Política, cultura e generalidades

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Joelmir e Niemeyer: dois pensamentos, dois talentos

Pouca gente ousará escrever um texto como este aqui, ao mesmo tempo sobre Joelmir Beting (falecido no último dia 29) e Oscar Niemeyer (falecido ontem). Normalmente, colunistas e blogueiros só escrevem de maneira neutra sobre duas personalidades tão diferentes quando discordam de ambas em algo. É o meu caso. O distanciamento nos faz enxergar as pessoas sem paixões.

Joelmir Beting era um dos melhores no seu ofício de jornalista. Foi o responsável pela popularização do noticiário econômico. Ninguém lhe tira esse mérito. Antes dele, economia era algo apenas para executivos, banqueiros e bancários, profissionais da administração ou da contabilidade, algumas autoridades do serviço público e da política e para endinheirados em geral. A partir de Joelmir, qualquer pessoa podia aprender noções de economia, desde a macro economia à economia doméstica. Sem a popularização da economia, coisas como o Plano Real não teriam sido possíveis. Nem mesmo haveria coisas insólitas como os "fiscais do Sarney" do Plano Cruzado. Joelmir perdeu bastante da influência sobre a população em geral quando passou a defender políticas neoliberais, notadamente a partir da década de 1990.

Oscar Niemeyer não era só um dos melhores arquitetos do país. Era o melhor de todos. Influência certa para quase todos os colegas de profissão. Era o homem que quebrou a velha lei matemática de que "o caminho mais curto entre dois pontos é uma linha reta". Na maioria de suas obras, as curvas é que resolveriam muitas questões de funcionalidade e de harmonia arquitetônica. Suas obras arquitetônicas ficaram pelo país e pelo mundo afora. Nem todo o sucesso e dinheiro merecidamente ganhos fizeram Niemeyer deixar de se preocupar com um país cheio de injustiça e que tão pouca educação dá aos seus cidadãos, para que surjam outros vencedores como ele. Niemeyer tinha generosidade. Chegou a comprar casas para um ou dois empregados, uma delas projetada pelo próprio arquiteto e construída no Morro do Vidigal. Também ajudou substancialmente amigos em dificuldade, como Luís Carlos Prestes. O problema é que Niemeyer tinha soluções capciosas em mente para o país, e as expunha quando tinha oportunidade. Como era de se esperar, ele jamais convenceu todo mundo com suas ideias comunistas. E não me venham me dizer que nunca houve governo autenticamente comunista e desastroso em parte alguma do planeta.

O ano de 2012 está levando rapidamente grandes talentos do nosso país. Tomara que 2013 traga longevidade para os que ficam e que a partir do ano que vem a educação seja levada a sério neste país, para que as crianças de hoje sejam bem sucedidas no ofício que quiserem exercer.

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