Política, cultura e generalidades

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Hildegard Angel versus Dom Eugenio Sales (ou "A vingança é um prato que se come frio")


Resposta para Com Texto Livre e Hildegard Angel:

Como diz a sabedoria popular: vingança é um prato que se come frio. E a querida Hilda foi buscar a sua vingança exatamente no portal do Macedão: o R7. Que não perde a oportunidade de fazer guerra corporativa com a concorrência.

Se bem que este país tem a mania de canonizar todo mundo que morre. Só pra contrariar isso é que o texto serviu.

Ainda vou destrinchar cada palavra da querida Hilde. Tou meio sem tempo. Por enquanto, realço apenas algo que o insuspeito professor Chico Alencar disse a respeito de Dom Eugenio: a sua acolhida aos perseguidos políticos dos regimes militares do Brasil e dos países hispano-americanos. Se isso não aconteceu com os membros da família Angel Jones (Stuart e Zuzu), deve-se entender a vingança de Hilde. Ninguém pode critica-la nesse ponto. Não posso dizer que deixaria de agir da mesma forma. Também tenho minhas falhas.

----------

Agora é melhor começar a destrinchar o texto da colunista social Hildegard Angel.

Hilde credita a Dom Eugenio a queda de número de fiéis católicos no Brasil, particularmente no estado do Rio de Janeiro. Nem entrarei aqui na questão da pós-modernidade, essa sim maior responsável pela saída de muitos ansiosos por toda sorte de ventos de doutrina e conveniências. Prefiro dizer que é engraçado Hildegard Angel ter esperado a morte de Dom Eugenio para jogar nele a culpa toda. Como se no restante do Estado não houvesse a atuação de bispos ditos progressistas, mais ao gosto de Hilde. A circunstrição de Dom Eugenio se limitava à cidade do Rio de Janeiro. Os outros 91 municípios estão na circunscrição de outras dioceses, que no século passado foram dirigidas por outros bispos, como Dom Mauro Morelli. Notório militante da Teologia da Libertação.

Hilde alega que Dom Eugenio não abriu as portas de sua residência para ouvir parentes de algumas vítimas do regime militar, como Zuzu Angel, mãe dela e do guerrilheiro Stuart Angel Jones. Se está tudo documentado, devia ter dito isso antes. Oportunidades não faltaram. Podia ter colocado esse tema na época em que foi lançado o filme Zuzu Angel, filme sensacional, que tenho em DVD (cadê o Blu-ray, dona Warner?). Achou melhor começar o velório de Dom Eugenio para levantar o tema no portal do Macedão.

Também é engraçado ver Hildegard Angel contar que houve uma época em que Dom Eugenio mandava para paróquias mais distantes os padres que arrebanhavam mais fiéis. Alega que alguns foram esquecidos, outros entraram em depressão e outros deixaram o sacerdócio. Engraçado porque é exatamente em paróquias estratégicas que estão os padres mais próximos da Renovação Carismática, exatamente os que mais tem juntado gente nas paróquias. Inclusive nas badaladas paróquias da querida zona sul retratada nas colunas de Hilde.

Também é engraçado notar que Hildegard Angel vê o sacerdócio como uma carreira. Lamenta que aqueles padres supostamente punidos por Dom Eugenio deixaram de ter uma "bela carreira no clero". Talvez Hilde prefira os padres carreiristas, como alguns que tem por aí. Alguns que ouvi serem criticados por um dos reitores do Seminário São José na época de Dom Eugenio, o então monsenhor Assis Lopes, mais tarde bispo auxiliar, hoje bispo auxiliar emérito. Alguns deles talvez tivessem sido responsáveis pela diminuição da estrutura de algumas paróquias da zona sul de Hildegard Angel.

Hilde reclama de um monte de normas litúrgicas, mas não acha nada demais um pastor protestante oficiar um casamento católico. Realmente demonstra um profundo desprezo pela liturgia católica. Pra ela tudo vira oba oba, material em potencial para colunas sociais dedicadas ao dia a dia da alta burguesia carioca. Depois diz que é Dom Eugenio que se afastava dos pobres e se aproximava das estruturas de poder.

Ah, chega de citar bobajadas de colunistas sociais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário