Política, cultura e generalidades

sábado, 30 de novembro de 2013

A não filiação a partidos políticos como ato de subversão

Minha frase para o dia de hoje:

Talvez chegue um dia em que políticos considerarão ato de subversão a rejeição a todos os partidos políticos e a não pertença a eles.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A bajulação da Veja ao capitalismo de Estado na China

Que a Veja é neoliberal, isso todos sabem. Apesar de a revista abrigar também nomes libertaristas ou minarquistas. Tipo Lobão e Rodrigo Constantino. O que há em comum entre libertaristas e minarquistas é que ambos se opõem a qualquer regulação ou intervenção estatal na vida dos indivíduos e das empresas. Coisas que os neoliberais aceitam, se for para salvar o mercado e as empresas da bancarrota, ou para promover negócios sem riscos para os investidores privados que inventaram esse atual capitalismo cafajeste e sem riscos.

Devido à sua linha neoliberal, é incompreensível que a Veja solte fogos para o desempenho do capitalismo chinês, conforme deixa transparecer uma manchete da aba superior da capa desta semana (China - A locomotiva do mundo agora movida a capitalismo). Aquilo ali está longe de ser algo libertarista ou sequer liberal. Muito menos minarquista. Aquele regime econômico é, na verdade, um capitalismo de Estado, com o Estado (e, por consequência, o governo de partido único do Partido Comunista da China) comandando tudo e todos com mãos de ferro, sempre se metendo onde não deve. Não são as empresas que comandam a economia, como num regime econômico minimamente liberal. Só prosperam por lá os negócios privados que estão enquadrados nos planos governamentais. E o governo deixa rolar uma evidente precarização dos direitos trabalhistas.

Que a Veja tem interesses em atacar (até deslealmente) o governo brasileiro, isso é evidente. Mas a revista não deixa de flertar com o regime chinês, modelo para muitos governos pelo mundo afora que a revista critica. Inclusive o governo brasileiro.

domingo, 24 de novembro de 2013

Blogue de apologética descreve as quatro correntes da Igreja Católica

A descrição feita pelo blogue Apologética Católica é excelente. Traz pormenores fundamentais para distinguir as quatro correntes católicas surgidas a partir do Concílio Vaticano II: os tradicionalistas (que são os conservadores propriamente ditos), os neoconservadores, os carismáticos e os progressistas.

Pelo menos no Brasil, os presbíteros, os diáconos e os leigos (tendo vida consagrada ou não) estão espalhados nas quatro correntes. Já os bispos estiveram, entre o Vaticano II e o final do século XX, divididos entre os neoconservadores e os progressistas, com ampla maioria de progressistas. Havia ainda uma minoria decrescente de tradicionalistas (remanescentes do período pré-Vaticano II, hoje praticamente inexistentes). Não havia bispos carismáticos, ou pelo menos não declarados. Os únicos talvez fossem Dom Fernando Figueiredo, bispo de Santo Amaro influenciado pelo subordinado Pe. Marcelo Rossi, e Dom Alberto Taveira, atual arcebispo de Belém do Pará e membro do segundo elo da comunidade Canção Nova, já que ele não se consagrou como membro da comunidade, como fazem os membros do primeiro elo. No atual século, até agora, há um número maior de bispos brasileiros neoconservadores em relação ao final do século XX, havendo praticamente um equilíbrio numérico e de forças entre eles e os bispos progressistas. Ora um grupo prevalece, ora o outro. Depende da circunstância. Dom Alberto Taveira e Dom Fernando Figueiredo permanecem sendo os únicos bispos carismáticos do Brasil de que se tem notícia, pelo menos visivelmente ou de forma subentendida. Há, no entanto, bispos neoconservadores que prestigiam o clero e os fiéis carismáticos. Já havia no século passado. Há ainda um pequeno número de bispos tradicionalistas, todos ligados a circunscrições eclesiásticas pessoais (pessoais no sentido de grupos de pessoas, não ligados a territórios).

