Política, cultura e generalidades

sábado, 10 de março de 2012

A polêmica do (agora, sim, definitivo) fim do Barão Vermelho


A polêmica estourou há alguns meses no Orkut, onde fãs do Barão Vermelho comentaram que o cantor e músico Frejat anunciou (conforme registrou O Globo) que a formação original do Barão Vermelho (exceto Cazuza, falecido em 1990) está remixando e remasterizando o LP (revertido para CD desde 1994) de estreia da banda, de 1982, incluindo duas faixas inéditas encontradas nos arquivos da Som Livre: uma versão antiga de Nós (gravada posteriormente no LP Maior Abandonado, de 1984, com outro arranjo) e uma composição inédita. Segundo Frejat, a formação atual da banda fará uma turnê comemorativa dos 30 anos do disco de estreia, e depois será extinta. Definitivamente. Atualmente, Frejat se dedica também à sua nova turnê solo, A tal felicidade, em que faz releituras de sucessos de mestres da MPB, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gonzaguinha, Tim Maia e contemporâneos de geração como Renato Russo e o já citado Cazuza.

O anúncio do (agora, sim, definitivo) fim do Barão Vermelho deixou alguns fãs da banda comovidos, e alguns até revoltados com Frejat, como pode ser observado neste tópico de comunidade sobre a banda.

O que os críticos do Barão Vermelho e principalmente do Frejat não reconhecem é que os caras não tem obrigação de manter a banda, se não estão mais a fim. Eles já fizeram tudo que queriam com a banda, artisticamente e musicalmente falando. Os cinco estão com ideias novas apenas para suas carreiras e trabalhos solo. Nem é adequado que continuem com a banda. Melhor que levar o Barão adiante se arrastando decadente por décadas é encerrar a jornada agora mesmo e cada um seguir sua vida. Os barões com seus trabalhos individuais e os fãs curtindo o que eles deixaram de gravações de áudio e vídeo. Além das lembranças das apresentações ao vivo.

Juntem tudo isso ao fato de o Barão ter perdido durante o segundo recesso da banda o seu maior incentivador: o produtor Ezequiel Neves, que morreu em 7 de julho de 2010, exatamente 20 anos depois da morte de Cazuza. Ezequiel recebeu o apoio de Frejat em seus último ano de vida, ano em que o veterano produtor se tratou do tumor cerebral que acabou matando-o.

Ezequiel Neves foi produtor de todos os discos do Barão Vermelho. Foi também um dos que incentivaram a banda em 1985, quando eles sofreram com a saída de Cazuza e Frejat teve que assumir o posto de vocalista. A turnê do LP Declare Guerra (1986) não ia bem, e o disco foi um fracasso de vendas, muito por culpa da fábrica, que imprimiu um defeito em todas as cópias do vinil, tornando impossível aos toca-discos nacionais tocarem o sucesso Declare Guerra. Num dos shows, quase não havia plateia. A banda estava cabisbaixa no camarim, ameaçando largar tudo ali mesmo, e recebeu um sonoro esporro de Ezequiel Neves, bem ao seu estilo. Falou algo como "vocês vão lá no palco agora e vão dar um show do caralho pra ninguém!". A turnê do LP Rock'n Geral (1987) também não foi como esperado, e o disco também não vendeu o que a gravadora Warner queria. A banda foi pros estúdios gravar o disco Carnaval (1988) cheia de inspiração, mas temendo ter que encerrar a carreira, após o terceiro fracasso consecutivo. Alguns integrantes da banda estavam até com dificuldades financeiras em casa. Só que o disco foi um fenômeno (é o melhor da carreira da banda), vendeu bem e rendeu uma bem sucedida turnê nacional, que resultou na gravação do LP Vivo (1989). O disco Carnaval marcou a sonoridade que a banda manteria por anos a fio, além de trazer a estreia em disco do Barão dos músicos Peninha e Fernando Magalhães, na época músicos contratados, futuramente membros efetivos do Barão.

Curiosamente, o disco e a turnê Carnaval foi de 1988, mesmo ano em que o ex-vocalista Cazuza teve o auge de sua carreira: o LP Ideologia, que também resultou numa vitoriosa turnê e no consequente LP ao vivo, O tempo não pára (1988), gravado no histórico Canecão, hoje extinto.

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