Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Jovens peregrinos da JMJ animaram cidade do Rio de Janeiro


Garanto que muita gente boa residente nesta cidade também sentirá falta de ver em tudo quanto é canto do Rio de Janeiro esses peregrinos que vieram de centenas de países com sua jovialidade e alegria autênticas. Obviamente os peregrinos residentes na cidade permanecerão por aqui, mas os peregrinos de outros municípios e outras cidades formaram um quadro que dificilmente alguma conferência mundial igualará ou superará.

Observei que esses peregrinos buscam, além da fé, uma cultura consciente. Os de outros estados e países procuraram trazer um pouco da cultura de suas localidades, fosse a música, a dança, as roupas e outros elementos. Vi que os peregrinos em geral (os cariocas e os de fora) quando não estavam nas catequeses e nos eventos centrais da Jornada se interessavam em ir em exposições, em museus, em apresentações musicais e em cinemas (não falo só os do circuitão comercial). Os de fora não perdiam a oportunidade de visitar os pontos turísticos da cidade. Havia peregrinos até de madrugada no Cristo Redentor.

Os que encontrei pessoalmente por aí eram muito animados. Acabaram se impondo à paisagem da cidade, dada a quantidade deles e ao fato de andarem em grupos. Um grupo deles encontrei num ponto de ônibus junto ao Metrô de São Cristóvão, no sentido Centro. Eles cantavam em um idioma que eu sinceramente não posso arriscar dizer qual era. Parecia espanhol. O grupo que aparece na foto estava no Metrô, na última quinta-feira, rumo a Copacabana. Ali tinha grupos de brasileiros e outro de venezuelanos. Os dois grupos entoaram músicas. Tinha até um trio de brasileiros junto à porta do vagão (lotado) simulando o efeito da inércia (citada nominalmente por um deles), fazendo movimentos para frente e para trás. E ainda tem gente que diz que católico não liga pra ciência... Na sexta-feira, um grupo de peregrinas de Viçosa (não sei de qual estado, porque há várias) protagonizou uma cena no ônibus Riocentro-Copacabana: na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, elas acenaram para um grupo de peregrinos da Noruega, que estava num ponto de ônibus, estes tendo perto deles um grupo de suíços e quatro peregrinos de Angola. Os noruegueses responderam. Mas acabou que só os suíços entraram no ônibus.

Segundo o Ministério do Turismo, que fez uma pesquisa junto aos peregrinos, a maioria pretende voltar um dia ao Brasil, não mais especificamente em peregrinação. mas pra visitar o país, mesmo. Que sejam bem vindos esses futuros turistas.

domingo, 28 de julho de 2013

"Obrigado Francisco". Foi o pastor Zé Bruno quem escreveu

Zé Bruno
Os canais e programas de TV ditos evangélicos chegaram ao fundo do poço. Ali se prega tudo. Menos o Evangelho. Os pastores que pregam nesses programas não representam os evangélicos de verdade. Muito menos representam pastores no sentido pleno, como Zé Bruno. Foi o que o pastor da Casa da Rocha e vocalista e letrista do Resgate deixou transparecer sábado passado, enquanto comparava um programa de TV dito evangélico com as transmissões da Jornada Mundial da Juventude:

27 jul 13

Hoje na TV: Enquanto num canal um pastor vendia um lenço do milagre, em outro, o Papa pregava sobre a cruz de Cristo. Obrigado Francisco...

27 jul 13

Tem alguém evangelizando na TV brasileira.

Não sei se Zé Bruno queria reconhecer como verdadeiramente cristã a pregação do Papa Francisco ou se queria apenas zoar a pregação falsa dos pastores que viu na TV. De qualquer forma, Zé Bruno fez um diagnóstico contundente sobre a baixeza da pregação evangélica oferecida hoje em dia na TV brasileira.

O próprio Zé Bruno já pregou bastante numa emissora de TV paulistana e também no rádio. Eu mesmo ouvi vários cultos dele através de uma FM carioca. Mas o pastor sempre preferiu pregar um Evangelho autêntico, mesmo ainda estando numa dessas igrejolas pós-pentecostais. Depois que ele criou uma denominação com forte influência batista (A Casa da Rocha), nunca mais uma emissora transmitiu seus cultos e pregações. Sua banda aparece eventualmente em alguma emissora, inclusive em programas de auditório. Exceto naquelas emissoras vinculadas a aquela igreja pós-pentecostal onde Zé Bruno chegou a ser bispo.

Zé Bruno ainda levará muito desaforo dos fariseus, por conta de algumas coisas que conta sobre o meio evangélico. Tomara que ele persevere nessa postura.

sábado, 27 de julho de 2013

Carta do pastor Mozart Noronha para o Papa Francisco

Fonte: Facebook.

CARTA AO SANTO PADRE,

PAPA FRANCISCO

Mozart Noronha



Estimado Santo Padre,

Peço a meu Deus que o proteja,

Como líder dessa Igreja,

Onde também São Francisco,

Apascentou seu aprisco

De inocentes animais.



Porém, Vossa Santidade

Que dessa igreja é o Pastor,

Escute o nosso clamor

E como bom mensageiro

Desse povo brasileiro

Entregue a Deus nossos ais.



Falo a Vossa Santidade,

Com a voz de um luterano,

Que trabalha ano a ano

Pela luta da igualdade.

Mas só vê a atrocidade

Machucando os nossos brios.



Aqui e em todo o Brasil,

Educação é negócio,

Professor é sacerdócio,

Trabalha quase de graça

Para que enfim se faça

Na vida um pouco de luz.



O Rio é maravilhoso

De belezas naturais;

O povo não fica atrás

Por que orgulha e envaidece

E por isso não merece

Os homens que nos governam.



São homens que só procuram

Encher o bolso de grana

E dando ao povo banana

Da forma mais descarada;

Deixando desamparada

A população sofrida.



A escola é deficitária,

Os hospitais decadentes

E as populações carentes

Sofrendo nos corredores;

Enquanto aqueles senhores

Se locupletam em riqueza.



Aqui reina a insegurança

Nas ruas por onde eu passo

E as drogas no seu compasso

Reinando dentro do morro

Onde o povo quer socorro

Pra poder viver em paz.



Meu Deus! Me Deus! Que miséria!

Que pobreza de atitude

Dessa política que ilude

E não resolve os problemas.

E o povo nesses dilemas

Sem encontrar solução.



Foge das balas perdidas

Da polícia ou dos bandidos

E quando ficam feridos

Morrem em filas de hospitais;

Será que são os sinais

Dos tempos, que falou Cristo?