Pode-se dizer que todos os papas do Vaticano II até hoje foram (no caso dos falecidos) ou são neoconservadores. Mesmo João XXIII, classificado como progressista pelos tradicionalistas e por alguns progressistas, e Francisco, classificado como progressista pelos tradicionalistas e por católicos progressistas, e classificado como reacionário pelos progressistas não católicos, que mesmo trocando figurinhas com católicos progressistas, normalmente já classificam todos os papas como reacionários.

sábado, 23 de novembro de 2013

Futebol brasileiro irá pra Copa 2014 com campeonato nacional em baixo nível

Discordo da avaliação otimista dos fanáticos pela Seleção da CBF em relação ao desempenho daquele plantel na Copa do Mundo da FIFA, mesmo em casa. O futebol brasileiro não está num nível que permita alimentar a Seleção da CBF com um grande elenco. Vide a Série A do Campeonato Brasileiro, que chega hoje à antepenúltima rodada com nada mais do que 12 dos 20 times ainda ameaçados pelo rebaixamento. Tirando o Cruzeiro (campeão com trocentas rodadas de antecedência) e alguns poucos times próximos na tabela, o resto está nivelado por baixo.

Um dia, nem os "estrangeiros" (como são chamados os jogadores brasileiros que jogam em times do exterior, notadamente na Europa) servirão como muleta para a Seleção da CBF. Quem pode, está se naturalizando em algum desses países e está indo jogar em outras seleções.

A verdade que poucos dos que acompanham o futebol admitem é que o futebol brasileiro está muito abaixo do futebol que se pratica em dezenas de outros países. No dia em que o futebol brasileiro deixar de ser motivo para fanatismo e passar a ser encarado apenas como esporte e entretenimento, quem sabe ele volte aos seus áureos tempos.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Luiz Antonio Mello lançará (mais um) livro sobre rock em 2014

Resposta para Coluna do LAM:

Grande Mestre LAM! Já estou aguardando esse seu novo livro, um dos grandes lançamentos de 2014, com certeza. Mas aviso que concordo com o que o Alexandre escreveu: houve, sim, rock brasileiro, notadamente nos anos 70 (década do estouro do Mestre Raul Seixas e do Secos & Molhados) e nos anos 80. Ainda tivemos Chico Science & Nação Zumbi nos anos 90. Até o ultranacionalista Ariano Suassuna chorou diante do caixão do Chico Science. De 1995 para cá é que a coisa degringolou. Está difícil achar rock de verdade nesta terra de DJ Malboro, mesmo sendo apenas rock "no" ou "do" Brasil. Que dirá rock brasileiro. Tem que ir pro underground pra achar rock de verdade nos dias atuais. Como o rock da banda Kapitu, que me foi apresentada pelo Mestre LAM e é detentora da música 'História pra contar', desde já uma das melhores da atual década.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Papa segue adiando a divulgação da lista de cardeais a serem criados em fevereiro

Taí outra diferença do Papa Francisco em relação aos antecessores, pelo menos aqueles com quem ele conviveu enquanto presbítero, bispo e cardeal. Os papas anteriores costumavam criar novos cardeais uma vez por ano, geralmente em fevereiro, mas divulgavam a lista dos novos eleitos com meses de antecedência. A lista dos novos cardeais de fevereiro de 2014 ainda não foi divulgada.

Papa Francisco tem demonstrado pouco apreço por certas honrarias dispensadas a ele mesmo e a vários membros da hierarquia clerical. Talvez por isso esteja adiando ao máximo a divulgação dos novos cardeais, ou nem tenha ainda concluído sua primeira lista. Convenhamos: cardeais tem uma lista no mínimo razoável de atributos protocolares e privilégios, descrita em vários lugares, como a Wikipedia. Papa Francisco pode estar desestimulando os futuros cardeais a pensarem nesses assuntos, e a não falarem deles publicamente. Sob pena de terem suas nomeações canceladas.

Provavelmente não há limite para o número total de cardeais. Por uma disposição canônica da Igreja, há apenas um limite no número de cardeais com menos de 80 anos de idade, que são aqueles que integram o Conclave, reunião dos cardeais que elegem um novo Papa. Hoje o número máximo estabelecido para o Conclave é de 120 cardeais. Hoje o número de cardeais do Conclave é de 109. O total de cardeais do mundo todo é de 200. O número de cardeais do Conclave será de no máximo 106 em fevereiro, com a chegada de mais cardeais à idade de 80 anos.

Lista de possíveis novos cardeais não faltam. O blogue Papas, Cardeais e Conclaves tem a sua. Mas o próprio blogue dá seu aviso, lembrando do pouco apreço do Papa Francisco por algumas tradições:

Evidentemente o Santo Padre não está obrigado a fazer cardeais nenhum dos prelados acima, mesmo em se tratando de sedes tradicionalmente cardinalícias. E, em se tratando do Papa Francisco...

