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domingo, 8 de abril de 2012

Be Here Now: o subestimado álbum do Oasis


Por conta da primeira apresentação solo de Noel Gallagher no Rio de Janeiro marcada para 3 de maio, estou ouvindo pela primeira vez toda a discografia de sua extinta banda Oasis. O novo disco solo de Noel (High Flying Birds) comprei outro dia, e ainda pretendo comenta-lo por aqui. Por hoje, pretendo comentar sobre o álbum mais subestimado da discografia do Oasis: Be Here Now.

Na época deste disco, o Oasis já era um dos grandes medalhões da história do rock. Estava vindo de turnês bem sucedidas e dois discos iniciais com milhões de cópias vendidas em todo o mundo: Definitely Maybe e (What's the Story) Morning Glory?. Discos que sozinhos seriam suficientes para colocar o Oasis na história do rock mundial. Por outro lado, a banda já estava sendo assediada pela mídia e pela imprensa (inclusive a sensacionalista), por causa de várias polêmicas e das já constantes brigas entre os dois líderes da banda: os irmãos Noel e Liam Gallagher.

Este disco Be Here Now enfrentou problemas desde a composição. Até este disco, Noel Gallagher compunha sozinho todas as músicas do Oasis. Só depois é que Liam e outros integrantes tiveram chance de emplacar composições nos discos da banda. Seis meses após o lançamento de (What's the Story) Morning Glory?, Noel tinha composto apenas um riff de guitarra. Nenhuma música completa. Para fazer as músicas de Be Here Now, Noel teve que fazer uma rotina disciplinar de composição. A maioria das músicas foram compostas num período de férias, hospedado numa casa de Mick Jagger. Na gravação do disco em si, a banda procurou fugir do assédio da imprensa e dos fãs. Tanto que deixaram o estúdio Abbey Road (onde pretendiam fazer o trabalho todo) e terminaram os trabalhos em estúdios menos badalados. A banda também se prejudicou com a cocaína, na época.

Para o disco, Noel compôs apenas canções em cima da velha estrutura dos hinos do rock: verso típico - refrão - verso - refrão, com longos trechos instrumentais no meio e no fim de várias faixas. Na longa faixa All Around the World (a maior do disco, com 9 minutos e 20 segundos), Liam cantou longos "na na na" nesses trechos sem letra. O disco é muito criticado exatamente por conter faixas longas demais. São 12 no total, sendo que apenas três delas tem menos de 5 minutos de duração. Outras críticas que fazem são quanto ao excesso de produção e pelo fato de não haver sentido amplo para nenhuma das letras do disco. Definitivamente, este disco frustrou muita gente que estava mal acostumada com os dois primeiros da banda e esperava muita coisa deste Be Here Now.

Até hoje alguns integrantes da banda na época dizem não ter boas lembranças deste disco. Principalmente por causa do vício da cocaína. Noel Gallagher chegou ao ponto de não colocar nenhuma música do Be Here Now na coletânea Stop the Clocks. Às vezes Noel diz que as músicas que fez foram "uma merda" e que as gravações também foram "uma merda".

Eu prefiro destacar os aspectos positivos do Be Here Now. Foi o segundo da banda que adquiri, depois de ter adquirido o The Masterplan (coletânea de lados B). Be Here Now não tem a música que julgo ser a melhor do Oasis: Don't Look Back in Anger, que pertence ao (What's the Story) Morning Glory?. Nem tem a música que mais gosto de ouvir deles: Acquiesce, motivo que me levou a comprar o The Masterplan em primeiro lugar. Mas se há quem reclame que Be Here Now não tem letras com sentido amplo, eu digo que o disco todo é coeso. Foi concebido para ser uma coisa só. Não tem aquela cara de coletânea greatest hits dos discos anteriores, apesar de este ter pelo menos quatro sucessos da banda: D'You Know What I Mean?, Stand by Me, All Around the World e Don't Go Away. Todas as faixas se encaixam numa sequência perfeita, mesmo tendo diferenças entre elas. As letras são interessantes. Outro aspecto que gosto do disco é o jeitão de épico que a banda quis imprimir, apesar de as letras não terem sido compostas para tal. O tamanho grande das faixas permitiu toda sorte de experimentações. Há até um pequeno número de jazz no final de Magic Pie. Noel Gallagher teve a ideia de colar várias camadas de guitarras. Algumas músicas tem cerca de 30 gravações de guitarra de Noel simultaneamente. Imagine só uma orquestra de 30 guitarristas tocando a mesma música. O resultado seria semelhante.

Há quem diga que a banda se descontrolou na gravação deste disco, ficando desleixada, mesmo. Muito por causa das drogas, às vezes consumidas no estúdio. Só que a banda teve muita sorte. O resultado que poderia ser temerário foi um disco excelente.

Be Here Now é um disco pra ser ouvido com tempo sobrando, porque é longo demais para um disco de inéditas de estúdio (71 minutos e 38 segundos). E é melhor se ouvido completamente, do início ao fim. Também é pra ser ouvido na sequência original e sem ideias pre-concebidas sobre o Britpop ou sobre o Oasis. Pra quem ouvir o disco desta maneira, há grande chance de gostar e de satisfazer com uma boa audição. A não ser que realmente não goste de Britpop nem do Oasis. Aí o recomendável é nem começar.

Em 1998, ano seguinte ao lançamento de Be Here Now, o disco foi eleito pelos leitores da revista Q como o décimo-terceiro maior álbum de todos os tempos. Título merecido.

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