Não há beleza que dure

Pra quem mora na favela

Que ao olhar pela janela

Logo a barriga se agita

Por que falta na marmita

A diária refeição.



Do outro lado do asfalto,

Na avenida iluminada

Muita gente enfastiada

De só comer caviar;

E depois vai bajular

Seu governante dileto.



Um governo indiferente,

Que paga os grandes eventos,

Mas deixa ao sabor dos ventos

Os habitantes de rua

Onde não há quem construa

Uma existência exitosa.



Não queremos pedir muito;

Só saúde e educação

Segurança ao cidadão

Por que é o nosso direito;

Por que, assim desse jeito

Que está, é desilusão.



Santo Padre, peça a bênção

Para o Rio de Janeiro,

Para o povo brasileiro

De qualquer religião

Conduzir esta nação

Para um futuro melhor.



E que Deus com sua graça

Oriente os nossos passos

Fortaleça os nossos laços

De fé, alegria e paz.

Com a esperança que traz

Fortaleza ao coração.



Obrigado, Santo Padre,

Por ouvir nosso clamor

Que é a voz do sofredor

Que não perdeu a esperança.

Quem espera sempre alcança

É assim que reza o refrão.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Mar de lama da política brasileira obriga organizadores da JMJ a transferir eventos para Copacabana

A raiz de todos os males está dois anos atrás, quando a organização da Jornada Mundial da Juventude propôs que a vigília de sábado e a missa de domingo fossem feitas no Aterro do Flamengo, o que foi vetado pela gestão do prefeito Eduardo Paes, depois das reclamações de moradores da zona sul a respeito de megaeventos evangélicos acontecidos no mesmo local. A Prefeitura ofereceu cinco outros lugares. Até uma base aérea da Aeronáutica foi oferecida. Mas o local oferecido pela gestão municipal e aceito pela equipe organizadora da Jornada foi um terreno em Guaratiba, onde cabem 2 milhões de pessoas, maior que o Aterro do Flamengo e 3 vezes maior que o Vaticano. O terreno fica praticamente no extremo oeste da cidade, bem longe do centro do Rio de Janeiro e das zonas sul e norte. O terreno, segundo dizem, pertence a proprietários de empresas integrantes de consórcios que operam as linhas de ônibus municipais da cidade.

O resultado dessa operação desastrada está em vários lugares da imprensa e da Internet. Inclusive no Ucho. A chuva que atinge a cidade desde segunda-feira transformou o terreno de Guaratiba num pantanoso lamaçal. Segundo relatos, até jacarés foram encontrados ontem por lá. O prefeito Eduardo Paes se viu obrigado a permitir que os organizadores transferissem o evento para qualquer outro lugar. Para os organizadores, liderados por Dom Orani Tempesta, não restou outra solução que não fosse transferir a vigília e a missa para o mesmo local da missa de abertura de terça, a acolhida ao Papa de ontem e a Via Sacra de hoje: a Praia de Copacabana.

A Prefeitura bancou obras no entorno do terreno em Guaratiba e, segundo dizem, a terraplanagem e a contratação de equipes de saúde de plantão. O Exército ficaria com a segurança do Papa e dos demais peregrinos. Todo o restante (palco, som, iluminação, banheiros, tendas, etc) saiu do caixa do instituto que banca a Jornada. A maior parte do orçamento do instituto (R$ 350 milhões, bancados basicamente com doações e patrocínios privados variados, como do Bradesco) está lá agora, no lamaçal. A esta lambança em Guaratiba, some-se o incidente com a escolta do Papa na avenida Presidente Vargas e a paralisação do Metrô na terça-feira, já descritas neste blogue. É uma lambança atrás da outra.

Eu sempre desconfiei dessa corja da política nacional bajulando o Papa e o episcopado, ao mesmo tempo em que despreza os fiéis católicos ("joguem aqueles carolas lá em Guaratiba") mas se interessando, obviamente, nos seus votos. Agora essa corja está provocando um prejuízo monumental para o instituto Jornada Mundial da Juventude, que se soma aos gastos da Prefeitura e ao prejuízo da imagem da cidade nos cenários nacional e internacional. Mas o dinheiro e a cidade não são deles... Estão pouco se lixando.

E ainda querem sediar Copa e Olim Piada nesta cidade. Se a JMJ está sendo um teste para a cidade, o estado e o país, as otoridades fracassaram.

"Sempre ouvi dizer que o carioca não gosta de frio e de chuva. A fé de vocês é mais forte que o frio e a chuva. Parabéns!" (Papa Francisco)

Pelo menos os cariocas (e, por tabela, os peregrinos) são guerreiros, como bem disse ontem Papa Francisco. Pelo menos o povo católico tem Dom Orani para os livrar do lamaçal literal de Guaratiba. Só falta a população (católica ou não) se livrar do lamaçal político.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

As presepadas tem seus dias contados

Resposta para Adriana Filgueira:

Acredito que o professor (ex-frei) Leonardo Boff discorda de alguns argumentos trazidos aqui pelos colegas debatedores. Olha que nem sou adepto do Boff. Mas reconheço a importância de seus pronunciamentos.

Há mudanças acontecendo no âmbito interno da Igreja, mesmo na Arquidiocese do Rio. Até o Dom Orani está indo num caminho contrário ao dos antecessores Dom Eugenio e Dom Eusébio, assim como Francisco age diferente de Paulo VI, de João Paulo II e de Bento XVI. Este ano não acabará sem que Dom Orani chegue ao cardinalato.

As presepadas tem seus dias contados. Algumas presepadas só continuarão em nichos específicos, como a RCC. O que ainda acontece de montão por aí são resquícios dos pontificados e governos arquidiocesanos anteriores.

Se os globais e os políticos brasileiros não mudam, é porque em geral são (neo)liberais em todos os sentidos. Suas crenças, ideias e ações diferem muito do que deveria ser o de um católico.

No mais, concordo no que tange à RCC. Aquilo é mais protestantismo pentecostal dentro da Igreja Católica que qualquer outra coisa. É vale tudo, mesmo. Até sertanejo universitário tem lá dentro.

E, realmente, os políticos brasileiros sabem torrar dinheiro. O seu, o meu, o nosso dinheiro.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

'Otoridades' fazem de tudo para comprometer Jornada Mundial da Juventude

Várias delas compareceram na última segunda-feira no Palácio Guanabara, com seus falsos sorrisos e seus discursos com slogans, clichês e jargões lulistas, tentando pegar carona no discurso do Papa Francisco, durante a recepção ao pontífice. Só que, minutos antes, o bispo de Roma ficou preso num dos costumeiros engarrafamentos da Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, incidente este provocado por interdições de ruas do centro da cidade e por erro de trajeto da comitiva da Polícia Federal que escoltava o Papa. Ainda naquela tarde de segunda-feira, representantes da Polícia Federal e o Secretário Municipal de Transportes trocaram acusações sobre o incidente.

