Política, cultura e generalidades

sábado, 13 de julho de 2013

Esperando a ascensão do novo rock brasileiro

Hoje, no pseudo-Dia Mundial do Rock (Dia Mundial do Rock deveria ser, sim, o dia 20 de maio, data do lançamento em 1954 do compacto do primeiro grande sucesso do rock a atingir a parada de sucessos americana: Rock Around The Clock), surgiram mais matérias nos jornais e na Internet a respeito do atual cenário do rock nacional, cujo circuito comercial é até hoje sustentado por bandas veteranas dos anos 80 e 90, enquanto a cena alternativa continua com bandas novas tocando em dezenas de cidades pelo país afora. Até mesmo no Rio de Janeiro, tido pelos detratores como "o túmulo do rock", mas que voltou a contar hoje com uma cena alternativa forte. Há hoje uma matéria n'O Globo com uma agenda de apresentações de bandas alternativas da cidade, misturada a outros eventos, entre eles até uma apresentação do ex-legionário Marcelo Bonfá. No mesmo jornal, há outra interessante matéria focalizando a cena rock dos anos 1980, 1990, 2000 e a atual dos anos de 2010.

Pelo que estou vendo nessas matérias e pelo que vejo por aí, a maior diferença entre a atual cena do rock brasileiro da década de 2010 e a dos anos de 1980 é que, ao contrário dos veteranos oitentistas, dificilmente as novas boas bandas de hoje em dia conseguirão efetivamente trabalhar somente em suas carreiras, sem precisar de trabalhos paralelos dentro ou fora do mundo da música. Talvez só as bandas de rock adolescente consigam se manter apenas com suas carreiras. Mas, para as boas bandas atuais, surgiu uma possibilidade de ascensão. As bandas oitentistas estouraram porque foram frutos de uma época em que tudo conspirava a favor. A Censura agonizava, o país se democratizava, e as gravadoras e a grande mídia precisavam de novos artistas que fossem ao mesmo tempo contundentes, vendáveis e baratas de se investir. Ao contrário dos veteranos da MPB, que na época demandavam altos gastos mas vendiam poucos discos. Hoje as gravadoras tem baixo poder de investimento, mas há outros investidores. Há também dezenas de locais para tocar pelo país afora, para aqueles dispostos a seguir a verdadeira vocação de bandas de rock em "cair na estrada". Há também, como nos anos 80, uma eferverscência política e cultural. Diferente da oitentista, mas a atual cena tem o mérito de romper com a alienação audiovisual (sobretudo televisiva) e o descompromisso político das décadas de 1990 e 2000. A atual década talvez tenha a ascensão de uma diversidade maior de bandas sob o ponto de vista político e cultural. Diferente da geração oitentista, onde todo mundo posava de esquerdista, até mesmo os que não eram. Vide o Lobão criticando Sarney e Collor, e pedindo votos pro Lula até no Domingão do Faustão. Falando em mídia, outra diferença talvez seja que, caso a atual geração do rock nacional se levante um dia, não terá repercussão nem na TV aberta nem no rádio. O rock continuará a ter espaço rarefeito no FM, restrito a um programa aqui e outro ali. Mesmo a Kiss FM de São Paulo parece predestinada a ser mais uma MEC FM do rock que outra coisa, se concentrando apenas no rock clássico e em antigos sucessos do gênero. As atuais boas bandas, se estourarem, estourarão apenas em mídias mais pulverizadas (como a Internet) e no mundo real, sobretudo nas apresentações ao vivo e no boca a boca.

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