Política, cultura e generalidades

domingo, 30 de junho de 2013

Distância entre sedes da Copa 2014 assusta cartolas da FIFA

Há cerca de um ano a FIFA estabeleceu o calendário da Copa 2014, com doze sedes, boa parte delas incluídas pelo Governo Federal e pela CBF apenas para agradar a governadores aliados. Só que os cartolas da FIFA nunca devem ter visto um mapa-múndi. Descobriram agora que o Brasil não é a Suíça. Além de não ser tão pequeno quanto a Suíça, o Brasil tem uma classe política e uma infraestrutura aeroportuária das mais podres do mundo. As seleções que ultrapassarem as quartas de final da Copa poderão ter que viajar mais de 8 mil quilômetros entre a primeira e a última partida. Até a qualidade do futebol apresentado nessa Copa caríssima poderá ser prejudicada. Relação custo-benefício desvantajosa até para os mais fanáticos por futebol.

Os cartolas da FIFA fizeram aliança com os cartolas da CBF e com os políticos brasileiros dos governos das três esferas. Eles que saiam da encrenca em que se meteram.

Mais detalhes no Estadão.

sábado, 29 de junho de 2013

Marcha para Jesus sem manifestação política? Faça de conta que acredito


Hoje às 10h começará a maior procissão evangélica do protestantismo no Brasil: a Marcha para Jesus de São Paulo. Os organizadores dizem que o evento é de "todas as igrejas", mas normalmente só destacam as igrejas neopentecostais. A começar pela organizadora da Marcha paulistana: a Renascer em Cristo. Num cenário de passeatas, manifestações públicas e dezenas de polêmicas simultâneas (várias delas envolvendo lideranças evangélicas), é praticamente impossível que esse evento chegue ao fim sem alguma manifestação de cunho político. Por mais que o apóstolo Estevam Hernandes tenha dito ontem que a Marcha será única e exclusivamente um clamor ao Senhor (faça de conta que acredito).

Se derem o microfone principal da Marcha para figuras políticas de dentro ou de fora do meio pentecostal, o que o apóstolo disse ontem será letra morta. Principalmente se aparecer o mais midiático deles: o deputado Marco Feliciano. Mesmo não políticos (pessoas sem mandato ou sem pretensão de terem mandato) poderão fazer manifestações políticas no evento.

Só uma informação a mais: Marina Silva confirmou presença no evento, onde diz que recolherá assinaturas para o registro de seu novo partido no TSE: a Rede Sustentabilidade.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

WWF? A organização da JMJ 2013 não sabe com quem está se metendo. Ou sabe?


Ontem encontrei uma singela mensagem no página oficial da Jornada Mundial da Juventude no Facebook:

A Jornada Mundial da Juventude Rio 2013 selou uma parceria com a ONG internacional WWF para fomentar a educação ecológica dos jovens e discutir a #sustentabilidade do evento.

Há ainda uma nota na página oficial da WWF.

Pra começar, a WWF é uma ONG internacional que vilipendia a soberania de várias nações, tentando interferir em decisões de governos e populações locais a respeito da sustentabilidade ambiental, como se os habitantes locais fossem ignorantes totais no assunto. E ainda tem várias críticas registradas na Wikipedia:

A WWF tem sido acusada por vários grupos ambientalistas e outras organizações como Corporate Watch e PR Watch de estar sendo muito ligada à atividades comerciais para fazer campanhas objetivas. WWF diz que trabalha com empresas para ajudá-los a reduzir seus impactos no meio ambiente. Exemplos de companhias parceiras da WWF incluem Coca-Cola, Lafarge e IKEA. WWF também possui um Clube Corporativo que provide oportunidades promocionais para empresas usarem o seu nome e logotipo como ferramenta promocional.

A emissora pública alemã ARD exibiu um documentário em 22 de junho de 2011, mostrando como o WWF coopera com corporações como a Monsanto, fornecendo certificação de sustentabilidade em troca de doações (uma forma de lavágem de dinheiro). Através do incentivo ao eco-turismo de alto impacto, a WWF contribui para a destruição de hábitats e das espécies que diz proteger. WWF certificou uma plantação de óleo de palma operado pela empresa Wilmar, de Singapura, na ilha indonésia de Bornéu, mesmo que o estabelecimento da plantação levou à destruição de mais de 14.000 hectares de floresta tropical. Apenas 80 hectares foram finalmente conservados. Dois orangotangos vivem na área conservada, mas tem chances muito pequenas de sobrevivência, porque não permanecem árvores frutíferas e o hábitat é pequeno demais para sustentá-los. Para sobreviver, eles roubam os frutos da palmeira da fazenda vizinha, correndo assim o risco de serem baleados por trabalhadores das plantações.

Se entrarmos no campo da teologia (já que estamos nos referindo ao um evento católico), a coisa complica de vez para a Jornada. Vários ambientalistas tratam a Terra como deusa. Mais precisamente, a deusa Gaia. Se buscam uma inspiração para preservar o meio ambiente, busquem inspiração no padroeiro do meio ambiente: São Francisco de Assis, tido até em meios seculares como o ser humano mais influente do segundo milênio. São Francisco considerava a Terra e o meio ambiente como um todo como parte da criação de Deus. Não como deusa, mas mesmo assim algo para ser preservado. Além disso tudo, São Francisco inspirou o nome do Papa que está vindo aí.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Politiqueiros se enganam se pensam não haver conservadores no subúrbio

Resposta para Coturno Noturno:

Esses caras não saem dos circuitos intelectuais e acadêmicos ou dos DCEs da vida, e por isso não sabem o que acontece nas ruas, nas áreas centrais (onde tem acontecido as maiores manifestações) e nas áreas periféricas da cidade. Muito menos sabem o que acontece no interior do país. São iludidos que acham que há conservadores apenas nas áreas mais centrais e as de renda mais alta. O conservadorismo cresce nas periferias dessas cidades, onde eles imaginam encontrar apenas idiotas úteis à causa deles. Há conservadores de várias tendências. Há desde os mais politizados até mesmo os classificados pelo anônimo de (domingo) (7:39) como meramente religiosos, que imagino que sejam desde os materialistas ligados à Teologia da Prosperidade aos católicos carismáticos, estes mais numerosos ainda no interior do país.

terça-feira, 25 de junho de 2013

O problema maior é o materialismo

Resposta para Coturno Noturno:

O problema maior não é as pessoas quererem ter algum equipamento para a casa, como máquina de lavar roupa. O problema maior é o materialismo: o querer tudo aqui e agora não importando os meios, e ter ao invés de ser. Que, aliás, é a gênese da Teologia da Prosperidade, que estará em voga na grande passeata do próximo sábado: a Marcha para Jesus (mas isso os políticos no poder não falam, porque eles perderiam milhares de votos...). O que vemos neste país é a junção do materialismo individualista de linha anglo-saxã com o materialismo socialista a bordo da socialização das dívidas. O "Mi Casa Bien Equipada" brasileiro será financiado pela Caixa, portanto com dinheiro público.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Lembranças de Alceu Valença estourando na fase Ariola

