Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A carranca esquecida de FHC

Em algum lugar deste blogue ou do outro que extingui, disse há anos atrás que sou favorável à regulação da mídia, sem que se isso se constitua em alguém (notadamente o Governo Federal) liderando um processo de censura. Regulação da mídia é criar regras. Como as que existem em alguns países, uns mais democráticos que o Brasil e até outros no mesmo nível. Regras tipo: quem tem jornal de grande circulação numa cidade não pode ter rádio ou TV aberta na mesma cidade, quem tem TV não pode ter rádio ou jornal, quem tem rádio não pode ter TV ou jornal, os veículos devem reservar como espaços exclusivos para suas opiniões apenas os editoriais, e o restante da publicação ou programação deve retratar todos os fatos e versões sem editorialização, o direito de resposta deve ser garantido sem muita burocracia e sem protelações, e assim por diante.

Agora vejo a mídia progressista (uns querendo a regulação como deve ser, e outros querendo censura, sem assumir, obviamente) receosa porque FHC também assumiu o discurso pela regulação da mídia. Só alguns são dignos de nota. Exatamente os que querem regulação sem censura, assim creio. Um dos primeiros (ou talvez o primeiro) a comentar isso foi Venício Lima em entrevista à Carta Capital. Alexandre Tambelli teve seus comentários a respeito publicados no blogue Com Texto Livre. Outro Alexandre, o Figueiredo, deixou seus comentários no próprio blogue.

Em síntese, eles disseram que FHC deve estar sinalizando um anseio da ala neoliberal da mídia em tomar o protagonismo da regulação da mídia para controlar o quê eles perderão ou não no processo. Mudar tudo para que não mude nada. Ou, como diriam décadas atrás, fazer a revolução antes que o povo a faça.

Nada tenho a acrescentar ao que eles todos disseram. Apenas digo que o patético príncipe do neoliberalismo deve ter defendido a regulação da mídia só porque deve estar com saudade do tempo em que sua carranca estava diariamente em toda a mídia amestrada, inclusive na vitrine maior: o Jornal Nacional. Então defende a regulação da mídia para que, quem sabe, ele e sua patota voltem a frequentar diariamente (não esporadicamente) a mídia. Depois que os supremos líderes do neoliberalismo se serviram de FHC por oito anos, descartaram sua carranca como se descarta um bagaço de laranja sem suco. Hoje o que aparece diariamente é a carranca de dona Dilma. A de Lula aparece dia sim, dia não, pois o homem é continuador de algumas políticas neoliberais de FHC e é muito mais midiático que o príncipe dos neoliberais. Até cinebiografia da Globo Filmes fizeram do homem. E mesmo assim sua cinebiografia perdeu nas bilheterias para a de Chico Xavier, que é muito mais competente na tarefa de derrotar Lula que qualquer tucano.

FHC deve estar cansado de ficar restrito a espaços apreciados apenas por intelectualóides ou elitistas como ele. Espaços como sua coluna em O Globo.

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