Pra começar a JMJ com o toque inconfundível das otoridades brasileiras, o Metrô parou ontem à tarde por duas horas, com falta de energia. Bem na hora do deslocamento de peregrinos para a missa de abertura da Jornada, marcada para 19h na Praia de Copacabana. O Metrô carioca foi privatizado por Marcello Alencar nos anos 90 e desde então vem piorando com a falta de zelo dos desgovernadores do Estado e da agência estadual de transportes públicos (em minúsculas, mesmo) criada pra deixar tudo ao bel prazer dos concessionários. O Metrô alega que houve rompimento de um cabo de energia, obrigando a equipe de manutenção a parar o sistema todo (apenas duas linhas, em um ridículo esquema em Y) para fazer o concerto emergencialmente. O resultado é que milhares de peregrinos que desconhecem a cidade (muitos vindos de cidades distantes ou de outros países) se viram em trens e estações de metrô às escuras, foram colocados para fora e se viram obrigados a procurar aquelas caixas de remédio sobre rodas chamadas de ônibus municipais, alguns superlotados (nem aceitavam mais passageiros, de tão cheios). Muitos peregrinos estavam visivelmente desorientados, embora ainda estivessem animados e confiantes com a Jornada em si. Alguns peregrinos que desembarcaram na estação de metrô de Botafogo perguntavam a moradores do bairro como chegar a pé em Copacabana, onde passageiros que queriam sair do bairro andavam a pé da estação Siqueira Campos até a estação Cardeal Arcoverde, na esperança de que esta estivesse aberta. Em vão. No Rio de Janeiro de Cabral Filho, até quem não é católico é obrigado a peregrinar. Nem que seja de uma estação de metrô a outra.

Falando no homem, já passou da hora do governador renunciar ao cargo e catar algo que preste para fazer. Só não vale fazer o que fazia antes, nos tempos de deputado e senador: botar os velhinhos para dançar enquanto apoia alguma outra Deforma da Previdência.

As otoridades se comprometeram em 2011 a colocar uma infraestrutura na cidade que não comprometesse a estada de inúmeros peregrinos do Brasil e do exterior e nem a vida dos habitantes locais da cidade, fossem católicos ou não. Aconteceu o que se esperava: estão gastando montanhas de dinheiro com resultados pra lá de duvidosos. Torrar dinheiro esses caras sabem. Falta investir direito.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O PiG de Governista. No estado de São Paulo

Resposta para Blog do Mello publicada no Facebook:

Tem gente que não acredita no PIG. Tem gente que não acredita que eles trabalhem em conjunto, na base do um por todos, todos por um. Vou falar exatamente pra esse pessoal.

Vocês leram reportagem da IstoÉ desta semana em que a multinacional alemã Siemens confessa esquema de corrupção em São Paulo, que atravessa todos os governos tucanos, de Mauro Covas a Alckmin, passando por José Serra?

Já seria o caso de chamarmos o PiG de PiG com G de Governista, não é mesmo? Governista em relação ao governo paulista, que completará 20 anos no final de 2014.

De vez em quando, alguém sai da panela de apoio ao PSDB-SP. Como a IstoÉ, citada pelo Mello. Outros lhe ocupam o lugar, como a Carta Capital, que dedicou nesta semana só duas páginas ao assunto. E sem sequer uma chamadinha na capa.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Se pudesse, o Papa andaria só de ônibus, de metrô, de trem...

Parece que tem gente no Palácio do Planalto arrancando os cabelos devido aos esforços do Papa Francisco em diminuir o aparato de segurança que o governo brasileiro oferece para escolta-lo em sua visita ao país, a partir de hoje. O bispo de Roma recusou carros blindados e mandou tirar os vidros blindados dos papamóveis que foram despachados para o Brasil.

O curioso é que o governo brasileiro leva porrada de todos os lados, não importa o que faça ou deixe de fazer. Os caras merecem. São um bando de incompetentes, chefiados por uma presidenta incompetenta. Se os governantes fazem a segurança dos peregrinos da Jornada Mundial da Juventude (Papa incluído), aparece gente reclamando que estão gastando dinheiro público com um evento privado, blá blá blá. Os mesmos protestantes não cobram a retirada da Polícia Militar dos estádios privados que promovem eventos em que 22 homens brigam para colocar uma bolinha entre duas traves (grande definição de Marcelo Pereira para futebol). E reclamariam (com razão) se algum peregrino fosse vítima de algum incidente que gerasse mortos e feridos.

Os governantes brasileiros não deveriam estranhar a preferência do Papa Francisco pelo mínimo tolerável de simplicidade de qualquer coisa. Obviamente ele não dispensará totalmente a segurança dos guarda-costas vaticanos nem dos países que visitará. Se nem os supostamente simples líderes bolivarianos dispensam guarda-costas, não será o Papa que dispensará os seus. Se não fosse Papa, o cardeal Bergoglio ainda estaria fazendo o que fez a vida toda em Buenos Aires: pegaria o metrô para continuar encontrando as comunidades portenhas, a começar pelas mais carentes. Se fosse arcebispo do Rio de Janeiro, não conseguiria ir a todas as comunidades da cidade de metrô, ainda mais com esse metrô ridículo que temos aqui na terra de Malboro. Nem seria possível ir a todas as comunidades de trem. Teria que recorrer a esses ridículos ônibus sucateados pintados todos com o mesmo desenho de caixa de remédio. E teria que torcer para que algum engarrafamento não o prendesse por mais de duas horas no mesmo ônibus, impedindo-o de utilizar o Bilhete Único na segunda viagem.

Dentro do Vaticano até dá pra andar de ônibus. Logo depois do Conclave de 2013, o Papa pegou um, junto com alguns cardeais, ao invés de pegar um carro que estava disponível. Seria Francisco o Papa dos busólogos? E olha que conheço uns três busólogos!

domingo, 21 de julho de 2013

Dá vontade de mostrar esta revista na cara de todos os esquerdistas do Brasil


Especialmente ateus, laicistas, abortistas, militantes e militontos em geral. Já li a matéria de capa desta semana da Carta Capital (revista lida por 171% da esquerda brasileira). A matéria tem exatamente o conteúdo anunciado na capa. Quem quiser conferir, confira por si mesmo. O Papa acaba de ganhar um excelente salvo conduto para sua viagem ao Brasil, marcada para amanhã.

