Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

É melhor me deixarem quieto

Respostas para Marcelo Delfino publicadas no Facebook:

Leandro Rocha

Você falou, falou, e no fundo eu não entendi qual a sua opinião de fato.

Amigo Leandro, você não entendeu ou entendeu mas não quer acreditar no que entendeu. Minha opinião bate da frente com a sua e com a dos politiqueiros do PCO. Bem como bate de frente com a cobertura midiática (daqui a pouco esquecem essa e arrumam outro escândalo ou tragédia), com as opiniões dos comandantes da PM, dos policiais civis que investigam esse fato, dos suspeitos e de seus advogados, da cúpula da insegurança pública, dos desgovernantes das três esferas de desgoverno, dos oposicionistas da direita, dos oposicionistas da esquerda... Taí o que penso: todos eles querem tirar casquinha do evento. E nenhum deles trará o Santiago de volta.

Leandro Rocha

O seu mal, Marcelo, é que vc quer ser tão "certinho", tão "imparcilzinho", que acaba sendo parcial, rs. Tipo a aquela história, aquele que não levanta a voz contra o lobo, sacrifica a ovelha, saca?

Vc acha que se alguém comete uma injustiça, o outro lado tem que ficar calado ao invés de reclamar pra consertar a injustiça inicial. Veja, eu disse consertar a inicial, e não se exceder. Não to falando de praticar o "olho por olho", mas de fazer aquilo que é justo e proporcional, autorizado pela lei, etc.

Outro dia, vc reclamou que o Fluminense estava errado pq recorria ao STJD pra ganhar pontos no tapetão. E ao mesmo tempo reclamou de Flamengo e Portuguesa que também recorreram contra a primeira decisão, injusta.

Quer dizer, vc defende que não se brigue por uma coisa injusta, mas se conseguirem praticar uma injustiça contra você, você não se insurgir contra ela, tem que aceitar, pq se reagir, então se iguala ao opositor.

Não é assim na vida real. Às vezes é possível e até desejável aquela história de "dar a outra face", é um ideal a ser alcançado, mas nem sempre da pra fazer, e não é pq não se faz que o cara que não faz se torna mal como o primeiro ofensor. Vc deveria refletir sobre isso.

Meu amigo Leandro Rocha, é melhor me deixar quieto, porque se eu for agir, vou bater de frente com tudo em que você acredita. Inclusive com aquele político frouxo que não merece nem menção desonrosa (que dirá honrosa) e eu quero mais que não seja reeleito (dois mandatos tá de bom tamanho). Não reeleja ninguém! Ninguém MESMO! Eu é que não vou mudar de opinião pra parecer politicamente correto.

Eu já fui de manifestação de rua, Leandro Rocha. Já fui a várias. Fui a algumas contra a corrupção, lá no Centro. Bem antes de dona Dilma ser eleita. Também fui lá na frente da Prefeitura, junto com os colegas, em baixo de sol, nos tempos de combate à dengue, pra reivindicar melhorias no serviço e nas condições trabalhistas para os trabalhadores da área. Conseguimos algumas coisas. Não tudo que queríamos, mas algumas coisas conseguimos. Já naqueles dias de manifestações em frente à Prefeitura, percebi que a coisa começava a degringolar. Participantes do movimento tiveram a pachorra de distribuir panfletos pedindo pra eleger um petista desses aí para a Presidência. Nem lembro se era o Lula ou a Dilma. Mesmo assim, ainda eram tempos legais, diferentes deste atual regime brasileiro. Se fosse hoje, provavelmente botariam um monte de peêmes e guardas municipais na frente da Prefeitura e talvez nem nossa comissão de representantes subiria no gabinete do Secretário de Saúde.

Neste regime brasileiro, está ficando perigoso mostrar opinião. Quem mostra opinião é chamado de coxinha e terrorista, fora adjetivações ideologicamente depreciativas. E tome leis para calar os discordantes. Não fui mais às ruas, mas eu devo ser um sujeito dos que mais reclamam contra um monte de injustiças e bandalheiras que tem por aí. Até blogue eu tenho, mesmo sem ter muito tempo para escrever, mas tou cada vez mais propenso a deixa-lo apenas para assuntos amenos. Não digo que deva reclamar menos, mas devo me expor menos. Reclamar e se expor são coisas diferentes.

E aquela história de sacrificar a ovelha pode ser uma boa. Desde que se leve a carcaça da ovelha, pra deixar o lobo sem comida. Teve uma que deixou se sacrificar a si mesma na cruz do Calvário. Mas isso é politicamente incorreto demais segundo a ótica do politicamente correto.

Leandro Rocha

Se deixou sacrificar a si mesmo, mas também disse:

«Então lhes disse: Agora, porém, o que tem bolsa, tome-a, como também o alforge; e o que não tem dinheiro, venda a sua capa e compre espada.» (Lucas 22:36)

E o cara é "frouxo" exatamente por que, fora o seu extremo "senso de imparcialidade"?

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