Se no passado da música brasileira houve uma gravadora que fez o mesmo papel feito hoje em dia pela Biscoito Fino de lançar somente discos de MPB com faro mais artístico que comercial, essa foi a Ariola. A Ariola brasileira era uma subsidiária do grupo alemão Bertelsmann. Foi fundada pelo produtor brasileiro Marco Mazzola, contratado pelo grupo Bertelsmann para a tarefa. Os primeiros discos da Ariola foram para as lojas em 1980. O elenco da gravadora era composto por revelações e também por nomes consagrados tirados das maiores gravadoras. Apesar do elenco de estrelas consagradas e dos ascendentes, a Ariola afundou em dívidas. A PolyGram ficou sabendo e propôs comprar toda a Ariola brasileira, incluindo as dívidas, os fonogramas e os contratos em vigor com o elenco. O grupo Bertelsmann aceitou vender a Ariola para a PolyGram em 1981, exigindo apenas que a marca Ariola (que lhe pertencia desde a década de 1970) fosse utilizada somente até 1983. Daí porque os discos da Ariola (que passaram a ser prensados e distribuídos pela própria PolyGram, que manteve Mazzola à frente da empreitada) passaram a sair em 1984 com o selo Barclay (não mais Ariola), até que em 1987 a PolyGram dissolveu a Barclay, antes incorporando em seu elenco os contratados da Barclay, como Elba Ramalho. O grupo Bertelsmann, que já usava a marca Ariola fora do Brasil, comprou a gravadora americana RCA em 1986 e transformou a RCA brasileira em BMG-Ariola no mesmo ano, mais tarde renomeada para apenas BMG (sigla que significa Bertelsmann Music Group), situação mantida até 2004, com a fusão da BMG com a Sony Music, dando origem à Sony-BMG, esta transformada na atual Sony Music em 2008.

Depois deste histórico da Ariola e da RCA/BMG, chegamos ao nosso assunto: a fase Ariola de Alceu Valença. Ele iniciou sua carreira no Rio de Janeiro em 1971, fazendo dupla com seu incentivador e amigo Geraldo Azevedo. Os dois participaram de festivais de MPB e chegaram a gravar em 1972 um LP juntos, Quadrafônico, que é o primeiro da carreira de Alceu. Ainda nos anos 70 Alceu gravou um disco na Continental e três na Som Livre (o último em 1977, Espelho Cristalino, que trazia a faixa-título e outro sucesso, Agalopado). Depois deles, Alceu ficou sem gravadora no Brasil. Isso apesar de apresentações lotadas em todo o país. "Eu me sentia um exilado artístico, peguei uma fama terrível de maldito", contou ele, que topou fazer uma turnê na França, Alceu Valença em noite de au revoir. Chegou a gravar um disco naquele país, Saudade de Pernambuco, pela Society France de Produción. Na volta ao Brasil, lançou num festival da TV Tupi de São Paulo uma música inédita, Coração bobo, com o auxílio luxuoso de Jackson do Pandeiro, mas foi desclassificado. Apesar do contratempo, Alceu recebeu no retorno ao Rio uma notícia bombástica de sua empresária. A apresentação de Alceu no festival da Tupi chamara a atenção de Marco Mazzola, que na época estava montando o elenco de uma nova gravadora: a Ariola.

De 1980 a 1984, Alceu Valença se tornou um grande vendedor de discos. A fase Ariola de Alceu Valença foi a única em que ele conseguiu ao mesmo tempo grande vendagem de discos, exposição maciça na mídia de massa, reconhecimento da crítica e apresentações em estádios e ginásios lotados em todo o Brasil, não apenas no Nordeste. Por percalços da indústria fonográfica brasileira (percalços alvos de críticas de Alceu desde os anos 70), essa fase Ariola era a única de Alceu que não tinha todos os seus discos lançados em CD. Apenas Coração bobo (1980) e Cavalo de pau (1982) haviam sido lançados no formato digital. Pois eis que, no início deste mês, os dois discos foram remasterizados e relançados de forma avulsa, em "edição limitada" (segundo a Universal Music). Os outros três discos da fase Ariola apareceram agora pela primeira vez em CD, acondicionados numa caixa chamada Três Tons de Alceu Valença. Além da remasterização, os cinco discos saem com reproduções fiéis da arte gráfica dos LPs originais.

"Eu fazia música como quem faz cinema. Cada um desses discos tem uma característica, um timbre diferente".

Ter acesso a esses cinco discos era um sonho antigo. Meu pai era um fã de Alceu Valença, pernambucano como ele. Só que meu pai comprou apenas um LP de Alceu. Uma coletânea lançada em 1985, chamada Os 14 Maiores Sucessos de Alceu Valença. Até hoje tenho dúvida se quem ouviu mais aquele disco fui eu, meu pai ou minha mãe. Apesar de ter curtido aquele disco por muitos anos, aquela era uma coletânea tecnicamente deficitária, porque várias faixas tiveram trechos amputados, para que coubessem 7 faixas em cada um dos lados do LP. Os caras da PolyGram lançaram essa coletânea com o selo Elenco (outro excelente selo que eles compraram), mas tiveram a pachorra de editar as faixas Dia Branco (a melhor música de Alceu que conheço), Sol e chuva e Espelho cristalino. Quase todas as faixas daquele vinil foram tiradas dos discos da Ariola, exceto Sol e chuva, Espelho cristalino e Agalopado, tiradas de LPs da Som Livre. Outras músicas de Alceu Valença eu só conheci em festas no Rio de Janeiro e com a audição atenta das boas rádios da cidade, pouco a pouco extintas até os dias atuais. Mas agora, diante dos cinco discos da Ariola, posso comentar sobre a melhor fase (discograficamente falando) de Alceu Valença.

Coração bobo (1980) foi o disco que tornou Alceu Valença de fato conhecido em todo o Brasil.

"Foi feito ainda sob a ditadura, com letras metafóricas, falando da solidão das capitais".

Além da música-título mostrada naquele festival da TV Tupi meses antes, o disco tem outras faixas autorais como Na primeira manhã, e também duas regravações de Luiz Gonzaga: Vem morena e Cintura fina. É um disco escancaradamente nordestino. Vendeu 450 mil cópias. Naquele mesmo ano, Alceu Valença gravou também na Ariola a música A Foca, para a trilha sonora do especial global A Arca de Noé, em que vários frequentadores das paradas de sucessos gravaram canções de Vinicius de Moraes (falecido naquele ano) voltadas para as crianças.

Cinco sentidos (1981) foi gravado e lançado no ano em que, de fato, Alceu Valença passou a fazer apresentações para grandes plateias. Uma delas a do Dia do Trabalhador, no Riocentro, em 1º de maio. Militares preparavam um atentado terrorista contra o evento, mas uma das bombas explodiu no colo de um deles, num carro Puma no estacionamento, bem na hora em que Alceu Valença estava cantando no palco. Outra bomba foi colocada na casa de máquinas do Riocentro, mas não explodiu.

