Política, cultura e generalidades

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Carta Capital é o primeiro reduto lulo-dilmista a detectar conservadores assumidos e direitistas assumidos do lado de fora do demo-tucanato


A Carta Capital desta semana está, no mínimo, surpreendente. Li duas matérias citadas na capa. A matéria sobre o Millenium é mais do mesmo que eu venho conversando com os amigos há tempos. Mas gostei mesmo de ver publicada a matéria sobre os conservadores e a direita pós-demo-tucanismo.

A matéria em si é risível. Tem todos aqueles clichês e informações mal apuradas por lulo-dilmistas que intencionalmente não querem que apareça nada além do lulo-dilmismo, do demo-tucanismo ou de qualquer coisa associada a esse infame Fla-Flu político. Se os caras se esforçaram à beça para traçar um perfil perfeito do jocosamente combatido Millenium, o mesmo esforço não foi feito com relação a movimentos políticos conservadores e/ou de direita assumida como os partidos Federalista (que prega a descentralização administrativa), Novo (que usa o lema "gestão eficiente da centro-direita europeia"), Libertários (de tendência libertária com integrantes mais próximos do anarcocapitalismo) e Arena (que diz pretender resgatar a linha ideológica de direita da Arena original num contexto de Brasil democrático), a UCC (União Conservadora Cristã), o Cons (de Conservadores, com várias tendências, todas assumidamente conservadoras) e pelo menos um movimento assumidamente de extrema direita nacionalista: a Resistência Nacionalista. É evidente que a Carta Capital encheria a matéria sobre esses grupos com clichês, informações mal apuradas e ideias preconcebidas, sem considerar as diferenças flagrantes ou sutis entre esses grupos. Pedir que fizessem um retrato fiel desses grupos seria como pedir pra Veja publicar um perfil fiel do PCB e de outras tendências da esquerda mais tradicional.

A Coordenação Nacional do Cons chegou a emitir uma nota oficial de resposta à Carta Capital. Resposta reproduzida aqui:

:: Esclarecimento ::

A revista Carta Capital, um dos redutos “jornalísticos” da esquerda radical brasileira, em sua edição semanal atual, que traz como principal matéria intitulada “A semente reacionária”, com a chamada de capa “A velha cara da nova direita”, onde os mesmos pretenderam abordar o tema "o reaparecimento da direita no Brasil e um perfil dos nossos jovens conservadores", ao citar o CONS e nos fazerem consideráveis menções, cometeram um equívoco que vale uma correção de nossa parte.

Ao citar nosso Estatuto e nossa Carta de Princípios, os jornalistas responsáveis pela matéria, abordam os requisitos para os interessados ingressarem em nossa agremiação com a seguinte inverdade: Para se associar, é preciso... Defender... O Cristianismo; qualquer pessoa que saiba ler, mesmo que com alguma limitação por nem ao menos ter completado o Ensino Fundamental, consultará nosso Estatuto e confirmará que em NENHUM MOMENTO exigimos tal condição. Nenhuma das cláusulas de nosso Estatuto prevê tal requisito.

O que em verdade é ressaltado em nosso documento é Defender o Cristianismo por convicção de fé ou assumir a postura de tolerância religiosa (Artigo 3º, alínea f). Ou seja, nós admitimos e ratificamos nosso fundamento religioso na moral e princípios cristãos, porém, ao ressaltarmos “... ou assumir a postura de tolerância religiosa”, esta claramente referenciado àqueles que não confessam porventura a fé Cristã - mesmo que nenhuma fé confessem - mas que possuam ao menos uma posição passiva e neutra com relação ao Cristianismo ou às religiões de maneira geral.

Lamentamos que os jornalistas responsáveis por tal matéria, além de haverem propositada e claramente se utilizados de jargões desonestos, estereótipos equivocados e comparações descabidas e insinuadas para se referirem aos “embriões partidários” de Direita no Brasil citados no artigo, ainda tenham a desonestidade e caráter questionável de mentirem descaradamente distorcendo a interpretação correta de nossa cláusula como exporto acima.

Grato pela atenção!

Coordenação Nacional
CONS Brasil

O blogue de Luciano Ayan fez uma análise mais precisa da matéria da Carta Capital. Entre erros e acertos, o maior acerto é constatar que a esquerda teme os movimentos que eles classificam como "nova direita", embora haja inúmeras divergências entre esses novos movimentos, que eu mesmo estou constatando. Eu vou mais longe. Embora classifique a matéria como risível, afirmo que a matéria prestou um grande serviço ao futuro pós-Lula, pós-Dilma, pós-PT, pós-esquerda e pós-tudo isso que está aí. Os caras da revista mostraram que existe política fora da ultraesquerda e do Fla-Flu lulo-dilmo-demo-tucanista. Só que não podem atacar um por um todos esses grupos de direita ou conservadores assumidos com os mesmos argumentos que usam contra os demo-tucanos de privatarias mil. Daí o temor. Então partem pra vergorragia desembestada. Esses caras estão com o rabo entre as pernas. E isso é maravilhoso.

Obviamente a Carta Capital ignora a existência de movimentos nacionalistas democráticos distintos de grupos extremistas como o citado Resistência Nacionalista. Seria como abrir a Caixa de Pandora para o lulo-dilmismo. Mas os caras mostraram que estão incomodados com os novos movimentos citados.

P.S: Não digo que todos os direitistas assumidos são de oposição. Já vi alguns que são declaradamente eleitores de Lula em 2002 e 2006 e de Dilma em 2010. E ainda por cima são saudosos do regime militar e eleitores declarados de Aécio Neves, se este for o presidenciável tucano de 2014. São lulo-dilmo-aecistas.

Pelo menos a maior parte da direita assumida que vejo por aí é diferente dos lulo-dilmo-aecistas. São oposição total a tudo que está aí. Tudo mesmo.

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