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

PSD apoiará reeleição de Dilma Rousseff após ela se posicionar contra renegociação da dívida da Prefeitura de São Paulo


Uma coisa pode não ter nada a ver com a outra, mas é coincidência demais. Tomara que seja só coincidência. Dilma Rousseff mudou de ideia com relação ao que pensava anteriormente, e agora se posicionou contra a mudança de indexadores da dívida de estados e de municípios com a União em prol de indexadores mais adequados à atual conjuntura econômica. Isso provocaria a diminuição da dívida de estados e de municípios e a diminuição na União de expectativa de recebimento de dívidas. Tudo isso prejudica, de cara, a Prefeitura de São Paulo, que tem uma dívida maior que a de muitos estados, culpa de vários prefeitos paulistanos, principalmente os malufistas. A dívida do município com a União é da ordem de R$ 54 bilhões, mas poderia cair em 40%, e a Prefeitura poderia contrair novos empréstimos. A não mudança de indexadores diminui drasticamente a margem de manobra da gestão do prefeito Fernando Haddad, que tem trocado farpas com o antecessor Gilberto Kassab, atual presidente nacional do PSD, por conta de ações corruptas de alguns auditores fiscais e de outros funcionários que trabalharam ou trabalham na prefeitura paulistana em cargos de confiança. Um prefeito joga a culpa no outro. Depois que Dilma Rousseff contrariou o prefeito petista na questão da dívida de municípios como São Paulo, a Executiva Nacional do PSD formalizou o apoio à reeleição da presidente petista, conforme atesta o portal do PSD. Como disse antes, tomara que seja só coincidência.

Uma coisa é certa: Fernando Haddad não tem culpa pela dívida bilionária criada pelos antecessores. Mas está pagando o pato.

Mais dados em Governo desiste de ajudar estados e municípios com redução de dívidas.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Perimetral de volta para o futuro. Ao menos na TV

Há uma semana está sendo veiculado apenas no estado do Rio de Janeiro uma propaganda institucional na TV em que o Governo Federal anuncia as obras no setor de transportes na capital que contam com financiamento da União. Lá pelas tantas, são mostradas imagens de carros passando na Perimetral. A mesma que a aquela altura já estava fechada por ordem do prefeito e que será demolida entre a Rodoviária e a Praça Mauá nos próximos dias. Um pequeno trecho da Perimetral já foi demolido manualmente, provavelmente para testes. Os marqueteiros que detém a conta publicitária do Governo Federal falam de um Rio de Janeiro do futuro, mas mostram imagens de um Rio de Janeiro que ficou no passado.

Vai ver, as imagens da Perimetral ainda aberta trazem uma mensagem subliminar. Dona Dilma Rousseff faria um bem enorme a esta cidade se dissesse publicamente ser contra a derrubada da Perimetral. Acabaria sendo uma declaração suprapartidária, já que líderes oposicionistas como Otavio Leite fazem há anos declarações contra a derrubada.

sábado, 9 de novembro de 2013

Arthur Dapieve também em defesa da Rádio MEC AM e FM


Comentário publicado no Facebook para para texto de Arthur Dapieve:

Eu li ontem. De certa forma, temos apoio estratégicos em diversos setores, como na grande imprensa. Principalmente entre cronistas um pouco mais conservadores, como o Dapieve. Exatamente por serem conservadores, querem conservar boas ferramentas para uma boa educação musical, como são a MEC AM e FM.

Só espero que a peleja não seja mero pretexto para ataques político-ideológicos ou partidários à presidenta de plantão. Pode ser isso, mas não pode ser só isso. É algo muito maior. É a defesa de uma boa educação musical, que está dentro de um contexto ainda maior que é a boa educação com conhecimento geral.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Inteligência não nos livra de equívocos

Fonte: postagem anterior.

Marcos Vinicius Mesquita
6 de novembro de 2013 10:21

"Na contramão, são os direitistas, conservadores tradicionais que tem defendido ideias mais avançadas. Masculinismo, o verdadeiro Kardecismo, críticas a supervalorização ao futebol, cíticas aos projetos de mobilidade urbana e os alertas sobra a degradação cultural tem feito parte das bandeiras de indivíduos que se assumem politicamente de direita. Uma pena, já que por não ser humanista, a ideologia de direita prega a permanência de todas as formas de injustiça por achá-las justas (??!!!), o que entra em choque com as ideologias progressistas professadas pelos mesmos defensores, um verdadeiro sinal de incoerência e desonestidade ideológica.

