Política, cultura e generalidades

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Homem de Ferro 2

Já devia ter escrito um texto específico sobre o filme Homem de Ferro 2. Assisti tanto este como o primeiro no cinema, e assisti várias vezes o segundo no canal Telecine. O primeiro foi bom. Mas o segundo se tornou um de meus preferidos, e aprendo a gostar mais a cada vez que assisto na TV, inteiro ou em trechos, pois às vezes o filme já está passando no canal, quando o sintonizo.

Ao meu ver, Homem de Ferro 2 é o melhor filme produzido pela ainda novata empresa Marvel Studios, responsável pelos dois filmes do Homem de Ferro e também por O Incrível Hulk, Thor, Capitão América: O Primeiro Vingador, Os Vingadores (previsto para 2012) e Homem de Ferro 3 (previsto para 2013). Há quem diga que os personagens Nick Fury e Viúva Negra podem ganhar filmes solo, também.

Originalmente, o personagem Homem de Ferro era o personagem mais comprometido com a problemática política belicista e intervencionista americana. Trata-se do multimilionário cientista e industrial americano Tony Stark, herdeiro do também cientista e industrial Howard Stark. Ambos são nomes históricos na indústria armamentista mundial, sendo que a Stark Industries foi uma das mais antigas (talvez a maior) fornecedoras de armamentos para as Forças Armadas americanas e de países com governos aliados ao americano. Howard foi um dos cientistas participantes do projeto da bomba atômica nos Estados Unidos. Nem preciso lembrar o que esses caras fazem com quem atravessa o caminho do governo americano...

Só que esse personagem Homem de Ferro, ao menos nesses filmes novos, tem sido transformado num ícone pop, mais do que já era no tempo dos primeiros quadrinhos. A história do sequestro de Tony Stark teve várias versões. No primeiro filme novo, ele foi vítima de um grupo paramilitar (supostamente do Oriente Médio) chamado Os Dez Anéis, que era, inclusive, comprador de armamentos da Stark Industries no mercado negro. Sequestraram Tony para obriga-lo a construir para eles um míssil Jericho, novo modelo da Stark Industries. Só que eles foram enganados. Tony produziu a primeira armadura de ferro, com a qual escapou vivo dos sequestradores. Depois o personagem mandou suas indústrias deixarem o mercado armamentista e resolveu colocar sua armadura e seus conhecimentos científicos a serviço apenas do combate a vilões com índole destrutiva e dominadora, a fim de ajudar a criar uma utópica paz mundial.

Há também o aspecto de o Homem de Ferro não ser um personagem com superpoderes. Ele está na categoria de homens comuns que precisam usar equipamentos, como faz o Batman, personagem da DC Comics, rival da Marvel Comics.

A trama do primeiro filme Homem de Ferro força um pouco a barra. A do segundo, sim, tem roteiro melhor. Assim como o primeiro filme, este tem boas atuações e boa fotografia. O filme é até visualmente bonito. E tem uma trilha sonora arrebatadora, cheia de guitarradas mil, contendo até composições específicas para o filme, não se limitando ao rock clássico de bandas como AC/DC, Queen e The Clash. A trilha sonora própria do filme tem músicas gravadas em Abbey Road por uma orquestra sinfônica, com direito às famosas guitarradas, a cargo do Tom Morello (aquele do Rage Against the Machine). Há também a música Rock, Robot Rock (do Daft Punk) e várias do AC/DC, que chegaram a gravar um CD com as músicas deles no filme.

Pra resumir a trama toda, basta dizer que agora Tony Stark está mais interessado em ciências que em fornecer armamentos. Chega a recriar a Expo Stark, feira de ciências criada pelo pai. E contribui pessoalmente para evitar conflitos armados pelo mundo afora, não mais para promove-los. Só que o governo americano (com a ajuda de um senador federal) quer confiscar as armaduras do Homem de Ferro. Ainda mais depois que descobrem que Ivan Vanko (cientista e filho de Anton Vanko, cientista russo e ex-aliado de Howard Stark) copiou a tecnologia do reator arc, que é o que fornece a energia para armaduras como as do Homem de Ferro. Ivan Vanko já havia cumprido pena de detenção na Rússia por ter vendido plutônio no mercado negro. Pra piorar as coisas, o industrial bélico Justin Hammer (rival de Tony) contrata Vanko para desenvolver armaduras de combate com reatores arc, a fim de vender para o governo americano.

O mais interessante deste filme (e também do que o antecedeu) é que ele coloca para todos os personagens (mesmo o Homem de Ferro) dilemas morais e éticos sobre dominação, ética científica e o velho dilema paz & guerra. Esses filmes não são simples, apesar de serem meros filmes-pipoca arrasa quarteirão. Deixam muitos questionamentos, e dão margem a várias respostas. Só as pessoas de boa índole podem imaginar soluções inquestionáveis a serem adotadas por pessoas da vida real que lidem com dilemas semelhantes.

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