O que tenho visto por aí é que, dentro da Igreja, Francisco consegue atrair a ira de vários infiéis: da esquerda católica a tradicionalistas, principalmente os sedevacantistas. A essas críticas se somam as de não católicos, da ultradireita à extrema esquerda. Sinal de que o Papa está no caminho certo. Poderíamos até sonhar com uma intervenção ou dissolução da CNBB, mas aí é sonhar demais. Se bem que vários papas bem diferentes de Francisco passaram sem agir proativamente nesse sentido, e o pontificado de Francisco só teve até agora uns 100 dias.

Um papa conservador em matéria de fé e moral e progressista em matéria de ética e questões seculares (tudo o mais que não envolva fé ou moral) só poderia atrair a ira da fauna e da flora mundial.

Mas há esquerdistas elogiando o recém-entronizado Papa. Até Leonardo Boff entrou na onda. Deixemos alguns esquerdistas festejarem o Papa Francisco, como o Boff e a Carta Capital. Deixemo-os se enganarem achando que o Papa é de esquerda. Aos poucos a Igreja tirará aquilo que nunca pertenceu à esquerda (muito menos à direita), mas nunca foi próprio da esquerda: a preocupação com as pessoas que vivem mais modestamente e a valorização de uma vida mais simples. Porque rigor a esquerda nunca se preocupou com os pobres. Só se interessa por seus votos, muitas vezes conquistados com medidas paliativas, igualzinho ao que faz um populista qualquer, seja de direita ou esquerda. O discurso e o gestual da esquerda é tudo empáfia. No fundo, o sonho de quase todo líder esquerdista é ter a mesma mordomia da burguesia, só que paga pelo Estado.

Vários infiéis da Igreja também não se preocuparam com os pobres, ao longo da história. Mas isso daria um blogue inteiro, não apenas uma postagem.

sábado, 20 de julho de 2013

General Enxaqueca ignorava dilemas éticos


A Warner continua sua sanha de fazer filmes-pipoca parecerem filmes sérios. Conseguiram um resultado satisfatório em Batman Begins, um resultado pleno em The Dark Knight e fracassaram em The Dark Knight Rises. Depois dessa trilogia, o famoso estúdio americano lançou há mais de um mês o filme O Homem de Aço, que recomeça a história do Superman nos cinemas. Aliás, esse foi o primeiro filme que vi no cinema literalmente com um pacote de pipoca depois de dez anos. Porque o filme anterior que vi da mesma maneira foi Matrix Reloaded, coincidentemente outro filme da Warner.

Não pretendo me estender muito nos mesmos comentários que os críticos de cinema já fizeram a respeito desse O Homem de Aço. Apenas deixo algumas anotações. O filme é absurdamente barulhento (os efeitos sonoros são altos demais e o antagonista General Zod parece o Garoto Enxaqueca: passa o filme todo berrando ou falando de maneira ríspida), as cenas de destruição em Metrópolis são descaradamente um plágio da destruição dos filmes dos Transformers e o roteiro tem uma grande quantidade de furos. A explicação "científica" para os superpoderes do Superman continua tão esdrúxula quanto nas versões anteriores do personagem.

Em relação ao que já foi escrito pelos críticos, compartinho de apenas um ponto positivo: Krypton (planeta natal do Superman) ficou com a cara do Universo Star Wars. Eu sou fã declarado de Star Wars. Mais uma semelhança: O Homem de Aço também apresenta intrigas políticas em um planeta de outra galáxia.

Aqui neste texto, meu objetivo final é deixar algumas impressões de um personagem que os críticos de cinema pouco estão comentando. Exatamente o antagonista do filme: o General Zod, outro kryptoniano. Ele era o general responsável pela segurança de Krypton. Neste filme, ele descobre que os governantes do planeta (que, ao que tudo indica, tem um regime parlamentarista) autorizaram irresponsavelmente a exploração da energia do núcleo do planeta. A operação se tornou um desastre fatal. O núcleo se tornou instável, e a explosão do núcleo e de todo o resto do planeta se tornou uma questão de horas. Tal como vários generais da história aqui da Terra, Zod decidiu usar os erros dos governantes como pretexto para dar um golpe de Estado. Neste filme, o objetivo de Zod é depor o conselho que governa Krypton antes da explosão do planeta. Mas como o mundo deles se autodestruiria, Zod pretendia pegar a matriz genética de todos os habitantes kryptonianos e usar a engenharia genética para criar uma nova civilização da mesma raça, em outro planeta a ser ocupado por Zod e seus asseclas. Vale lembrar que, neste filme, os kryptonianos não se reproduziam naturalmente, pelo método sexuado. Os kryptonianos eram gerados pela engenharia genética e depois eram literalmente cultivados em úteros artificiais fora de qualquer corpo feminino. Kal-El (o futuro Superman) foi o primeiro kryptoniano concebido e gerado por seus pais pelos métodos naturais depois de centenas de anos. Zod e seus asseclas acabaram presos, depois que Zod mata Jor-El (cientista e pai de Kal), mas sem impedir que Kal fosse enviado ainda recém-nascido para a Terra, com a matriz genética dos habitantes de Krypton em suas células. Zod e seus asseclas são aprisionados na Zona Fantasma, e acabam escapando quando a onda da explosão de Krypton os alcança.

O general Zod tinha um sentido de absoluta falta de emoção (a não ser, no caso dele, o mau humor permanente) e raciocínio extremamente lógico e frio (já que os kryptonianos procuravam eliminar as emoções e exaltar a razão). Tudo isso aliado a uma total ausência de ética ou moral, inspirado na sua natureza militar de salvar seu povo passando por cima do que julgasse ser um inimigo ou obstáculo. O resultado é o protótipo perfeito de um político militarista: um antagonista que não enxerga nada além de seu objetivo idealista de salvar sua raça, mas sem se importar com mais nada, nem mesmo com outras vidas. Daí a decisão dele de utilizar as máquinas criogênicas das naves em que os prisioneiros estavam na Zona Fantasma para aproveitar a matriz genética dos kryptonianos do corpo de Kal-El (já que Zod pretendia mata-lo) pra gerar outra civilização kryptoniana no planeta Terra, mas antes tendo que usar as naves para terraformar o planeta, o que acabaria matando todos os terráqueos (provavelmente por hemorragia ou esmagamento, dada à nova biosfera e à força gravitacional diferente) e tornando o planeta habitável para kryptonianos geneticamente modificados. O holograma consciente de Jor-El chega a dizer a Zod que essa operação seria genocídio, mas Zod responde ironicamente, dizendo que estava tomando lições de moral com um fantasma.

