Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A bajulação da Veja ao capitalismo de Estado na China

Que a Veja é neoliberal, isso todos sabem. Apesar de a revista abrigar também nomes libertaristas ou minarquistas. Tipo Lobão e Rodrigo Constantino. O que há em comum entre libertaristas e minarquistas é que ambos se opõem a qualquer regulação ou intervenção estatal na vida dos indivíduos e das empresas. Coisas que os neoliberais aceitam, se for para salvar o mercado e as empresas da bancarrota, ou para promover negócios sem riscos para os investidores privados que inventaram esse atual capitalismo cafajeste e sem riscos.

Devido à sua linha neoliberal, é incompreensível que a Veja solte fogos para o desempenho do capitalismo chinês, conforme deixa transparecer uma manchete da aba superior da capa desta semana (China - A locomotiva do mundo agora movida a capitalismo). Aquilo ali está longe de ser algo libertarista ou sequer liberal. Muito menos minarquista. Aquele regime econômico é, na verdade, um capitalismo de Estado, com o Estado (e, por consequência, o governo de partido único do Partido Comunista da China) comandando tudo e todos com mãos de ferro, sempre se metendo onde não deve. Não são as empresas que comandam a economia, como num regime econômico minimamente liberal. Só prosperam por lá os negócios privados que estão enquadrados nos planos governamentais. E o governo deixa rolar uma evidente precarização dos direitos trabalhistas.

Que a Veja tem interesses em atacar (até deslealmente) o governo brasileiro, isso é evidente. Mas a revista não deixa de flertar com o regime chinês, modelo para muitos governos pelo mundo afora que a revista critica. Inclusive o governo brasileiro.

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