Política, cultura e generalidades

domingo, 27 de janeiro de 2013

A sacralização de Lula


Fonte: Grupo de discussão Servidores da Prefeitura do Rio de Janeiro no Facebook:

Marco Aurélio Oliveira

Execrar o Lula eu não o faço. Execro o que é o PT de hoje. Não execro o PT desde sempre. Votei no partido nas eleições anteriores. A gente pode fazer um balanço do que foi positivo nos mandatos dele (Lula) e do que foi negativo. Analisar o que mudou e por que mudou. Execrar, por execrar, sem criticidade, pode nos confundir com certos setores da Direita que, de fato, atacam o partido com interesse de lhe tomar o lugar, sem que isso represente, para o povo, algo melhor. Eu disse certos setores da Direita porque o PT também se aliou a setores da Direita em nome da "governabilidade", o que acho problemático. Os fins, para mim, não justificam os meios, ainda que a retórica oficial (ou vencedora) do partido repita isso, neste momento.

Anderson Alves

Eu achei excelente a sua análise Marco Aurélio Oliveira, apenas não concordando com a ideia de que execrar o Lula ou o PT pode nos confundir com a direita. É que valores como honestidade e retidão de caráter não são atributos atinentes a esta ou aquela tendência política. Na verdade são valores civilizatórios, algo que possibilita que possamos conviver com o mínimo de respeito uns com os outros, ainda que tenhamos ideias diferentes. Por isso, quando um setor da direita ou da mídia conservadora chama a atenção para algo de errado cometido por Lula ou PT, a meu ver, está prestando um serviço de utilidade pública. Não podemos pensar que existam seres humanos que, por seguirem a linha ideológica que defendemos, estejam blindados contra as tentações que o poder pode provocar. Não dá para pensar num "messias desinteressado", alguém que chegue ao poder e vá, por sua livre e espontânea vontade (e bondade), se limitar a ser honesto e correto sem que alguém ou alguma instituição (como a mídia ou a oposição) esteja de olho no que ele vai fazer. Enfim, não dá para acreditar na boa vontade de ninguém, a verdade é essa.

E o que eu vejo atualmente é uma espécie de "sacralização" do Lula, como se ninguém pudesse sequer pensar que ele seria capaz de praticar um ilícito. Quem assim pensar, é de direita ou então se deixou influenciar pela grande mídia. E veja, não é só militante petista que diz isso! Muita gente de esquerda internalizou esta espécie de "miopia", de que Lula é um indivíduo que estaria acima das tentações do poder, alguém perseguido pela mídia apenas e tão-somente por ser um sujeito de origem humilde que chegou ao poder. Eu tenho muita dificuldade em compreender tal raciocínio! E veja a contradição: existe algo mais elitista do que atribuir a alguém o papel de salvador da pátria, de personificação da bondade, ao ponto de nem sequer poder ser investigado? É mesmo um absurdo imaginar que a polícia federal e o MPF possam investigar supostas ligações de Lula com Marcos Valério, por exemplo? O que o torna acima de qualquer suspeita? A sua biografia? A incrível evolução patrimonial do filho de Lula é algo incontestável porque o seu pai é um santo? Eu digo que tal ideia me parece elitista porque me remete, imediatamente, à monarquia, na qual as pessoas podem não ser processadas ou investigadas por conta do título que ostentam. Ora, se vivemos numa república, não somos todos merecedores de igual respeito e consideração? O fato de eu praticar um ato suspeito, ou me relacionar intimamente com alguém que assim o faça, não autoriza que ninguém pelo menos duvide da minha retidão? Eu acho que sim! E o Lula, porque não? Ele não é um nobre e nós não vivemos numa monarquia. Ninguém está acima do bem e do mal, ao ponto de estar protegido por uma espécie de "unção anti críticas". Nenhuma biografia legitima isso.

Marco Aurélio Oliveira

Absurda a sacralização do Lula, sim, sem dúvidas.

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