Não pretendo contar aqui até que ponto Zod levou adiante seus planos de terraformação e de criação de uma nova civilização kryptiniana. Prefiro deixar para os leitores conferirem por si mesmos. Mas não deixem de prestar atenção nesse personagem, cujos dilemas foram baseados em dilemas que a humanidade terráquea deverá ter. O planeta Terra será inabitável daqui a milhares ou milhões de anos. Até lá, a humanidade terá que decidir como se transferir para outros planetas. A questão da terraformação (se é que isso será viável) se tornará um dilema ético se a ideia for praticada num planeta que já tiver vida orgânica, e mais ainda se tiver vida inteligente.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Papa Francisco já desagradou Emir Sader

Resposta para Blog do Emir:

O que o Papa vem fazer no Brasil? Uma coisa já fez. Fez muitos colunistas brasileiros escreverem as maiores bobagens possíveis, leigos que são em assuntos eclesiásticos. Esclarecerei alguns pontos. O que a Igreja mais tem perdido nas últimas décadas na América Latina são infiéis. Podem ter certeza que infiéis não fazem falta. Já dizia o velho ditado: a porta da rua é serventia da casa. A tão festejada Teologia da Libertação foi basicamente a opção preferencial da Igreja pelos pobres, que fizeram sua opção preferencial pelas igrejas pós-pentecostais. Sobre a atração ou não dos jovens pelo discurso do Papa, cabe a cada um decidir. Creio que nós (os mais velhos) não podemos mais falar em nome deles ou tentar adivinhar o que eles pensam. Temos que deixa-los falar. E ninguém pode decidir por eles. Eles mesmos devem decidir se ouvem ou não o discurso conservador do Papa, que nesse ponto cumpre com sua obrigação. Desconfio seriamente de qualquer católico que não seja conservador ao menos em questões de fé. Sobre o Papa Francisco, só dois grupos não o consideram conservador: a ultradireita e os sedevacantistas. O Papa não está nem aí pro que eles pensam. Ele continuará falando com propriedade sobre paz e pobreza (já que passou a maior parte da vida ajudando pessoalmente habitantes de favelas de Buenos Aires), ao contrário dos demagogos da política que virão ao Rio de Janeiro cumprimenta-lo, a começar pelas presidentas incompetentas (a daqui e a conterrânea do Papa). Quanto à direita, está desinteressada em projetar o Papa ou sua imagem. Está mais preocupada em manter seus cargos de ministros, governadores e prefeitos, e em apoiar governos ditos de esquerda, como fazem os tais "empresários bolivarianos" dos quais falava o finado presidente Hugo Chávez.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

"O papa Francisco não tem relação direta nenhuma com os pecados dos governantes brasileiros"

"O papa Francisco não tem relação direta nenhuma com os pecados dos governantes brasileiros, a não ser perdoá-los, se houver confissão. O papa não me parece a melhor pessoa para reclamar. Não tem culpa nos vinte centavos, na eventual corrupção dos políticos, no fato de os deputados trabalharem ou não".

Quem disse isso foi ninguém menos que o prefeito Eduardo Paes, a respeito da possibilidade de haver protestos simultaneamente à Jornada Mundial da Juventude, na semana que vem. Os protestos podem seguir a mesma linha dos protestos que acontecem em vários pontos do país desde o mês passado.

Até aqui, nada a acrescentar ao que o prefeito disse. Aliás, muita gente boa dirá que o próprio prefeito deve se incluir entre os governantes brasileiros lembrados por ele. Agora, convenhamos. No dia em que a população brasileira agir contra os pecadores da política brasileira, não haverá salvação para nenhum deles. Ao contrário de Deus, a população brasileira não é misericordiosa. O eleitorado é até conivente com alguns hereges que continuam aí se elegendo e se reelegendo ao longo dos anos. Mas quando resolver impor uma penitência, ela não será só ajoelhar no milho ou rezar Pai Nosso e Ave Maria. Muitos picaretas serão banidos da política.

Fonte da citação: Estadão. Há outra transcrição no G1.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Esquerda brasileira: do "A luta continua, cumpanhêro!" ao "Eike lindo!"

Resposta para Leonardo Ivo:

Organização de Combate à Corrupção

O maior erro do nosso regime militar foi não ter criado uma subversão ideológica ao comunismo, não ter informado devidamente a todo o Brasil o que ele significa e como é devastador, hoje brasileiros não tem embargo de conhecimento algum sequer pra identificar estas ações comunistas, estas milícias e o que elas querem, que estão espalhadas em todo o Brasil.
Em quase toda Europa e nos EUA desde o início sempre foram feitas tais subversões, houve países em que chegaram a fazer cerimônias queimando a bandeira do comunismo em público e transmitindo para o país todo, a mesma bandeira que a CUT usa, que o MST usa, aquela da foice e martelo. Este foi o nosso erro, os militares confiaram demais no poder do Exército, que poderiam manter aquilo apenas a força e não na conscientização, no ensino, nas escolas, em todos os lugares, o resultado está aí, malditos como o Tancredo Neves entre outros políticos conseguiram enganar a todos. Estamos vivendo um passado que já morreu, não é a OCC que está no passado, é o Brasil que está, a América Latina que está, por acaso lembram do nome do partido comunista comandado por Lenin, Stalin e Trotsky? O nome era Social Democratas. Exatamente como o nosso PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), pra informação de muitos, o FHC sempre foi comunista, privatizar não torna um partido capitalista, é apenas um jogo para se manter no poder. O Lenin fez isto, tornou algumas propriedades privadas para que acalmasse a população por algum tempo e não a fizesse desistir da "revolução" que matou milhões de russos. O PSDB é o lado "intelectual" do comunismo no Brasil e o PT é o lado terrorista, aquele preparado para aniquilar as classes que não os interessa.

Leonardo Ivo

Será que PSDB é mesmo esquerdaE o PT?

Marcelo Pereira

E o Capitalismo? Quem vai combater?

Meu amigo Marcelo Pereira, se quem tem obrigação ideológica de combater o Capitalismo e os Grandes Empresários incorporou a ambos na base de apoio do Governo que tem os genes da esquerda (se meter exame de DNA aparecerão os genes), não serão os não esquerdistas que combaterão.

O tradicional "A luta continua, cumpanhêro!" foi trocado pelo "Eike lindo!". Se as esquerdas (a falsa e a verdadeira) caírem, não farei nada para impedir ou protestar. Ficarei quieto, assistindo de camarote.

