Política, cultura e generalidades

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Um polaróide de Wall Street no mais recente filme de DiCaprio e Scorsese


Uma vez, um amigo escreveu que Wall Street tem mais drogas que vários Woodstock juntos. Sempre acreditei nessa premissa, embora ninguém possa dizer que todos os habitantes do mercado financeiro de Wall Street sejam usuários de drogas. Uma pequena amostra dessa orgia alucinógena foi retratada agora no recém-lançado filme O Lobo de Wall Street, baseado num livro de memórias de Jordan Belfort cujos direitos cinematográficos foram comprados por Leonardo DiCaprio, ator principal que assumiu o papel de Belfort no filme e encarregou Martin Scorsese da direção. É a quinta vez em que os dois medalhões do cinema trabalham juntos num filme.

A longa trama do filme (cerca de três horas de projeção) trata da história real de Jordan Belfort, que fez carreira como corretor de títulos no mercado financeiro americano e que, ainda na época de estagiário (em 1987), aceitou a dica do então patrão para que abusasse de sexo e drogas para potencializar sua agressividade no mercado financeiro. O filme retrata como Belfort ficou multimilionário a partir da criação (como sócio majoritário) de sua firma Stratton Oakmont, onde basicamente enriqueceu cometendo fraudes com títulos de ações, extorsão de clientes e lavagem de dinheiro, crimes pelos quais seria condenado anos mais tarde a três anos de cadeia. Isso porque colaborou com as investigações do FBI, confessando os crimes e entregando todos os comparsas, porque senão poderia ter pego 20 anos de cadeia. A Stratton Oakmont pagava festas para "incentivar" seus empregados, com fartura de drogas e prostitutas. O próprio personagem Belfort e seus comparsas mais próximos se viciaram em tudo quanto é droga possível: maconha, cocaína e methaqualone.

Muito bem roteirizado e filmado, O Lobo de Wall Street se vale da crueza no retrato da vida louca de Jordan Belfort e de seus asseclas, e também se vale do trabalho magistral de Leonardo DiCaprio, aqui há anos-luz do criticado ator de Titanic. Várias vezes indicado ao Oscar e agora ao Oscar de melhor ator por O Lobo de Wall Street, é provável que DiCaprio perca novamente neste ano. Quando a Academia de Hollywood cisma com alguém, não adianta. Depois, quando o cara fica velho, é que dão um jeito de lhe dar um "Oscar especial pelo conjunto da obra".

O que fica desse filme é um retrato fiel de um mercado financeiro louco, onde são decididas a vida e a morte de empresas, empregos e pessoas em todo o mundo. Essa loucura só poderia ir adiante à custa de muita corrupção e aditivos químicos.

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