"Nesse disco eu estava dizendo de onde vinha. Era a minha poética, as coisas que me formaram".

"Cinco sentidos é um disco de revelações".


O disco vendeu 150 mil cópias (menos que o anterior) e foi mal executado nas rádios de fora do Nordeste. Enquanto isso, no Nordeste houve pelo menos três sucessos deste disco: Cabelo no pente, Arreio de prata e Guerreiro. Mas eu lembro de ter ouvido o forró Fé na perua até em festas juninas no Rio de Janeiro. Tirana eu lembro de ter ouvido bastante, não lembro onde. Alceu Valença reconhece que, com este disco, passou a representar uma vertente do rock sem ser rock. Uma definição bem verdadeira para toda a sua fase na Ariola. Não é à toa que integrantes da geração mangue beat afirmam que Alceu Valença foi uma das maiores influências do movimento. A última faixa do disco (Seixo Miúdo) foi composta em 1969 nos Estados Unidos, onde Alceu estudava, e sob o impacto da chegada de astronautas americanos à Lua.

Cheguei a receber não lembro de quem uma cópia em cassete de Cinco sentidos, mas o cassete estava danificado. Lembro de ter ouvido apenas trechos da primeira música Quando eu olho para o mar e de Seixo Miúdo. O cassete foi jogado no lixo, quando se tornou inaudível.

A consagração definitiva de Alceu Valença veio com Cavalo de pau (1982), o terceiro disco da fase Ariola.

"Aquela era uma obra completa, acrescentar outras faixas seria como botar bigode em uma pintura".

"Esse disco só saiu do jeito que deveria sair porque o Mazzola tinha um respeito total pelos artistas".

"O departamento comercial reclamou que o LP só tinha oito faixas, disse que não ia vender".


Cavalo de pau é um disco genial. Brasileiro, regionalista e universal ao mesmo tempo. Em mais uma atitude ousada, Alceu Valença resolveu lançar o disco com apenas oito faixas em menos de 28 minutos (somando os dois lados do vinil). Disseram a ele que o disco não venderia. Alceu insistiu, e o disco foi pras lojas só com as oito faixas. De fato, o disco é um clássico da música brasileira. Além de ultrapassar a marca de 1 milhão de cópias vendidas, pelo menos cinco faixas dele (de oito!) foram sucessos nacionais. O lado 1 inteiro estourou: Rima com rima, Tropicana, Como dois animais e Pelas ruas que andei. A faixa-título (a terceira do lado 2) também estourou. O disco termina na faixa Maracatu, parceria com o poeta pernambucano Ascenso Ferreira. Com este disco, Alceu Valença passou a fazer apresentações para estádios com até 40 mil pessoas.

Anjo avesso (1983) é um disco totalmente influenciado por uma longa temporada de Alceu Valença em Olinda. É um disco baseado totalmente na musicalidade daquela cidade. É um disco teatral, na definição de Alceu. Ele mesmo diz interpretar personagens diferentes em cada música, vários deles personagens da cultura local. Alceu chega a mudar a voz em várias faixas.

"Um disco teatral, em que canto, com outras vozes que não as minhas, as canções que fiz para Olinda".

O disco é aberto com a bela Marim do Caetés, seguida da clássica Anunciação, que acabou sendo cantada até nos comícios do Diretas Já, apesar de não ter sido feita para o movimento. Anunciação é uma música mais próxima de temas espirituais. Já vi até um padre dizendo que esta é a música preferida dele. Pra contrastar com Anunciação, vem logo a seguir o sucesso Rouge Carmim, de temática declaradamente profana (é aquela do refrão "a cor do pecado é rouge carmim"). Balança coreto foi composta especialmente para um grupo teatral local. A faixa-título fala de um anjo que finge ser bom, mas leva embora a mulher amada do protagonista da história.

Mágico (1984) é um caso à parte na melhor fase da discografia de Alceu Valença. Melhor deixa-lo começar a narrativa.

"A Ariola foi comprada pela PolyGram e o presidente da companhia, Mr. Van Dyke, me convidou para gravar um LP na Holanda. Fomos direto para o Wisseloord Studios, na cidade de Hilversum. Lembro que a banda inglesa Def Leppard também estava gravando por lá. O álbum traz nove músicas, entre elas “Dia Branco”, “Casaca de Couro”, “Cambalhotas” e um rock repente, “Que grilo dá”."

"Não tínhamos a menor expectativa de ir à Holanda para gravar. Algumas das músicas fiz no estúdio".


Mágico foi o único disco de Alceu Valença que saiu com o selo Barclay, ao invés do selo Ariola utilizado nos outros quatro discos deixados na gravadora. É também o disco mais universalista da fase Ariola. Universalista na sonoridade, flertando com o pop e o rock. Se Alceu diz que Que grilo que dá é um rock repente, também podem ser consideradas rocks as faixas Dia branco e Solidão, esta uma balada, ambas os dois maiores sucessos do disco. Mas há outros sucessos no disco: Cambalhotas, Casaca de couro e A menina dos meus olhos. Não lembro da apresentação de Alceu Valença no primeiro Rock in Rio, mas imagino que ele tenha tocado naquele palco Que grilo que dá e os sucessos de sua carreira. Relatos garantem que, tanto no Rock in Rio como no disco Mágico, Alceu Valença cantou para as multidões de todo o país sem abrir concessão alguma e sem abdicar de suas convicções e da defesa da cultura pernambucana e nordestina em geral. Alceu Valença sempre foi um dos melhores e mais dignos artistas nascidos neste país.

A fase Ariola acabou quando Alceu Valença entrou na RCA brasileira (mais tarde BMG-Ariola) em 1985, pela qual gravou três discos de estúdio com faixas inéditas até o fim da década, além de um disco ao vivo, Oropa, França e Bahia (1988), gravado no extinto Scala 1 no Rio de Janeiro. Disco que trazia a inscrição "tropical rock" logo na capa, dentro daquela lógica genial do "rock sem ser rock" de Alceu Valença. Só que Alceu Valença encontrou dificuldades na RCA. A partir de 1985, paralelamente ao auge popular e comercial do rock brasileiro, o brega começava a dar as cartas na indústria fonográfica, e a RCA foi de longe a gravadora mais afetada. Até contratados de MPB da casa gravaram sucessos de autores bregas. Alceu, não. Ele manteve sua coerência. Resultado: Estação da Luz (1985), que foi talvez o primeiro disco de Alceu a contar com dois frevos (gravados ao vivo) e era um disco mais MPBista que Mágico, foi menos divulgado no centro-sul do país. Rubi (disco de 1986 gravado no ano em que Alceu passou a morar parte do tempo do ano no Leblon e outra parte na Rua de São Bento, em Olinda) e Leque moleque (disco de 1987 cheio de referências urbanas) tocaram muito pouco. A faixa Bobo da corte (que abre Leque moleque) só teve execução nacional porque foi colocada na trilha sonora de uma novela da Rede Globo. Nesta fase RCA/BMG, Alceu Valença gravou também a faixa Cópias mal feitas para a trilha sonora da novela Roque Santeiro, além de ver lançado na sua antiga gravadora Barclay (leia-se Ariola) em 1986 um disco ao vivo gravado no Festival de Montreux. Depois das fases Ariola e RCA/BMG, Alceu Valença continuou e continua fazendo sucesso, gravando bons discos e fazendo apresentações ao vivo para plateias fiéis. Mas nada superará aquela fase mágica (o nome do disco Mágico é até providencial nesse sentido) na Ariola, fase em que Alceu Valença escreveu definitivamente seu nome na história da música brasileira como figura de primeira grandeza. A partir desses discos, Alceu Valença ajudou a compor a trilha sonora da muito celebrada e documentada década de 1980.

