Política, cultura e generalidades

sábado, 26 de maio de 2012

A esquerda arrependida de ter eleito Dilma Rousseff


É desconhecimento ou leviandade dizer que toda a esquerda brasileira está contente com o Governo Lula-Dilma. Nesta semana que passou, acompanhei as postagens e tuítes do ativista Raphael Tsavkko, com certeza o esquerdista mais indignado com o Governo Lula-Dilma que já conheci em doze anos de jornada internáutica. Raphael é militante de movimentos sociais e não é vinculado a partido algum. Mesmo os de ultraesquerda, como o PSOL. Ele fez campanha para Plínio Sampaio no 1º turno de 2010. No 2º turno, fez campanha para Dilma. E já no início de 2011, começou a destilar toda a sua frustração, indignação e raiva da presidenta incompetenta, se lixando para a possibilidade remotíssima de o presidente eleito em 2010 ter sido José Serra, tucano tão neoliberal quanto a petista. Tsavkko é aliado de movimentos classistas, como o movimento GLBTT, e reclama pra caramba porque Dilma fez promessas vãs para esse grupo e agora dá prioridade para toda a sorte de picaretas pentecostais.

Pombas, mas foi essa putada toda da esquerda brasileira que encheu o saco no 2º turno de 2010 com slogans e palavras de ordem tipo "Agora é Dilma". Tsavkko tem ao menos dignidade em dizer que errou ao ter feito isso. Reconhecer um erro é próprio dos homens e mulheres de caráter. De modo que esquerdistas que admitem os próprios erros tem o meu respeito. Embora eu discorde dessa gente muitas vezes. Outros esquerdistas já admitiram o mesmo erro. O restante continua aplaudindo o governo neoliberal de Lula e Dilma, que pra escapar da raquítica direita golpista (que só consegue fazer masturbação ideológica entre eles mesmos, sem ameaçar o poder lulo-dilmista) se alia à direita fisiológica (PMDB à frente), ao invés de se aliar à população que elegeu Dilma Rousseff. Se aliar à população brasileira não é do feitio de quem despreza a soberania nacional.

Esta eleição municipal de 2012 enterrará o pouco de dignidade que ainda resta (?) na esquerda lulo-dilmista, que marchará ao lado de candidatos a prefeito da direita fisiológica em inúmeras cidades grandes do país. Tenho certeza que não restará dignidade alguma para 2014. Portanto, vou logo avisando aos amigos leitores: não me peçam voto para candidato algum de 2012. Aos ainda lulo-dilmistas, os rompidos com o lulo-dilmismo, os que romperam mas ainda se escondem e os que ainda pensam em romper: não se metam a besta de me pedir votos para essa senhora incompetenta que ocupa a Presidência da República. Nem no 1º nem no 2º turno. Nem me peçam votos para Lula em 2018, ou em 2014, se ele não quiser esperar até 2018 para reemplacar o megasucesso "Lula Lá". Os lulo-dilmistas não se preocupem. Lula e Dilma não precisam de meu voto para se elegerem, seja em 2014, 2018 ou em 2022. Nessas três eleições, eles aniquilarão a concorrência. Inclusive todos os demo-tucanos que aparecerem. Seja José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Never (ou Aécio Neves, como queiram), Beto Richa ou qualquer outro que apareça.

Na hipótese remota de os lulo-dilmistas não aniquilarem a concorrência e perderem o Governo, danem-se eles.

A ultradireita e a extrema direita (aqueles que consideram até o PSDB e José Serra como de esquerda) não tem representação partidária nem votos. Mesmo que tivesse algum partido, não teria nem como ir para o 2º turno, como já aconteceu na França.

Os nacionalistas também não tem representação partidária. Eu bem sei disso. O nacionalismo está longe de suplantar o neoliberalismo, o socialismo, o lulo-dilmismo, o fisiologismo e mesmo o ainda resistente (em alguns governos estaduais e municipais) demo-tucanismo. Quem sabe um dia eu assista isso? Eu só tenho 37 anos...

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