Mas não pensem que eles defendem essas ideias progressistas porque gostam delas. Eles defendem por acharem que vão contra os interesses das classes mais carentes. Direitistas odeiam pobres por causa da absurda tese de que as pessoas só perdem porque querem. Num mundo onde as regras são feitas pelos direitas, não dá para ser vencedor sem se adaptar as abusadas exigências dos gestores e dos simpatizantes do Capitalismo."

Desculpe mas não tem como achar inteligente esse trecho. É a mesma premissa de qualquer texto de esquerda de que todo direitista é um ser odioso e preconceituoso.

Eu me defino como direita por osmose, me parece ser a definição mais fácil de se explicar. Mas é preciso entender que existem vários tipos de direita. Desde estatistas e saudosistas do regime militar, defensores do estado minimo e livre comércio (meu caso) ou até anarco capitalistas.

O texto do M Pereira é inteligente, sim. Mas é equivocado. E tão equivocado quanto aqueles blogues que eu apontei como intelectualmente indigentes. Como esquerdista, M Pereira deveria tirar a trave do olho dele antes de apontar o cisco no olho da direita. Que eu saiba, a nomenklatura de todos os governos de esquerda pelo mundo afora busca manter os privilégios dos filiados e aliados do Partido. E eu já vi muita gente de direita combatendo esta e outras injustiças. M Pereira é que não pode falar do que não conhece. Eu debato com gente de todas as tendências. Da ultraesquerda, da esquerda governista, da direita governista, anarquistas, anarcocapitalistas, minarquistas, conservadores, neoliberais, liberalistas econômicos, libertários, estatistas de direita, saudosos do Regime de 1964 e até aqueles que acham que todos os políticos do Brasil são, sem exceção, de direita ou de esquerda. Se M Pereira não debate com direitistas nem procura conhece-los, problema é dele. Mas não pode emitir conceitos sobre eles, como nós fazemos. Escreve sobre o que não conhece e só pode emitir preconceitos.

Claro que nenhum desses à direita que combatem injustiças é reacionário, neoliberal ou favorável ao socorro do Estado a grupos falidos, como bancos e grupos privados aliados dos governantes.

Meu próprio texto aponta o ódio de alguns direitistas e de alguns esquerdistas pelos pobres. É o desprezo pelas castas inferiores, invariavelmente mais pobres que a nomenklatura e os colunistas da imprensa de direita. O próprio M Pereira deve ser odiado pela nomenklatura.

Seu texto está correto, MV Mesquita. Eu estou sem tempo para questionar esses pontos de discordância com o M Pereira. Por isso preferi abordar a questão da inteligência, sem entrar no mérito. Você completou meu serviço. Seu texto ganhará postagem à parte no meu blogue. Agora não, que tenho mais o que fazer e não sou blogueiro em tempo integral como uns e outros por aí. Tanto que há meses meu blogue pessoal deixou de ter postagens diárias. Quero chegar ao mesmo ritmo seu e do amigo Leonardo Ivo. Não lembro de ter visto os dois escrevendo diariamente.

Marcos Vinicius Mesquita
6 de novembro de 2013 11:57

Eu estou de férias forçadas, se é que me entende. Então, entre um envio de currículo e outro eu acabo tendo alguma ideia para escrever. Não te desejo ter esse tempo rs

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A indigência intelectual de inúmeros blogues remunerados ou não remunerados

Resposta para Pizzaria do Poder publicada no Facebook:

Está cada vez mais difícil achar textos inteligentes e até mesmo autocríticos (no que diz respeito ao contexto de esquerda), vindo de blogues esquerdistas, como este aqui. A verdade é que a quase totalidade dos blogues do gênero se esvai em loas ao status quo lulo-dilmista ou na exaltação de picaretagens como a cultura de cabresto ou o gramscismo cultural.