Comentários de Alexandre Figueiredo no Facebook

domingo, 23 de junho de 2013

MPL não tem noção do que serão as manifestações conservadoras

Na sexta-feira, o pessoal do Movimento Passe Livre declarou que não convocaria mais manifestações, porque reprovam a pauta conservadora de alguns manifestantes. Pudera. Esse pessoal do MPL é comprometido até a medula com o materialismo marxista-stalinista-esquerdista. Nesse sentido, é injusto que alguns extremistas tenham expulsado manifestantes declarados de partidos de esquerda dessas manifestações. Esses partidos apoiam o MPL desde o início! Na verdade, essa gente jamais saiu da rua.

Mas que esses caras do MPL mostraram que foram pra rua, de fato, só pelos 20 centavos, ah isso mostraram. Outros continuaram indo ontem às manifestações, sem convocação do MPL. A maioria pacificamente. E provavelmente nenhum deles só pelos 20 centavos.

Esse pessoal não tem noção (aliás, não tem noção de nada) do que serão um dia as manifestações conservadoras. Principalmente se forem do conservadorismo latino, que é antimaterialista e diferente do conservadorismo anglo-saxão, este tão materialista quanto o esquerdismo. Haverá um dia manifestações conservadoras partidárias. Por hora, estão chegando duas que não serão partidárias, mas que terão inegáveis influências políticas. Política de uma forma geral, não do campo específico das ideologias partidárias. Uma importante manifestação do conservadorismo anglo-saxão acontecerá em São Paulo no próximo sábado. A Marcha para Jesus é um evento promovido pelo pós-pentecostalismo brasileiro (o Espírito Santo passa longe dali). Esse pessoal é materialista. Não no sentido marxista da palavra, mas no sentido capitalista: de querer tudo aqui e agora, de ter ao invés de ser, não importam os meios. De 23 a 28 de julho, acontecerá outra manifestação conservadora, esta no Rio de Janeiro: a Jornada Mundial da Juventude. Na essência, deverá ser uma manifestação de cunho deísta, antimaterialista, bem ao gosto da cultura latina, até mesmo porque a promotora é uma entidade latina. Latinos são mais abertos a valores permanentes, transcendentes. Se há latinos materialistas e católicos materialistas, isso é influência da cultura anglo-saxã, que gerou o marxismo e o capitalismo de linha britânica e norte-americana. O Partido Republicano que o diga. Há fariseus que arrotam arrogância se proclamando como verdadeiros católicos, por se oporem ao materialismo de alguns movimentos sociais, só que eles mesmos são materialistas. Da linha capitalista.

Se haverá cristãos de verdade na Marcha e na Jornada, caberá a eles rechaçar influências negativas que tentam surfar nesses eventos. Em Marchas anteriores já houve protestantes se manifestando contra a influência do neopentecostalismo no evento. Chegaram a estender faixas com frases como "O show tem que parar". Já os peregrinos da JMJ terão que ignorar toda sorte de políticos picaretas que tentarão tirar uma casquinha do evento e que aparecerão ao lado do Papa Francisco enquanto o apunhalam pelas costas.

Falando nele, vem aí alguém que está levando pancada de materialistas de toda ordem, da extrema esquerda à extrema direita: o Papa Francisco.

sábado, 22 de junho de 2013

Destruição é tema recorrente no rock desde a década de 1970

Resposta para Mingau de Aço publicada no Facebook:

Eu debato política com qualquer pessoa que aceite o diálogo. Da direita à esquerda. Dois amigos estão entre eles: os irmãos Alexandre Figueiredo e Marcelo Pereira. Só que o Alexandre não busca diálogo com conservadores. Mal sabe ele que vários conservadores rejeitam esses neocons oriundos da intelectualidade esquerdista média ou oriundos das culturas rock e punk. O próprio termo neocon já é um termo multiuso, impreciso. Pode remeter aos neocons americanos da linha ianque-calvinista ou republicana (de Partido Republicano americano) ou a algum ex-alguma coisa (ex-punk, ex-esquerdista, escroque...) que quer pegar carona no conservadorismo.

Analogias à destruição há nas culturas punk e rock pelo menos desde que surgiu o punk rock. Vide os Sex Pistols! O próprio Capital Inicial já pregava durante a Era Sarney: "Quero soltar bombas no Congresso / Fumo Hollywood para o meu sucesso". Nada diferente de 'Saquear Brasília'. Mas parece que o amigo Alexandre resolveu encrencar com o Capital somente agora na Era Lula-Dilma. E olha que leio os textos do Alexandre desde a Era FHC!

Os conservadores que conheço e em quem confio são mais ligados a valores nacionais (aqueles valores que fundaram a nacionalidade brasileira), e invariavelmente rejeitam qualquer forma de (neo)liberalismo. Eles também não tem representação partidária nem midiática. São diferentes dos conservadores da linha cultural anglo-saxã, esses sim responsáveis por vários golpes bem sucedidos ou fracassados ao longo da história brasileira.

Apesar de travar o bom combate contra a cultura de cabresto e aliados em outros setores (da intelectualidade à grande mídia, passando pelo rock e pela direita propriamente dita), Alexandre ainda deixa transparecer uma grande patrulha ideológica contra qualquer escritor, artista ou musicista que julgue ser de direita. Não difere muito dos que dizem que Chico Buarque é um letrista e escritor medíocre só por que Chico é de esquerda. Alexandre deveria debater com os discordantes. Eu mesmo debati sobre fânqui com Lobão e Marcelo Freixo! Não doeu nem caíram meus dedos por isso. Nem fui convencido pelas ideias medíocres deles sobre o tema.

No fundo, sinto que Alexandre e outros só rejeitam os direitistas ou os conservadores (neo ou não) por representarem uma ameaça para seu sonho ilusório de que essas correntes de esquerda que elegeram Lula e Dilma façam algum dia um governo que preste. Apesar de boa parte dessa corja estar aí há mais de 10 anos aliada aos piores escroques da República e repetindo as mesmas merdas que os escroques anteriores fizeram ao longo da História. Isso mesmo, amigos. Continuem confiando nessa corja que botou Lula e Dilma no poder. Continuem bancando os lulistas arrependidos. Não me chamem para a Matrix "pogressista" de vocês, "cumpanhêro". Fiquem vocês aí na Matrix.

