Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A farsa da migração de rádios AM para o FM

Uma das coisas mais comentadas nos fóruns radiofônicos é a suposta migração das rádios AM para o FM. O que há, na verdade, é a repetição simultânea da programação de rádios AM por algumas FMs, e o nascimento de rádios AM direto no dial FM, sem jamais terem ocupado espaço no dial AM.

Os casos mais festejados de "migração de rádios AM para o FM" são os das rádios CBN AM 860, Super Rádio Tupi AM 1280 e Rádio Globo AM 1220. Só que nenhuma dessas três jamais migrou de uma faixa para outra. Ou seja, da faixa AM para a faixa FM. As três conseguiram espaço no dial FM e passaram a usar canais de FM para repetir integralmente a mesma programação que transmitem nas frequências originais de Amplitude Modulada. A CBN desalojou a Globo FM 92,5, que como a Rádio Globo e a CBN, pertence ao Sistema Globo de Rádio (SGR). A Tupi desalojou a Nativa FM 96,5, outra rádio Associada que, para não sair do ar, arrendou a Antena 1 FM 103,7. Por fim, a Rádio Globo arrendou a antiga frequência FM 89,3 (atual FM 89,5) da Nova Brasil FM, que antes da Globo estava arrendada para a Nossa Rádio FM.

Há ainda o caso de três rádios AM que nasceram direto no FM, sem jamais ocupar a faixa AM: a Catedral FM 106,7, a FM 104,5 da Igreja Universal (que arrendou o antigo canal da Tropical FM de Armando Campos) e a Band News Fluminense FM 94,9. Portanto, não houve migração de rádios AM para FM, neste caso. Se bem que a Catedral FM é uma legítima sucessora de outra rádio arquidiocesana, extinta há décadas: a Rádio Vera Cruz AM.

O dial AM tem ainda várias rádios que não migraram para o FM: Fluminense, Relógio, Copacabana, Rede Sucesso, Manchete, MEC AM, Tropical AM, Tamoio, Rádio Brasil, Record, Capital, Canção Nova, Metropolitana, Nacional, Mundial, Boas Novas, Bandeirantes, Rio de Janeiro, Rádio Livre, Rádio Popular, Continental e Grande Rio. É provável que ninguém me convença que todas essas rádios tenham condições de terem repetidoras no FM ou de migrarem para o FM. Não há espaço no dial FM para tanta rádio, mesmo que acabem com todas as atuais rádios FM. Não no atual rádio analógico. E mesmo porque, dessas rádios AM, as que não são mantidas por governos ou por igrejas ou outros grupos confessionais mal tem condições de se manterem no ar no AM, que dirá de migrar para o concorrido dial FM ou de ter repetidora no FM.

Ainda não houve no Rio um caso de autêntica migração de rádio AM para o FM como houve com a CBN de Brasília. Por lá, a rádio começou transmitindo apenas na frequência própria AM 750. Depois desalojou a Globo FM local que operava em FM 95,3, fazendo dela sua repetidora. Mas depois vendeu o canal AM para a Jovem Pan e, aí sim, migrou de vez para o FM, após o período de transmissão simultânea em AM e FM.

Publicado originalmente no TVs do RJ.

Nenhum comentário:

Postar um comentário