Política, cultura e generalidades

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

11 de Setembro completa 40 anos


Foi exatamente há 40 anos atrás que houve aquela quartelada no Chile de tropas chilenas e americanas, na qual morreu o presidente Salvador Allende e ocupou sem lugar sem ter nenhum voto o seu então comandante do Exército, general Augusto Pinochet. Este deve ter sido, provavelmente, o mais dramático episódio da história da América Latina em que divergentes políticos resolvem suas pendências, raivas, mi mi mis e frustrações não na base do diálogo e do confronto e divulgação de ideias, como deve ser, mas na base da baioneta, do fuzil e da ignorância. Não se justifica a retirada à força armada de qualquer mandatário eleito de um regime politicamente aberto, por pior que seja sua gestão. Mando pastar quem me pedir para celebrar ou procurar qualquer virtude em quarteladas dessa natureza, tenham que nome tiverem: golpe, movimento, revolução, etc.

Eu poderia passar horas escrevendo aqui sobre a carnificina ocorrida naquele país durante a Era Pinochet. Outros farão isso hoje, melhor que eu. Aquele regime tinha uma característica peculiar perante outros regimes da região. Embora fosse tão sanguinolento quanto o regime da vizinha Argentina, ele foi não somente um regime fechado, mas também uma autocracia, porque centrada em uma única pessoa. O regime de Alfredo Stroessner no Paraguai também foi simultaneamente uma ditadura e uma autocracia, como também o regime dos Castro em Cuba, regime sucessor de outro regime autocrata, que foi o de Fulgencio Batista. Em outros países da região houve ditaduras, mas não autocracias. Foram colegiados de militares com apoio de civis aliados. Não dá para falar em regime medicista, geiselista ou figueiredista, por exemplo. Mas dá para falar em regimes pinochetista e castrista. "Fidel e Pinochet tiram sarro de você que não faz nada", já cantavam os Engenheiros do Hawaii.

O que lembro aqui é aquilo que nem os neoliberais da direita à esquerda falam. Aquele regime pinochetista inaugurado há exatamente 40 anos foi o primeiro governo neoliberal da história. O pioneirismo nessa política nefasta não foi de Margaret Thatcher nem de Ronald Reagan. Foi de Augusto Pinochet. Aliás, é próprio do neoliberalismo o desprezo à democracia, ainda que o discurso seja aparentemente favorável. É um regime baseado não no senso comum do que seja justo, correto e próspero, mas do que alguns ditos iluminados pensam, mesmo que sejam minoria. No mundo privado, basta que uma ideia tenha mercado de escala para que prospere, por mais esdrúxula que seja. Na política, as ideias neoliberais só prosperam com repressão armada ou repressão econômica. Do contrário, definham por falta de apoio da maioria da sociedade.

Por fim, foi Augusto Pinochet o primeiro a impor à data de 11 de setembro o significado trágico que a data carrega. 38 anos antes daqueles que promoveram aquele outro 11 de setembro.

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