Política, cultura e generalidades

sexta-feira, 10 de maio de 2013

'Somos Tão Jovens' é uma boa homenagem


Somos Tão Jovens cumpriu sua missão de homenagear o falecido cantor e compositor Renato Russo. Os produtores do filme tiveram bastante cuidado na escolha e reprodução das locações e do contexto histórico em que se desenvolve a trama: década de 1970 e início da década de 1980. Chegaram ao requinte de colocar a família Manfredini diante da TV vendo Cid Moreira anunciando ao vivo no Jornal Nacional a notícia do assassinato de John Lennon, que deixou Renato Russo bastante deprimido. A trama começa no dia em que Renato Russo é internado com uma rara doença degenerativa nos ossos e cartilagens, que o levou a uma cirurgia de implante de três pinos de platina na bacia e ficar vários meses em tratamento, recluso em casa. Acaba com a Legião Urbana ainda em Brasília celebrando a futura primeira ida da banda ao Rio de Janeiro, para uma apresentação no Circo Voador, que ocorreria mais de um mês depois.

Como dito antes, o filme procura reproduzir situações que inspiraram Renato Russo na composição de suas músicas. Infelizmente, algumas situações me soaram forçadas, como a da festa de aniversário em que Renato teria ouvido falar na expressão "festa estranha com gente esquisita", colocada na música Eduardo e Mônica. São mostradas também as mudanças de Renato quando ele conheceu e se encantou pelo punk rock, a ponto de adotar a mesma indumentária ligada à cultura punk, como roupas rasgadas, pregos e tudo mais. Mostra também Renato na época de Trovador Solitário, já sem a indumentária punk e afirmando que tudo chegava atrasado a Brasília, se referindo ao próprio punk rock e ao posterior fim do punk setentista.

O filme procurou reproduzir um pouco da trajetória da primeira banda de Renato Russo e o início das bandas Plebe Rude, Capital Inicial e Legião Urbana. Outras bandas de Brasília da época são apenas citadas em cartazes ao longo do filme. Há até uma representação da primeira apresentação da Legião Urbana fora de Brasília, em Patos de Minas, ocasião em que a Plebe Rude também fez sua primeira apresentação fora de Brasília. Detalhe: o prefeito fictício que aparece na cena do filme (prefeito que teria reprovado a Legião e mais ainda a Plebe) é interpretado pelo plebeu Philipe Seabra em imperdível ponta.

O filme não apresenta nenhum recurso que oriente os leigos na história de Renato Russo. As legendas do filme são deficitárias, sequer apresentando dados como datas e localizações das cenas. O filme acaba parecendo algo feito exclusivamente para fãs de Renato Russo (e de suas bandas, Aborto Elétrico e Legião Urbana). O mesmo defeito antes visto na cinebiografia de Cazuza. O que não impediu esta cinebiografia de Renato Russo de ter uma excelente estreia, a sexta melhor de um filme brasileiro desde a Retomada. Afinal, se infelizmente Renato Russo partiu cedo demais, seus fãs são milhões e continuam por aí. Inclusive nos cinemas.

Como o filme acaba antes da primeira ida da Legião Urbana ao Rio de Janeiro e está fazendo sucesso, não descartemos futuras continuações.

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