, nem com sua instrumentalização para fins políticos e partidários. Pode chocar a você, leitor, saber que esse suposto desinteresse coloca a instituição a serviço de quem, inequivocamente, tem entre seus objetivos o de acabar com o pouco que ainda remanesce de valores cristãos e de presença da Igreja na sociedade brasileira. Mas isso não causa o menor constrangimento à CNBB.

Há muitos lobos no meio das ovelhas que lhes confiou o Senhor. Às avessas da recomendação evangélica, os mansos como as pombas não parecem ser prudentes como as serpentes. E os prudentes nada têm de mansos.

domingo, 30 de março de 2014

Turma da Petrobrax está preocupadinha com a Petrobrás

Este país é uma comédia de erros. No meio desse bafafá em torno da Petrobrás, a coisa mais curiosa é a preocupação demonstrada pela mesma corja que queria que a Petrobrás trocasse de nome para Petrobrax, para ficar mais palatável para os gringos, a fim de ser vendida no mercado internacional.

Próximo, por favor.

sábado, 29 de março de 2014

Quem mandou o Facebook perguntar?


Fonte: Conservadorismo Brasil no Facebook.

O Facebook, em sua tela inicial, me pergunta todos dias "no que eu estou pensando". Se ele deseja mesmo saber, então vou falar:

A imoralidade da cultura brasileira é tão GRITANTE que, no mesmo FACEBOOK, uma menina, aparentemente cristã, colocou uma foto sensual e um rapaz, em tom elogioso, a adjetivou de “Panicat”. A menina, radiante pelo elogio, respondeu: “Ah! Quem me dera ser uma Panicat.” Evidentemente, a jovem da história se viu muito aquém do adjetivo proposto, pois ser uma panicat ou um ganhador do BBB é o suprassumo da aspiração de muitos jovens brasileiros, o que não poderia ser diferente para uma juventude que consome o lixo cultural produzido nos esgotos da televisão. Pronto, Facebook, agora você sabe o que estou pensando: A cultura do Brasil está esfacelada, literalmente escorrendo pelo ralo! Não gostou? Então, considere que a maior composição cultural da música brasileira no últimos dias é o Lepo Lepo.

Sorry, Facebook, mas foi você que perguntou.

Leonardo Costa

quinta-feira, 27 de março de 2014

Foi o Tarso quem falou: Copa no Brasil é "roubada"


Resposta para Coturno Noturno:

No caso do Beira-Rio, o estádio que costumo chamar de Casa da Barbie (o tom de vermelho do Internacional se parece muito com o rosado de algumas casas de bonecas), o povo brasileiro e o gaúcho está gastando dinheiro num estádio privado que nem receberá jogos da Seleção da CBF na Copa 2014. Se bem que, no caso do Rio Grande do Sul, tem muita gente que gostaria é de estar torcendo pela seleção da República Rio-Grandense ou da República do Piratini. Se é que essa seleção conseguiria classificar-se nas eliminatórias sul-americanas.

terça-feira, 25 de março de 2014

Marchas, passeatas, paradas e procissões

Resposta para Lola:

É tanta marcha, passeata, parada, procissão, cada uma com uma causa mais estúpida que a outra. Como aquelas procissões ditas "da Família com Deus pela Liberdade". Tem hora que é melhor ficar em casa.

Quanto à direita voltar ao poder pelo voto, não precisa voltar, porque na verdade nunca saiu. Deixou só a jóia da coroa (o cargo de presidente da República), mas continua por aí com governadores, prefeitos, senadores, deputados, vereadores, ministros, secretários... Inclusive os fisiológicos lado a lado de Lula e Dilma. Só que parte da direita não aceita ser coadjuvante de quem não faz parte de seu arraial. A direita é dividida. Tal como a esquerda, entre a governista e a ultraesquerda oposicionista citada no texto.

sábado, 22 de março de 2014

'Faroeste Caboclo' estreia no Telecine


Muita coisa aconteceu desde o dia 30 de maio de 2013, quando Faroeste Caboclo foi lançado nos cinemas. De lá para cá, o filme inspirado na música homônima de Renato Russo já foi lançado em DVD, blu-ray, vídeo sob demanda e PPV. Fora as mídias piratas. Infelizmente, também houve aquele acidente automobilístico do qual a atriz Ísis Valverde foi vítima.