Eu sempre disse que o regime militar foi ineficiente até sob o ponto de vista da visão tecnocrata dos neoliberais, pois não aniquilou a esquerda. Aniquilou milhares com a morte, mas pensou reprimir os demais apenas pela força e pela censura, sem fazer o contraponto ideológico. O resultado está aí. Ao fazerem apenas um contraponto bélico, alimentaram a corja que cresceu politicamente e está aí até hoje: José Serra, FHC e aqueles que fundaram o PT.

A verdadeira reforma política não virá desses partidos que estão aí. Virão de partidos de ideologias não assumidamente representadas, podendo até mesmo partir de dissidentes dos grupos partidários atualmente fora do poder.

No entanto, sou contra que se queime bandeiras, seja do que for.

domingo, 14 de julho de 2013

Uma grata deferência vinda diretamente do Planeta Laranja

Resposta para Planeta Laranja publicada no Facebook:

Quero agradecer ao grande amigo Marcelo Pereira pela deferência. Recomendo a leitura dos blogues dele. Aos demais amigos, peço que leiam, mesmo que discordem frontalmente de algumas ideias colocadas ali. Eu mesmo já debati muitos conceitos com o Marcelo nos bastidores. Esses debates pontuados às vezes até de mal entendidos (mesmo de minha parte) nunca foram motivo para nos afastarmos. Como somos pessoas inteligentes e sobretudo honestas, sempre voltamos a nos entender, continuamos e continuaremos juntos na amizade, nos debates e nas leituras de textos uns dos outros.

O mesmo se aplica em relação ao outro irmão Pereira: Alexandre Figueiredo, que eu conheço desde o ano 2000 e com quem tenho mais contato.

P.S: O texto do Planeta Laranja se relaciona com este aqui, publicado ontem.

sábado, 13 de julho de 2013

Esperando a ascensão do novo rock brasileiro

Hoje, no pseudo-Dia Mundial do Rock (Dia Mundial do Rock deveria ser, sim, o dia 20 de maio, data do lançamento em 1954 do compacto do primeiro grande sucesso do rock a atingir a parada de sucessos americana: Rock Around The Clock), surgiram mais matérias nos jornais e na Internet a respeito do atual cenário do rock nacional, cujo circuito comercial é até hoje sustentado por bandas veteranas dos anos 80 e 90, enquanto a cena alternativa continua com bandas novas tocando em dezenas de cidades pelo país afora. Até mesmo no Rio de Janeiro, tido pelos detratores como "o túmulo do rock", mas que voltou a contar hoje com uma cena alternativa forte. Há hoje uma matéria n'O Globo com uma agenda de apresentações de bandas alternativas da cidade, misturada a outros eventos, entre eles até uma apresentação do ex-legionário Marcelo Bonfá. No mesmo jornal, há outra interessante matéria focalizando a cena rock dos anos 1980, 1990, 2000 e a atual dos anos de 2010.

Pelo que estou vendo nessas matérias e pelo que vejo por aí, a maior diferença entre a atual cena do rock brasileiro da década de 2010 e a dos anos de 1980 é que, ao contrário dos veteranos oitentistas, dificilmente as novas boas bandas de hoje em dia conseguirão efetivamente trabalhar somente em suas carreiras, sem precisar de trabalhos paralelos dentro ou fora do mundo da música. Talvez só as bandas de rock adolescente consigam se manter apenas com suas carreiras. Mas, para as boas bandas atuais, surgiu uma possibilidade de ascensão. As bandas oitentistas estouraram porque foram frutos de uma época em que tudo conspirava a favor. A Censura agonizava, o país se democratizava, e as gravadoras e a grande mídia precisavam de novos artistas que fossem ao mesmo tempo contundentes, vendáveis e baratas de se investir. Ao contrário dos veteranos da MPB, que na época demandavam altos gastos mas vendiam poucos discos. Hoje as gravadoras tem baixo poder de investimento, mas há outros investidores. Há também dezenas de locais para tocar pelo país afora, para aqueles dispostos a seguir a verdadeira vocação de bandas de rock em "cair na estrada". Há também, como nos anos 80, uma eferverscência política e cultural. Diferente da oitentista, mas a atual cena tem o mérito de romper com a alienação audiovisual (sobretudo televisiva) e o descompromisso político das décadas de 1990 e 2000. A atual década talvez tenha a ascensão de uma diversidade maior de bandas sob o ponto de vista político e cultural. Diferente da geração oitentista, onde todo mundo posava de esquerdista, até mesmo os que não eram. Vide o Lobão criticando Sarney e Collor, e pedindo votos pro Lula até no Domingão do Faustão. Falando em mídia, outra diferença talvez seja que, caso a atual geração do rock nacional se levante um dia, não terá repercussão nem na TV aberta nem no rádio. O rock continuará a ter espaço rarefeito no FM, restrito a um programa aqui e outro ali. Mesmo a Kiss FM de São Paulo parece predestinada a ser mais uma MEC FM do rock que outra coisa, se concentrando apenas no rock clássico e em antigos sucessos do gênero. As atuais boas bandas, se estourarem, estourarão apenas em mídias mais pulverizadas (como a Internet) e no mundo real, sobretudo nas apresentações ao vivo e no boca a boca.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Um Maracanã para torcer de fraque e cartola


A notícia virou chacota até no rádio carioca. O fato é que o consórcio que levou a concessão de operação do Maracanã para os próximos 35 anos pretende proibir que os torcedores entrem no estádio com mastros (até aqui, vá lá), bandeiras grandes e instrumentos musicais, e proibi-los de torcer de pé (tem que ficar sentados durante toda a partida) ou sem camisa.

Bem feito pra você, cidadão-contribuinte-otário que elegeu esse desgovernador que está aí, gosta de futebol e agora só poderá ir ao Maracanã (estádio praticamente demolido e reconstruído por mais de R$ 1 bilhão, conta que você otário pagou) se for para torcer como um lorde inglês do século XIX.

Vai ver, foi por isso que até agora o consórcio Maracanã fechou acordo de uso do estádio apenas com o Fluminense. Não será difícil convencer os tricolores a frequentarem o estádio de fraque e cartola. Para alegria deles, molambos ficarão definitivamente do lado de fora.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Um breve histórico das fábricas de vinis das grandes gravadoras nos anos 70, 80 e 90

Fonte: Facebook.

Até a década de 70 quase todas as gravadoras tinham suas próprias fábricas de vinis. A da CBS (futura Sony) foi fundada em 1982 em Acari (Rio de Janeiro-RJ), a da RCA (futura BMG) era em São Paulo, a da EMI era a antiga fábrica da Odeon (gravadora que ela comprou) em São Bernardo do Campo (fábrica que fazia os vinis com mais densidade e peso entre os vinis das grandes fábricas), e a da PolyGram ficava na Estrada do Itapicuru, no Alto da Boa Vista. A Som Livre fez seus vinis na RCA até 1985, passou a fazer na CBS entre 1985 e 1987, fez vinis com o selo Globo Discos em 1987 na BMG e passou a fazer seus vinis com o selo Som Livre na BMG a partir de 1988.