Na real: sonho com o dia em que direi para Alexandre: Bem vindo de volta à oposição! Já é sempre bem vindo, seja onde for. O xará Marcelo eu creio que já está na oposição. É só notar a virulência de seus blogues. Eu não conseguiria ser virulento como meu xará.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Filho feio não tem pai nem mãe (4)

Estou acompanhando os comentários de diversos grupos políticos em torno das manifestações que estão acontecendo em todo o país desde a semana passada, a respeito do reajuste das tarifas de ônibus. Os governistas de esquerda acusam o movimento pacífico e os arruaceiros que se enfiam no meio de serem uma tentativa de enfraquecer um governo "democrático, de esquerda e popular" (o Governo Lula-Dilma), já pensando na sucessão presidencial de 2014. Os governistas também acusam os arruaceiros de serem pessoas ligadas à extrema direita também contrária ao Governo. A ultraesquerda, alguns direitistas assumidos e alguns conservadores assumidos acusam o Governo de planejar o fechamento do regime, em resposta às manifestações. Alguns direitistas e alguns conservadores afirmam ainda que o movimento pacífico e os baderneiros são instrumentos da esquerda para implantar um regime de ultraesquerda, mais à esquerda que o Governo Lula-Dilma. Pessoas da direita à esquerda criticam os manifestantes que impedem a participação de militantes dos partidos políticos já estabelecidos e de partidos da ultraesquerda não registrados. No meio disso tudo, ainda vejo gente de dentro e de fora da direita clamando intervenção das Forças Armadas. Só não explicam se querem as FFAA do lado do Governo ou contra ele.

Pela quarta vez neste blogue, digo que filho feio não tem pai nem mãe.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Hackers tiraram portal do PMDB da Internet

O fato aconteceu de madrugada, há pouco mais de 24 horas, mas não tive ideia de tirar uma imagem para mostrar. Um amigo copiou a página e me mandou. Esta é uma imagem do portal do PMDB, antes de entrar em manutenção, ontem mesmo, para retirar as mensagens em que os hackers convocaram os internautas para as manifestações que vem acontecendo pelo país afora desde a semana passada. Havia até um vídeo, ainda hospedado no YouTube.



Portais de órgãos públicos também vem sendo atacados por hackers nas últimas horas, mas não vi nenhum portal alterado pelos ataques.

Os políticos deste país procuraram sarna para se coçar. Quem procura, acha.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Passeata dos Cem Mil - Edição 2013

Isso foi o protesto de ontem na Avenida Rio Branco contra o reajuste das tarifas de ônibus municipais para R$ 2,95. Esse e outros protestos de ontem pelo país afora também foram direcionados a outras causas. Não apenas para reivindicar melhorias no transporte público. Criticaram, por exemplo, a famigerada PEC 37. Em Brasília, os manifestantes ocuparam o teto do Congresso Nacional, e após negociarem com a polícia do Congresso, desceram a rampa da sede do parlamento. Imagens semelhantes não aconteciam desde o Diretas Já. Um ou outro vidro do Congresso foi quebrado, mas não esclareceram se foi devido a atos isolados de vândalos ou se foram acidentes devido à aglomeração de gente na frente do Congresso. Em Fortaleza, houve uma manifestação contra a gastança de dinheiro público nas copas da FIFA. Exatamente na frente do hotel onde está hospedada a Seleção da CBF.

A população brasileira parecia adormecida, comodista e conformada. Não está mais. Está indo para a rua. E de maneira pacífica. Coisas positivas poderão ser conquistadas daqui por diante.

O mais bacana é que esse é um movimento cívico. Tipo a Passeata dos Cem Mil e o Diretas Já. Tem gente ordeira de quase todas as tendências políticas.

Os extremistas não contam. Os caras que vandalizam dão o pretexto que os maus governantes querem para fecharem o regime. Os extremistas estão fazendo suas atitudes extremistas, que é o que só sabem fazer. Protestemos contra esses também. Aliás, já teve pichador sendo vaiado ontem no Centro do Rio.

E daí que algumas coisas positivas aconteceram nos últimos dez, onze anos neste país APESAR DOS GOVERNOS, não por causa deles e até mesmo CONTRA eles? A população merece coisa melhor. Não podemos estagnar.

Enquanto isso, que os manifestantes continuem com suas palavras de ordem. Como uma sequência ouvida ontem em algumas cidades: "Abaixo a tarifa! Mande a Copa pra FIFA!"

Ancelmo Gois arrumando sarna pra se coçar

Ancelmo Gois disse na sua coluna no último dia 14: "Até agora não pingou um centavo de dinheiro federal, estadual e municipal para ajudar a Jornada Mundial da Juventude." E põe na aba de chamada: "Deus castiga"?

Tá reclamando, Ancelmo? Fique quieto no seu canto. Antes que os governantes puxa-sacos do Papa (e inimigos da Igreja pelas costas) resolvam mover montanhas de dinheiro público para a JMJ. Se o evento é autossustentável (segundo dizem os organizadores), deixe que patrocinadores e as taxas de inscrição banquem o evento.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

E se houvesse a livre concorrência no transporte urbano por ônibus?

Os manifestantes de esquerda piram com um manifestante desses!

No caso do Rio de Janeiro e de São Paulo, há um híbrido de privatismo estatista com cara de encampação estatal total. As empresas de ônibus são todas privadas, mas são organizadas por consórcios, são obrigadas a seguirem as instruções da Secretaria Municipal de Transportes (no Rio de Janeiro) ou da SPTrans (autarquia paulistana) e tem que pintar os ônibus com pinturas padronizadas por áreas ou serviços, incluindo o brasão e os nomes das cidades bem grande. Mesmo assim, as empresas tem o poder total sobre a classe política municipal, inclusive bancando campanhas eleitorais de candidatos a prefeito e vereador. Só perderam o controle da operação das linhas e a pintura dos ônibus.

Até amigos de esquerda se mostram contrários a esse modelo de privatismo estatista com cara de encampação estatal total no setor de ônibus urbano. Na década de 80, o governador Leonel Brizola encampou diversas empresas de ônibus cariocas. O serviço ficou pior do que já era, e depois que as empresas foram devolvidas aos concessionários as empresas passaram vários anos se recuperando do prejuízo deixado pela gestão brizolista.

Texto publicado no Facebook.

domingo, 16 de junho de 2013

Carta Capital também encalha!

Meu amigo Alexandre Figueiredo tem notado que há meses há encalhes da Sujíssima Veja nas bancas. A revista merece essa rejeição. É possível comprar em vários pontos de venda edições atrasadas de uma e até de duas semanas atrás.

Só que, como eu tenho uma visão mais ampla das coisas, noto que a Veja petista também está encalhando nas bancas. Ontem mesmo achei um exemplar encalhado da Carta Capital do fim de semana anterior, com capa sobre as partes esquecidas da cidade e do estado do Rio de Janeiro que ficam fora dos investimentos para os megaeventos olímpico-futebolísticos internacionais. Uma matéria muito boa, por sinal. Não poupam os governos Cabral Filho e Eduardo Paes, mesmo dando espaço para o prefeito numa entrevista de meia página. Entrevista essa em que o prefeito declara: "Voltamos ao Centro". Ele fez alusão às obras de revitalização da Zona Portuária do Rio de Janeiro, mas bem que isso pode ser também uma alusão à sua saída da direita tucana para esse centro (a direita não assumida) que é o PMDBismo lulo-dilmista.