Finalmente hoje o filme será lançado na TV. Mais precisamente às 22h, no canal Telecine Premium. Amanhã às 20h será lançado no canal Telecine Pipoca. Na página do Telecine é possível conferir outros dias e horários de exibição do filme nos canais Telecine, pra quem não conferiu nem puder conferir neste fim de semana.

Minha resenha para o filme

O maniqueísmo de Emir Sader

Emir Sader é tão radical na sua defesa do Governo Lula-Dilma que chega a ser maniqueísta. Outro dia ele deixou esta pérola no Twitter:

Emir Sader

Se a Midia Ninja confirmar q vai fazer campanha pelo Não vai haver voto,terá passado definitivamente p/ o campo da direita antidemcoratica.

Resposta:

Marcelo Delfino

@emirsader Não seja tão maniqueísta. Por sua ótica, até a @PlebeRude vira banda de direita antidemocrática

sexta-feira, 14 de março de 2014

'Gravidade' mereceu cada Oscar que levou

Gravidade foi o grande campeão do Oscar 2014. Além do Oscar de melhor diretor para Alfonso Cuarón (diretor também ganhador do Globo de Ouro na mesma categoria), o filme faturou outros seis Oscars, todos técnicos. O filme é o grande vencedor do Oscar. Ponto. Pouco importa se os sabichões acham que quem não é diretor, ator, produtor nem roteirista de um filme é um profissional menor do mundo do cinema. Querem a todo custo depreciar os Oscars técnicos. Sempre mencionam o termo "Oscars técnicos" em tom pejorativo. Os profissionais técnicos tem que ser valorizados, também.

E são exatamente os quesitos técnicos que fizeram a diferença neste filme. Normalmente, a parte técnica dos filmes (principalmente os efeitos visuais) aparece mais em filmes-pipoca, que muitas vezes escondem deficiências de roteiro, de história, de direção e até de atuação. Mas, embora Gravidade seja um filme em que a parte técnica se sobressai, não é um filme-pipoca. Neste filme temos boas atuações, boa direção, boa história e bom roteiro. Este é um excelente filme de ficção científica sobre uma viagem espacial, claramente herdeiro da tendência lançada por 2001. Mas só a arte gráfica da divulgação do filme imita a do filme de Stanley Kubrick. O filme em si é bastante inovador.

A trama de Gravidade é bem simples. Não houve mesmo o objetivo de mostrar uma história truncada ou complexa. Aqui é mostrado apenas o que acontece quando destroços de um satélite inativo destruído por um míssil russo iniciam uma reação em cadeia, são lançados em alta velocidade e atingem a nave americana Explorer, com alguns astronautas em missão de manutenção do telescópio Hubble. O incidente resulta na morte de quase todos os ocupantes da Explorer, exceto do comandante da missão (papel de George Clooney) e da doutora Ryan Stone (papel de Sandra Bullock). A partir daqui, os dois sobreviventes tem que utilizar seus conhecimentos científicos, seus equipamentos restantes e até a força da gravidade (aqui o provável motivo para o nome do filme) para procurar alguma estação espacial que possua uma sonda em condições de uso para lhes permitir retornar à Terra em segurança. Percebe-se durante todo o filme a tensão da doutora Ryan com a sucessão de acontecimentos.

O filme também chama a atenção para o problema do lixo espacial em órbita da Terra. Lixo de todos os tamanhos. De ferramentas perdidas por astronautas até satélites inativos e restos de foguetes usados no lançamento de naves espaciais. O blu-ray do filme traz entre os bônus um documentário só sobre a questão desse lixo espacial.