Só que na primeira metade dos anos 80 a PolyGram e a EMI venderam suas fábricas. A Warner fez seus vinis de 1977 (quando passou a operar no Brasil) na EMI até que esta vendesse sua fábrica, e a partir daí a Warner fez seus vinis na RCA. Depois de vender sua própria fábrica, a PolyGram passou a encomendar seus vinis na Fonobrás, localizada na Estrada do Gabinal, em Jacarepaguá, ao lado da garagem da Viação Redentor. A EMI foi encomendar seus vinis no mesmo lugar. Só que essa Fonobrás deixou de fazer os vinis da PolyGram e da EMI no início dos anos 90. E lá foram as duas fábricas encomendar seus vinis na Sonopress (novo nome da fábrica da BMG). As fábricas de vinis da BMG e da Sony fecharam quando todas as grandes gravadoras deixaram de encomendar vinis.

Hoje, só a Sony tem fábrica própria de CDs. Na verdade, tem duas: a própria Sony (no Rio e em Manaus) e a Sonopress (em São Paulo e Manaus) que é herança da BMG. As demais gravadoras e os independentes encomendam seus discos na Sony, na Sonopress ou em alguma das outras fábricas localizadas em diversos estados, a maioria em São Paulo e Manaus.

Leonardo Ivo

E a antiga da RCA/BMG na Avenida Engenheiro Billings 2227 em Sampa, hj e a sede do TRT de São Paulo.

Antes aquele endereço na Av. Eng. Billings tivesse permanecido como fábrica de vinis ou CDs. Não teríamos aquele escândalo do juiz lalau nem daquele senador de Brasília.

terça-feira, 9 de julho de 2013

A caixa de CDs da EMI com um CD da Universal


Resposta para Planeta Laranja publicada no Facebook:

Não sei se isso interessa ao amigo Marcelo Pereira, mas um dado interessante é que a Universal brasileira permitiu que a EMI brasileira utilizasse um CD de seu catálogo. Ano passado a EMI fez uma caixa de CDs alusiva ao filme Rock Brasília, adaptando a arte gráfica do pôster do filme. Dentro, haviam os primeiros CDs de três bandas de Brasília: Legião Urbana (1984), O Concreto Já Rachou (1985), da Plebe Rude, e Capital Inicial (1986). Os discos da Legião e da Plebe são da EMI, enquanto que o do Capital é da Universal, e até hoje não foi lançado em CD de forma avulsa.

Pode ser que a EMI brasileira acabe incorporada integralmente pela Universal. Se a marca EMI irá junto, isso é outra história.

Obrigado, Marcelo Delfino. Eu sei disso. A Universal autorizou a pedido da EMI por causa do valor histórico do álbum. Gosto da permuta entre gravadoras, isso favorece os fãs de qualquer artista que grave por mais de um selo. Aliás, parabéns! Vc está por dentro das biografias de gravadoras. O texto sobre Alceu Valença tem uma rica informação sobre a Ariola. Muita gente vai usar seu texto como fonte de pesquisa!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Haverá mais protestos contra a Rede Globo nesta semana



Nos últimos dias, houve protestos contra a Rede Globo na frente da sede administrativa da mesma, no Jardim Botânico. Os alvos eram desde a linha editorial do jornalismo da emissora, passando pela influência política e ideológica, a presença maciça do grupo em tudo quanto é plataforma (fora a TV aberta), até a grade de programação. Hoje é possível ver nas redes sociais que algumas pessoas estão marcando para esta próxima semana manifestações com os mesmos objetivos, para a porta das afiliadas da Rede Globo pelo país afora.

Eu até gostaria de ter ido na manifestação passada na frente da Globo Rio. Nem que fosse só para conferir e tirar fotos para o blogue. Não fui porque o horário era problemático. O protesto estava marcado para as 18h, hora em que estou trabalhando, num bairro distante da emissora. Não posso me desvencilhar do trabalho como esses manifestantes fazem. Outro motivo é que, se fosse pra eu participar de uma manifestação dessas, teriam que aturar meus ingredientes para a pauta da manifestação. Teriam que me aturar, por exemplo, levando um cartaz escrito com algo bem chamativo como "Fora programa BBB! Fora deputados BBB!" A militância ideológica normalmente presente nessas manifestações de rua daria pití, chilique, criaria caso, me colocaria pra fora agressivamente. Se for para participar assim, debaixo de porrada, é melhor eu não ir. E fazer o registro das manifestações por aqui mesmo.

sábado, 6 de julho de 2013

A polêmica sobre eventos em terreno de Jacob Barata e investimentos públicos em saúde na JMJ

Respostas para Servidores da Prefeitura do Rio de Janeiro:

O local que autoridades da Prefeitura impuseram para a vigília e a missa de envio da JMJ inclui um terreno do Jacob Barata. Melhorias tem sido feitas no terreno e em volta, inclusive com caminhões que prestam serviço para a Prefeitura. Pode isso, produção? Obras públicas em terreno privado?

Por outro lado, se a Prefeitura deixasse as etapas da JMJ serem feitas no Aterro do Flamengo (como no Encontro Mundial do Papa com as Famílias em 1997), viria toda a corja anticlerical e a concorrência corporativa (ligada a igrejas rivais) dizendo que o evento da Igreja entupiu as ruas da Zona Sul de ônibus e de gente católica, etc.

Se houvesse um incidente na JMJ com vários feridos, provavelmente encontrariam dificuldades nas emergências públicas. Aí o mesmo pessoal que reclama que há gastos públicos com saúde na JMJ reclamaria que houve falta de investimento nas emergências públicas que também devem atender os participantes da JMJ.

A JMJ em si foi toda feita para ser bancada pelas inscrições dos peregrinos, que eram bem salgadas. As mais baratas custavam uns R$ 170. Dependendo do país de origem do peregrino e da quantidade de dias de peregrinação, a quantidade poderia subir para uns R$ 700.

As autoridades eclesiásticas não se pronunciaram contra a bandalheira governamental por que, se o fizessem, já viria a corja governista dizendo que a Igreja está se intrometendo em assuntos de Estado, blá blá blá.

Muitas autoridades eclesiásticas até são a favor do Governo. Não o municipal, mas o federal. Muita gente da história da CNBB (bispos e colaboradores) ajudou a fundar o PT. O PT tem pai e tem mãe. A mãe é a CNBB e o pai é o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Um debate sobre música, política e subversão



Provoquei o debate ontem, enviando um tuíte para Lobão, Roger Moreira e Leo Jaime. Era uma mensagem com cunho político, mas também com alguma ironia.