Há os blogues patrocinados pelo Governo Federal ou remunerados por portais da imprensa privada. Mas os blogues mais risíveis nem são esses. Os blogues mais risíveis são os blogues não patrocinados a serviço da nomenklatura de esquerda no poder público ou da direita no poder na esfera privada. Seus autores não ganham nada escrevendo o que escrevem. Muitos até perdem tempo e dinheiro. Mal sabem (ou fingem não saber) que são considerados de uma casta inferior pela nomenklatura ou pela direita no poder privado. Antes a solidão política que andar com essa gente.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A demo-cracia de cabeçada

Num regime democrático, os eleitos para cargos executivos tem o direito e o dever de executar os programas de governo que apresentaram durante a campanha eleitoral. Governar é eleger prioridades. Cada governante e cada eleitor tem as suas. Mesmo assim, cada ponto dos programas de governo deve ser discutido com a sociedade, para saber se, como e quando cada item será implantado.

Nesse regime demo-crático brasileiro, os governantes eleitos se acham no direito de colocarem pingentes nos seus planos de governo sem debater com ninguém. Fazem tudo de cabeçada e ponto final. Esse ponto da derrubada da Perimetral é um exemplo. O que estava no plano de governo apresentado pelo prefeito Eduardo Paes nas duas campanhas eleitorais era revitalizar a região portuária da cidade. Só que esse item da derrubada da Perimetral e o modus operanti não teve discussão prévia alguma.

Isso está generalizado no país inteiro. Outros governantes pelo país afora também fazem as coisas de cabeçada. Outros prefeitos, governadores e também dona Dilma Rousseff. Fazem o que dá na telha, usam os mandatos como cartas brancas e não medem as consequências do que fazem. Ou talvez meçam. Pra sacanear, mesmo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Gramscismo cultural deve ser tão questionado quanto a cultura popularesca

Foi o que eu disse ontem, em troca de mensagens com dois blogueiros com ideias opostas: Alexandre Figueiredo e Rodrigo Constantino. O troca-troca de mensagens não durou muito, já que eu não tive resposta de nenhum deles. Mas ficam aí as mensagens.

Alexandre Figueiredo

#MúsicaPopularBrasileira - Depois vem Rodrigo Constantino falando em "esquerda caviar" e o pessoal não gosta - http://mingaudeaco.blogspot.com/2013/11/a-incompreensao-quanto-aos-truques-da.html

Marcelo Delfino

@mingaudeaco Não somos liberalistas econômicos como @Rconstantino, mas quanto à esquerda caviar não tem como discordarmos dele

Marcelo Delfino

@mingaudeaco @Rconstantino Gramscismo cultural deve ser tão questionado quanto a cultura popularesca. Há quem combata só um ou outro

Faço aqui uma autocrítica. Eu também me deixei levar um dia pelo gramscismo cultural. Mas, agora, não mais. Há algum tempo eu desmascaro essa farsa toda, já que conheço essa podridão e descobri toda carga de vilania e hipocrisia que há nesse meio cultural. Ultimamente não tenho livrado a cara nem de artistas de verdade que ainda podem ser considerados como tal.

Quanto à cultura popularesca, combato isso há décadas. Quem me conhece sabe.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Os inocentes úteis do gramscismo e do marxismo cultural

Meus amigos de esquerda (de quem discordo em várias questões), não se enganem. O cenário cultural está longe de ser o último reduto da direita brasileira (noves fora a base fisiológica do Governo Lula-Dilma). Os últimos redutos da direita brasileira são, tão somente, alguns segmentos da grande imprensa (aquela que a população não tem mais paciência para ouvir, mesmo que toquem apenas notícias e "só em FM") e alguns guetos filosóficos, alguns destes muito atuantes na Internet e agora em ascensão no mercado editorial. A rigor, a cultura brasileira está, desde o regime militar, entregue a um sutil processo de gramscismo e marxismo cultural. Tirando umas raras exceções como Lobão e Roger Moreira, até mesmo aqueles que são teoricamente de direita, (neo)liberais, conservadores ou reacionários posam de cumpanhêros "pogreçistas", lulo-dilmistas, psolistas, black bloc e outras bobagens. Mesmo as figuras da chamada música de cabresto gestada no regime militar e nas eras Sarney, Collor e FHC se enquadram muito bem no poder atual, junto com Lula e Dilma. Os entretenedores de cabresto estão doidos para jogar na sarjeta as poucas figuras respeitáveis do progressismo musical, algumas delas opostas entre si, como Chico Buarque e Alceu Valença, rivais no caso das biografias não autorizadas. A corja da música de cabresto não faz distinção entre eles. Chico e Alceu são, aqui, inocentes úteis. Ajudaram a botar a corja de esquerda no poder e agora podem ser juntamente descartados pelo "pogreçismo" popularesco que está no poder junto com os petistas igualmente popularescos.