Política, cultura e generalidades

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Rock sempre foi ligado à contestação

Resposta para Diário do Centro do Mundo:

O rock sempre foi e sempre será um gênero musical ligado à contestação. Contestação seja lá a o que for. Desde os primórdios de danças sensuais a contestarem o puritanismo ianque ao rock gospel a contestar o tal do "politicamente correto". Rock não é de direita, não é de esquerda, não é nacionalista, não é internacionalista, não é conservador, não é progressista, não é reacionário, não é capitalista, não é comunista, não é socialista, não é liberal (novo ou velho), não segue o Diabo, não crê em Deus (ou em deuses), não é panteísta nem é ateu. O rock é exatamente o que cada músico, cantor, compositor e fã quiser que seja.

Tenho restrições ao Lobão, embora o considere como músico. Esse saudosismo de 1964 não é algo compartilhável. Mas sei das músicas que ele lançou no mercado independente, longe das gravadoras e da mídia. Uma música como 'Você e a noite escura' de 2005 poderia ser muito bem um sucesso radiofônico, se o rádio brasileiro não tivesse entrado em decadência nos anos 90. Se alguns missivistas só conhecem o que o tão falado PiG (com G de governista ou de golpista, conforme as conveniências) tocou do Lobão nos anos 80, tenho pena de vocês, que só acompanham o que sai na grande mídia. Há poucos anos tive a honra de conversar com Herbert Vianna (a quem Lobão acusa até hoje de plágio) num restaurante carioca. Também ouço os Paralamas até hoje. E olha que, depois de ter composto 'Luiz Inácio (300 picaretas)', Herbert continuou lulista e foi visitar no Palácio do Planalto o presidente Lula, então já aliado dos mesmos 300 picaretas que os dois criticavam nos anos 90. Só que temos que ser civilizados e politizados a ponto de dialogar com as pessoas tanto na concordância como na discordância, sem termos obrigação de aderir a todos em tudo. Artistas como Lobão e Herbert acertam em muitas coisas, e erram em outras. Nenhum de nós pode cobrar dos artistas a perfeição que nós mesmos não temos.

Agora, se Lobão continua tão crítico do atual governo como era do Governo Collor e do Governo Sarney (tanto que fez campanha para Lula ao vivo no Domingão do Faustão), nisso ele continua o mesmo. Não é ele que muda conforme as conveniências. São os governistas adesistas que agora fazem chilique com o que ele fala. Depois é só o Lobão o paranóico! Se ele é tão irrelevante, não precisariam nem lhe dar resposta.

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