Nos anos 70, ser "subversivo" era ouvir Chico Buarque. Hoje ser subversivo é ouvir vocês. O mundo dá voltas!

Este simples tuíte provocou uma série de retuítes e um debate que durou algumas horas até o último tuíte, de Leo Jaime. Roger gostou do tuíte. Danilo Gentilli fez a sua piada de praxe. Um internauta chamado Antonio Augusto disse para nós não viajarmos. "Menos menos". Lobão protestou, se recusando a ser comparado a Chico Buarque. Ele espinafrou as músicas de Chico várias vezes no seu livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca. Pra ele, subversão era só ouvir Mutantes, Led Zeppelin, Stones, T Rex...

Um abestalhado apareceu pra dizer que subversão era ouvir Odair José, "um dos mais perseguidos pela Censura". Grande merda. Respondi:

Odair José e outros não contestavam regime. Atraíram a ira apenas dos moralistas da Censura

Lobão continuou elegendo Chico Buarque como seu alvo.

Mas isso não impede de que o Chico e cia fossem uns otários e item de aula de Moral e Cívica

Eu não conheço ninguém que gostasse do Chico não fosse meio bocó

Já bem puto com quem mistura o Chico compositor (que sempre foi e continua sendo dos melhores) com o Chico político (um dos que mais colaboraram com a implantação desse regime petista que está aí hoje) e acaba rejeitando ambos, respondi a respeito daqueles politizados hoje muito bem encastelados no poder:

Não digo que eles eram otários. Eram, sim, espertos. Mais do mau que do bom sentido

Já que não dá para falar da música de Chico Buarque com Lobão...

Leo Jaime apareceu, fazendo a defesa do Chico compositor e ofendido com a frase de Lobão.

Chico é o melhor compositor brasileiro vivo. Sou bocó?

Mas parece que ele não descobriu que foi Lobão que disse que não conhece ninguém que gostasse do Chico e não fosse meio bocó. Quando descobrir o autor, pode rolar uma boa discussão entre os dois participantes daquela famosa gravação de Nós Vamos Invadir Sua Praia, do Ultraje a Rigor.

Quem quiser descobrir se esse debate terá desdobramentos, confira meu tuíte original.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Lembranças de Alceu Valença, agora com Alexandre Figueiredo

O amigo Alexandre Figueiredo colaborou com este blogue, deixando comentários em postagem anterior e no Facebook. Os textos merecem postagem à parte.

No começo da carreira, Alceu Valença havia ido, com um amigo, para a casa do músico Jackson do Pandeiro, figura prestigiada da música pernambucana, mostrar sua música. Jackson os recebeu com muita desconfiança, por causa da aparência hippie dos dois jovens. No entanto, quando Alceu começou a tocar violão e cantar, Jackson ficou encantado com o profundo conhecimento da cultura local expresso por Alceu. Acabou sendo um apoio e tanto.

Outra curiosidade é que a influência roqueira da música de Alceu Valença favoreceu que sua música fosse tocada na Rádio Fluminense FM em sua fase áurea. Quem leu A Onda Maldita, sabe: a Maldita tocou muita MPB, seja Alceu, Belchior, Zé Ramalho, Caetano, Gil, Milton, Clube da Esquina, Lira Paulistana. Isso na fase áurea que infelizmente alguns detratores definem como "fase jaquetão" (alusão a roqueiros radicais que só vestiam jaquetas ou coletes de couro).

Agora, os comentários no Facebook.

Brilhante e muito informativo o texto que meu amigo Marcelo Delfino escreveu sobre o relançamento dos discos de Alceu Valença, importante nome da música brasileira, durante sua fase pelo selo Ariola. Várias músicas dessa fase são tocadas até hoje pelas rádios. Detalhe: a Rádio Fluminense FM, em sua fase áurea, também tocou Alceu Valença, mostrando que a emissora do rock de Niterói havia tocado também muita MPB alternativa no seu cardápio musical.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Petistas querem usar ala esquerdista da Igreja para tirar casquinha da JMJ



No fundo, a ala esquerdista da Igreja é a mãe do PT. O pai é o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Tem um carinha ali da Pastoral da Juventude que fala do "mundinho católico". Um cara desses não tem mesmo o que fazer num evento da Igreja.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Um elefante branco chamado Maracanã


Até agora, três dos grandes clubes de futebol do Rio de Janeiro (Botafogo, Flamengo e Fluminense) se recusam a pagar o preço escorchante pelo aluguel do Maracanã privatizado. Resultado: as próximas partidas desses três times serão feitas bem longe do Rio de Janeiro. O Botafogo (que arrendou o Engenhão, agora em obras de reparo até pelo menos novembro de 2014) enfrentará o Figueirense na próxima quarta-feira no estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, em partida válida pela Copa do Brasil. No domingo que vem o mesmo Botafogo voltará a disputar o Brasileirão, recebendo o Fluminense na mesma Arena Pernambuco construída para a recém-encerrada Copa das Confederações. Já o Flamengo enfrentará o Coritiba no próximo sábado no Mané Garrincha, também pelo Brasileirão.

Após a próxima rodada (em que jogará como visitante, enfrentando o Internacional), apenas o Vasco deverá continuar jogando como mandante no Rio de Janeiro, pois é proprietário do estádio São Januário. E mesmo assim, por questões diversas, o Vasco só está tendo permissão das autoridades de segurança para receber partidas se a torcida visitante ficar restrita a 10% da capacidade do estádio. Enquanto isso, tome partidas dos outros quatro times cariocas em Volta Redonda, em Macaé, em Juiz de Fora, em Brasília, no Nordeste, no Sul... Todos fugindo do Maracanã, que está se tornando o maior elefante branco do país. Eis um legado da Copa das Confederações de 2013. E fomos nós contribuintes brasileiros que pagamos a fatura.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Piloto da FAB é punido por levar na poltrona urso de 2 metros de altura que Dilma ganhou de presente


Resposta para Alerta Total (a fonte da notícia):

Urso de 2 metros de altura? Com certeza não era um dos Ewoks das produções da Lucasfilm. Ewoks tem em média 1 metro de altura. Chegam no máximo a 1 metro e meio.

Ah, a Lucasfilm foi comprada pela Disney. Bom lugar para Lula, Dilma e seus Red Caps viverem seu conto de fadas quando saírem do Governo.



P.S: Um fato como esse não merece um comentário sério. Só merece a galhofa.