Política, cultura e generalidades

terça-feira, 8 de maio de 2012

Beijo gay pode. Beijo hétero? Ih, isso não te pertence mais!

Outro dia enviei para o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) uma manchete no mínimo provocativa: "Bar gay proíbe que casais héteros se beijem no local". E fiz a pergunta: Jean Wyllys ficará quieto? Fiz a pergunta na certeza de que o parlamentar ficaria quieto, em sua empáfia militante. Dito e feito.

Eu digo que o que é permitido para um grupo social deve ser permitido para todos, e o que é proibido para um grupo social também deve ser proibido para todos. Ou todos podem beijar da maneira que bem entenderem (beijo de língua, beijo desentupidor de pia, etc), ou só podem dar bitoquinhas, ou só podem dar beijo na bochecha e outros lugares não íntimos, ou ninguém pode beijar. O raciocínio é o mesmo para outras demonstrações de relação interpessoal em lugares públicos e estabelecimentos comerciais, que não podem fazer distinção de pessoas.

O absurdo que acontece nesse bar causou indignação em integrantes sérios da militância GLBTT. Se pregam que os homossexuais devam ser acolhidos pela sociedade em geral sem serem agredidos, assassinados, forçados a mudar de sexualidade ou eufemisticamente convidados a se retirarem, não podem querer que outros segmentos sociais sejam tratados de forma semelhante.

Só que o nosso famoso ex-BBB é do tipo de gente que deve achar que seu grupo social deve se sobrepor aos demais. Acredita que são seres imaculados, puros, intocáveis, a próxima escala da evolução da espécie humana, tal como a Irmandade de Mutantes da franquia X-Men. Qualquer discordância por mínima que seja é taxada de homofobia. Homofóbico é a nova palavra da moda para taxar desafetos, assim como a palavra malufista nos anos 80, utilizada até por músicos e cantores do primeiro Rock in Rio para responder às vaias de parte da plateia.

Os proprietários desse bar gay teriam feito sucesso na África do Sul no tempo do apartheid, onde havia restaurantes para brancos, restaurantes para negros, ônibus para brancos, ônibus para negros, escolas para brancos, escolas para negros...

Vamos defender Jean Wyllys daqueles que ameaçam sua vida e sua integridade física. Aproveitemos a oportunidade para rechaçar seu conveniente silêncio diante de discriminações contra grupos sociais diferentes daqueles que ele representa com exclusividade na Câmara dos Deputados. Já que defender a sociedade como um todo e a soberania nacional estão longe de sua ação política.

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