Vale a pena conferir este filme, que por ter sido lançado no segundo semestre de 2013, já chegou ao Oscar após o lançamento do DVD e do blu-ray oficiais.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Teologia da Prosperidade é irmã do fânqui ostentação

Se um adepto da Teologia da Prosperidade fizer um fânqui, deverá ser o fânqui ostentação gospel.

Fânqui gospel eu sei há anos que existe. Não sou nenhum neófito nesse assunto. O que eu ainda não tive o desprazer de ouvir foi fânqui ostentação gospel. Basta colocar uma abordagem da Teologia da Prosperidade na letra.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Conservadores, conservadores e conservadores

Resposta para MV Shogum publicada no Facebook:

Existem conservadores, existem conservadores e existem conservadores. Eu sou de um tipo que não tem espaço político algum. E digo que há racistas e homofóbicos por ai. Vou levar uma surra de conservadores diferentes de mim, depois dessa. Tô nem aí.

Bolsonaro é um conservador de meia tigela. Ele apoia o aborto e o controle de natalidade imposto pelo Estado. Belo conservador, esse sujeito! Na verdade, um reacionário.

Piores são os conservadores que querem conservar Dilma e o PT no poder.

terça-feira, 4 de março de 2014

A versão broxante do RoboCop


Filmes policiais não são arte. São feitos para divertir. Alguns não conseguem nem isso. No máximo, viram exóticos passatempos. Esse RoboCop do Padilha é um espécime desse tipo de filme. O filme não empolga em momento algum. Padilha extirpou desse filme de 2014 um dos poucos atrativos do filme de 1987: a história de libertação de um policial irreversivelmente abatido, refeito como uma criatura 90% robótica sem lembranças do passado mas que consegue fazer seu resto de humanidade subjugar a robótica. Nesse filme, não há libertação. A demonstração frankensteiniana feita para Alex Murphy do pouco de órgãos humanos que lhe sobraram (basicamente o cérebro, o rosto, os dois pulmões, a mão direita e talvez algo mais não visível ao expectador) é uma das coisas mais broxantes da história do cinema. Neste filme não há libertação. Nem para Alex Murphy, nem para o espectador, que encara durante todo o filme todos os piores clichês de filmes policiais americanos e o discurso intelectualóide de Padilha, que ainda teve a pachorra de se dizer um liberalista clássico no programa Roda Viva. A trama do filme é tão amarradinha ao discurso de Padilha que funciona como um reloginho, até desembocar num final pra lá de previsível.

Samuel L Jackson está nesse filme só pra fazer o papel do sujeito que quer ver os policiais dróides da OmniCorp atirando friamente nas ruas americanas como fazem fora do país. Além, obviamente, pro Padilha poder soltar sua opinião "liberal clássica" contra a posição republicana da Fox News, cujos apresentadores inspiraram o personagem do Samuel, segundo Padilha diz em toda entrevista.

Só que o máximo que Padilha conseguirá com essas entrevistas é fechar a porta para ele na 20th Century Fox. Se voltar a fazer algum filme americano, terá que ser na concorrência. Talvez na própria MGM ou na Columbia, que bancaram esse RoboCop.

Tem mais. Padilha fala da Fox News como se aqui mesmo na terra dele não houvesse apresentadores de noticiário policialesco semelhantes ao personagem do Samuel. Basta sintonizar algumas TVs abertas do Brasil em alguns horários. É uma temeridade o Padilha ser tão incisivo na política doméstica americana. Pode ser uma revanche pra cima dos americanos que se meteram na política doméstica brasileira ao longo da história, mas se um dia mudar a linha do governo americano, talvez nem o visto de entrada para os EUA o Padilha consiga mais.

Parece que, diante do discurso do Padilha, o público americano já antecipou em sua mente o teor desse filme, e não deu a bilheteria que os produtores esperavam. Se não fosse o mercado externo, esse filme não arrecadaria nem os US$ 100 milhões gastos com ele. Talvez prevendo o fiasco doméstico, os produtores não assinaram contrato para continuações. Nem com José Padilha nem com o ator principal Joel Kinnaman.