A verdade sobre a Veja, a Carta Capital e outras revistas é que o mercado de jornais e revistas está diminuindo no mundo todo. Só ficarão as publicações que tiverem um diferencial positivo e que não enganam os leitores. Talvez no futuro até algumas ou todas as publicações sobreviventes se mudem de vez para tablets e outros apetrechos tecnológicos. Algumas já mudaram.

Até a Playboy brasileira está ameaçada de fechamento. Os onanistas trocaram as páginas estáticas das revistas masculinas por mulheres orgásticas em vídeos HD, 3D, o escambau. De graça.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Sobre a quebra de sigilo bancário do senador Lindbergh Farias para apurar possível responsabilidade por rombo no Previni de Nova Iguaçu


Comentários para Época publicados no Facebook:

Numa hora dessas, fico puto com quem tenta tirar dividendos políticos dessa situação, seja defendendo o político em questão ou atacando-o pra quem sabe beneficiar adversários políticos pra lá de duvidosos. Tantos uns como outros raramente defendem a única parte inocente nessa história: os servidores de Nova Iguaçu. Se algum dos esquerdistas, direitistas, liberais ou conservadores com quem debato não liga para a situação dos servidores, é tão vil quanto essa corja que está no poder.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Leitor do Omelete faz paródia de notícias sobre enquetes musicais

Fonte: Omelete.

Carlos (10/06/2013 19:34:56)

"Atirei o pau no gato" é eleita a melhor música de todos os tempos

A canção "Atirei o pau no gato", de autoria da Dona Chica, foi eleita a maior música de todos os tempos pelos alunos do pré-primário da Escolinha Zapt Bum, que fica numa ruazinha florida perto da padaria do seu Manuel, em Santa Periquita dos Prazeres, Acre.

Em segundo lugar ficou March or die, do Motorhead, seguida por Na boquinha da garrafa, da Cia. do Pagode. Veja a lista completa no mural da sala dos professores, na Zapt Bum.

A Dona Chica admirou-se-se do berro, do berro que o gato deu em ano indeterminado. Dizem que ele ainda não morreu.

terça-feira, 11 de junho de 2013

O mi mi mi de João Pedro Stédile é uma hilariante tragicomédia

É a conclusão a que se chega depois da leitura atenta do Blog do João Pedro Stédile. Dá para se divertir rindo dele. É uma boa ideia se divertir com os mi mi mis dos poderosos, seja lá qual for a ideologia que tenham, da extrema direita à extrema esquerda. Porque passar a vida toda só se indignando (ou, pior, juntando raiva) faz mal à saúde. E é isso que essa corja no poder quer: que os discordantes morram mais cedo, para que sobrem somente eles e o cordão de puxa-sacos e bajuladores em geral.

Na ótica do Stédile, todo mundo é culpado pela inflação: a burguesia em geral, a imprensa burguesa, os bancos, as empresas do agronegócio e a "base social tucana que opera o aumento dos preços, beneficiando-se com o aumento dos seus lucros" (essa base social tucana são os "capitalistas proprietários das fábricas, supermercados ou lojas do comércio"). A típica meia verdade de um dirigente profissional do MST.

Meia verdade porque, até aqui, há a verdade na apuração de culpados pela inflação. Só que falta a outra metade: a culpa do Governo Lula-Dilma nessa história toda. Um governo que torra bilhões de reais de dinheiro público com copas, olim piadas e outras bobagens. Ah, mas aqui o cumpanhêro Stédile estaria acabando com as ilusões em torno de um governo que a cumpanherada chama de "pogressista (sic), democrático e popular". No governo do cumpanhêro Sarney também era assim: todo mundo tinha culpa pela inflação. Menos o governo. Chegaram a acionar a Polícia Federal para caçar boi no pasto, botando a culpa nos pecuaristas pela alta do preço da carne, fossem grandes ou micropecuaristas.

Aliás, dá para levar a sério um governo que gera coisas como os "fiscais do Sarney"?

Coitados dos sem-terra de verdade, se continuarem dependendo da corja para promover a Reforma Agrária que esses líderes poderiam ter feito mas empurram com suas barrigas gordas adiante. Barrigas que engordaram bastante nesses dez anos no poder. Se eles não fizeram a Reforma Agrária, ninguém jamais a fará. Filhos e netos dos sem-terra continuarão herdando somente a lona plástica que serve de telhado nos assentamentos.

João Pedro Stédile é tão atrasado que nem os socialistas de verdade que conheço utilizam mais esses termos que ele usa. Os socialistas que conheço preferem chamar os maiores capitalistas não mais de burguesia, mas de Grandes Empresários. Assim mesmo, em maiúsculas. O termo burguesia é tão gasto que já foi utilizado até por capitalistas confessos, como o saudoso Renato Russo, que usou o termo para se referir à elite de Brasília em Faroeste Caboclo.

Se Stédile aceita de bom grado utilizar o mesmo linguajar de um capitalista como foi Renato Russo, faça bom proveito. E que ouça mais da obra da Legião Urbana. Melhor que aquela música de cabresto que até os dirigentes do MST e os sem-terra ouvem.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

'A Privataria Tucana' na exposição do Martinho



Prezado Martinho da Vila

Não sei se você lerá isto um dia. Nem sei se conversaremos um dia. Mas deixarei isto aqui para registro. No sábado passado (8 de junho de 2013) vi um filme no Imperator e aproveitei para visitar a exposição dedicada à sua pessoa. Outro dia mesmo queria ter ido à sua apresentação "Sambabook", com você e convidados cantando suas músicas no palco, mas tive que ver em casa mesmo, pelo Multishow. Já disseram uma vez que os grandes artistas devem ser homenageados em vida. Você está tendo as suas homenagens, muito merecidas. E continuará tendo. E há de ter ainda muitos anos de vida e de carreira.

Entre os vários itens de sua exposição, havia uma réplica do seu extinto Butiquim do Martinho, e nele havia umas prateleiras e mesas com alguns de seus livros preferidos. E eis que encontro numa delas um dos meus preferidos: A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr. Livro esse que trata de uma das maiores picaretagens da história política brasileira. Ultimamente tenho me aproximado para conversas políticas mais por afinidades de "o que nós somos contrários" do que "o que nós concordamos". Nós, por exemplo, somos contrários à privataria tucana. Não sei se você é contrário às privatarias dos outros partidos, mas nem quero debater isso contigo. Como eu disse antes, tenho me aproximado mais das pessoas politizadas mais por discordâncias em comum do que por concordâncias. Sabendo de suas posições político-partidário-ideológicas, não é por aí que nos aproximaremos. Mas se for para zoar a picaretagem nacional, quem sabe um dia possamos nos divertir batendo um papo animado com vários amigos nossos em algum botequim da vida.

domingo, 9 de junho de 2013

Consciência política de torcidas organizadas de futebol só vai até a página 11

Resposta para Lance!:

Se os amigos botafoguenses pretendem boicotar os PMDBistas nas próximas eleições, tem que fazer o serviço completo. Boicotar também os aliados deles a nível federal, estadual e municipal. Inclusive a presidenta incompetenta e seu mentor: o Filho Bastardo do Brasil. Eu boicoto essa gente há anos!

O problema é que hoje restam poucas opções. Lulistas arrependidos (Eduardo Campos, Marina Silva, etc), Aécio Neves (reformou o Mineirão, que reabriu sem água!) e o rubro-negro Chico Alencar.

Como diz a Plebe Rude: "Seja alguém! Vote em ninguém!"

Aproveito para mandar um abraço em nome de uma colega de sessão, que é botafoguense roxa. E também não confia na classe política brasileira.

sábado, 8 de junho de 2013

O negócio é ganhar eleição, Bepe!

Tem blogues que só merecem comentários sarcásticos.

Resposta para Bepe Damasco:

É a primeira vez que leio um blogue governista questionar a estratégia governamental de garantir apenas as sucessivas vitórias eleitorais, desprezando a hegemonia no imaginário popular. Para o governo, o que interessa é o poder. E o poder num regime democrático é garantido vencendo eleições. Isso o governo continuará fazendo até surgirem partidos oposicionistas que rompam também com os atuais partidos oposicionistas, do consórcio PSDB-DEM ao PCO. O negócio é ganhar eleição. O resto que se exploda. Inclusive o PiG governista tido como golpista, que continua muito bem, obrigado. Inclusive botando a Regina Casé para bajular a presidenta incompetenta no Esquenta!.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

'Faroeste Caboclo' é denso, cruel, pesado e não abre concessões. Por isso é cinema de verdade


Não sou parte da elite cultural deste país, não sou uma figura ligada à história do rock brasiliense nem tenho bons contatos com qualquer um deles. Por isso, como pobre reles mortal que sou, só conferi Faroeste Caboclo quando o filme foi lançado comercialmente.

Gente, esqueçam Somos Tão Jovens, que apesar de também ter estreado em maio e ter cumprido a missão de reconstituir os anos de Renato Russo em Brasília, no fundo sofre aquela síndrome de história juvenil com atores juvenis, tipo Malhação. Inclusive atenuando aspectos da personalidade de Renato, do relacionamento com a família (foi tratado como um bom menino quase o tempo todo) à homossexualidade. Não queiram comparar Somos Tão Jovens com Faroeste Caboclo. É uma enorme injustiça com a equipe que fez esse (desde já) antológico filme inspirado na canção homônima. Faroeste Caboclo é um filme muito, mas muito superior. É denso, cruel, pesado e não abre concessões. Por isso é cinema de verdade. E olha que tinha tudo para ser mais um entojo de filme televisivo, pois tá lá a assinatura da Globo Filmes na coprodução, com a vinheta animada da empresa logo de cara, nos créditos iniciais, e ainda tem pelos menos uns quatro atores no elenco com várias novelas da Rede Globo no currículo. Parece que os produtores e o diretor René Sampaio deixaram os executivos globais bem longe, para poderem fazer um filme digno dos sonhos de todos os que ouviram Faroeste Caboclo nos anos 80 já pensando "puxa, essa música daria um filme". Entre eles o próprio René.

Tirando os pais de João, os vários amigos de Maria Lúcia e os capangas de Pablo e de Jeremias, pode-se enumerar um pequeno grupo de personagens que conduzem toda a trama. Alguns deles (inclusive os três que centralizam a trama) já estavam na música de Renato Russo.

O protagonista João de Santo Cristo foi muito bem interpretado por Fabrício Boliveira. Fabrício optou por imprimir um jeito frio e vingativo para o personagem, no que acertou em cheio. Por causa do jeitão de western spaghetti imposto ao filme pelo diretor, fica impossível não lembrar do recente Django que Jamie Foxx interpretou em Django Livre. Mas a comparação acaba aqui. Os filmes são diferentes, as histórias são diferentes, as situações históricas são diferentes (o sul escravocrata dos EUA no século XIX e a cidade de Brasília nos anos 70 e 80 do século XX) e as motivações dos protagonistas são diferentes, embora ambos os personagens sejam bem vingativos e precisos no uso de armamentos diversos. A chegada de João em Brasília num ônibus fabricado nos anos 50 (atenção, busólogos!) é das coisas mais bem feitas do filme. Não esqueceram de colocar a iluminação noturna de Natal na Esplanada dos Ministérios (iluminação citada na música), com o ônibus passando em baixo. Em outra tomada, dá para ver o ônibus passando num viaduto, e bem embaixo do viaduto passa na mesma hora o Fusca de Maria Lúcia, bem antes dos personagens se conhecerem. João passou quase o filme todo dividido entre a vida de traficante e a de carpinteiro, só que a de carpinteiro acaba virando apenas fachada para a de traficante.

Maria Lúcia ficou a cargo de Ísis Valverde, aqui há milhares de anos-luz de distância das periguetes que andou interpretando nas novelas globais. Por falta de maiores detalhes do perfil de Maria Lúcia na música, tiveram que criar isso para o filme. Maria Lúcia é estudante de arquitetura, e mora no apartamento do pai, que é senador. Ao que tudo indica, essa Maria Lúcia não tem muito convívio com o pai. Aparece falando pouco com ele, e mesmo quando os dois estão em casa, ela prefere ficar sozinha no quarto estudando, ou descansando, ou fumando maconha escondida com alguma amiga (dificilmente se achará no cinema nacional uma personagem que fume mais maconha que a Maria Lúcia desse filme) ou se encontrando secretamente com João, que aparece na janela do apartamento. Ao que tudo indica, Maria Lúcia passa quase o filme todo distante, sonhando com uma vida melhor que a que leva. Chega a ir embora sozinha para casa, depois de ter passado uma noite com os amigos (alguns tocando violão) bem em frente ao Palácio do Planalto.

Jeremias ficou com o também ator global Felipe Abib, também em atuação magistral, tal como Fabrício. O antagonista de João é mostrado como o grande traficante de maconha e cocaína para a juventude do Plano Piloto de Brasília entre o fim dos anos 70 e início dos 80, abastecendo a clientela em tudo quanto é festa, show e rockonha da cidade. Jeremias é extremamente orgulhoso de seu "negócio". Duvidar da qualidade da droga dele é pior que xingar sua mãe ou prometer currar a sua avó. É ganhar um inimigo disposto a acionar toda a quadrilha só para te trucidar. João se torna inimigo de Jeremias não só por reprovar a dita "qualidade" de sua droga mas também por ser o principal sócio de Pablo, concorrente de Jeremias que tem sua base na periferia do Distrito Federal.

Pablo é o personagem do ator César Troncoso. Pablo foi mantido como o tal primo peruano de João e que traz muito contrabando da Bolívia. Torna-se o parceiro de João na plantação e no tráfico de drogas no Distrito Federal. Tem um forte esquema de domínio sobre o pequeno comércio informal da localidade pobre onde vive, cobrando favores e "impostos". César Troncoso sacou um portunhol sensacional para o personagem.

O ator Antonio Calloni ficou com o mais destacado personagem criado para o filme: o do policial corrupto Marco Aurélio, que acoberta o traficante Jeremias, ajuda a tirar os traficantes rivais do mercado de drogas de Brasília e ainda faz alguns outros serviços sujos encomendados por Jeremias. Marco Aurélio só abaixa a voz diante do único figurão da política a aparecer no filme: o senador Ney, no único encontro dos dois personagens.

Ney é outro personagem exclusivo do filme. Trata-se do pai de Maria Lúcia. Só aparece no filme em cenas internas em seu apartamento em Brasília e em uma única cena externa acompanhado de Maria Lúcia e conhecendo pela primeira vez João de Santo Cristo, já bem desconfiando dele. O senador Ney também não dialoga muito com a filha. Quando está no apartamento, fica sozinho na sala, lendo ou ouvindo música, sempre música orquestrada, em contraste com o punk rock que Maria Lúcia ouve bem alto no fone de ouvido no quarto. Ney é o trabalho póstumo do ator Marcos Paulo.

Entre os outros personagens, dá para citar, além dos amigos de Maria Lúcia e dos capangas de Jeremias e de Pablo, o próprio João de Santo Cristo ainda no sertão da Bahia. Mais precisamente em Santo Cristo (Santo Cristo é o nome da cidadezinha, não o sobrenome da família do João). Vemos João criança e depois adolescente, interpretado primeiro por um ator mirim e depois por um ator adolescente, irmão mais velho do ator mirim (dá para deduzir isso lendo os créditos). Vemos também o pai de João (que tem o mesmo destino citado na música) e a mãe de João.

Deve-se exaltar alguns aspectos técnicos do filme. A fotografia é providencial. Provavelmente preferiram reproduzir uma cidade de Brasília soturna e escura, como talvez tivesse sido a cidade de verdade naquela época. Todas as locações do filme estão precariamente mal iluminadas, embora tenham tomado o cuidado de fazer uma boa captação de imagens, para ser possível distinguir tudo em cena, apesar da pouca luz. Estou me referindo à luz das ruas e dos estacionamentos à noite, seja nas miseráveis comunidades nas cidades-satélite, nas diversas cenas de rua no Plano Piloto e mesmo no condomínio onde vivem Ney e Maria Lúcia. Nas cenas diurnas, optaram por uma paleta de cores que combina com a terra batida vermelha típica de Brasília, o que dá para ver até no pôster principal do filme. Também fizeram uma excelente pesquisa para compor os cenários internos: o apartamento de Ney e Maria Lúcia, a mansão de Jeremias, a casa de Pablo, a delegacia de Marco Aurélio, as casas miseráveis onde João viveu em Santo Cristo e em Brasília e a carpintaria em que João trabalhou.

A trilha sonora ficou a cargo de Philippe Seabra. O homem caprichou. Compôs sozinho em casa a maioria dos temas do filme, tocando todos os instrumentos. Na escolha das músicas não originais, escolheu músicas que combinassem com alguns personagens. Escolheu punk rock para Maria Lúcia, música orquestrada para Ney e música disco para Jeremias e suas festas. A banda Aborto Elétrico que aparece no filme está tocando de verdade. Mas é, na não-ficção, a Plebe Rude (a banda do Philippe) com um ator cantando no lugar de Renato Russo, aliás com uma voz bem parecida com a do original.

Por enquanto, é isso que tenho a contar sobre Faroeste Caboclo, o filme. Não contarei mais nada da trama, porque mesmo mantendo origens e destinos finais dos personagens da música original, os roteiristas tiveram o cuidado de refazer toda a história da música de forma a transformar a história em um filme de fato. Não é uma música mal adaptada para filme nem é um videoclipe. É filme com linguagem de filme, pop e ao mesmo tempo denso, cruel e pesado (já disse isso antes). Tem todo mérito para ser classificado como drama, apesar das descaradas influências de recentes filmes de Quentin Tarantino, até na logomarca oficial.

Pretendo conferir esse filme novamente no cinema. Depois ainda virão Blu-ray, TV e o escambau. Ainda devo encontrar muito mais coisas para curtir nesse filme.

Pra arrematar o filme de vez, tiveram o cuidado de colocar a música original inteira tocando com os créditos finais. Ambos durando rigorosamente o mesmo tempo! Ou seja, aqueles antológicos nove minutos e mais alguns segundos.

Como andam dizendo por aí, que venha Eduardo e Mônica!

terça-feira, 4 de junho de 2013

Boas lembranças da época do CD 'Angústia Suprema', do Rosa de Saron


Resposta para Tchelão:

Na história do rock católico brasileiro, esse foi o primeiro disco apenas com músicas boas a ser bem gravado. Um marco histórico, portanto.

O meu é um da primeira prensagem, com digipack e tudo. Comprado junto à Codimuc e enviado pelo correio. Depois comprei nem lembro onde o cassete original pra ficar ouvindo imaginem onde? Num quartel da Aeronáutica! O pessoal da sessão administrativa trabalhando ao som de 'Angústia Suprema'.

A camiseta branca com a capa desse CD comprei na mesma época. Sabiam que ela resiste até hoje? Mesmo com as lavagens? Ê camiseta boa!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Governistas amestrados tem um pretexto para botar inflação na conta do Papa

Com a notícia de que o atacado e o varejo reajustaram os preços de vinhos canônicos, hóstias para missa e de outros artigos religiosos diante da proximidade da JMJ (alguns artigos são produtos oficiais autorizados pela organização do evento), os governistas amestrados podem continuar tirando de Dilma Rousseff e sua equipe de incompetentes e incompetentas qualquer responsabilidade pela inflação. Podem continuar colocando a culpa (literalmente) em Deus e no mundo. Mas não no Deus de Marta Suplicy, obviamente. E, por conta da JMJ, os governistas tem agora um pretexto para botar a inflação na conta do Papa, seguindo os ensinamentos do ex-capitão Nascimento ainda na época de João Paulo II.

sábado, 1 de junho de 2013

"Esperto" mesmo foi Roberto Civita

Resposta para Com Texto Livre:

Esperto mesmo foi Roberto Civita, que deixou para os herdeiros o grupo Abril em mutação, pronto para superar o fim da revista Veja, de outras publicações ou mesmo da Editora Abril. O grupo simplesmente entrou no riquíssimo mercado de livros didáticos. E não duvide nada que já estejam entrando no mercado de 'e-books' didáticos e de aplicativos pedagógicos para toda sorte de apetrechos tecnológicos que estão entrando em salas de aula, como os tablets.

De qualquer forma, o século XXI deverá ser como eram todos os séculos antes do século XX: a pauta do noticiário será definida pelo boca a boca da população, não por centralizadores grupos midiáticos.