Política, cultura e generalidades

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Agora a inútil Campanha da Fraternidade é sobre saúde pública

Escrevo este texto antes de ler qualquer coisa a respeito da Campanha da Fraternidade 2012. Não preciso deles para dizer o que digo desde que comecei a escrever ainda no meu primeiro blogue: essas Campanhas da Fraternidade da CNBB já deveriam ter acabado há muito tempo. O motivo principal é que a sociedade brasileira espera que entidades católicas como a CNBB e as dioceses católicas aproveitassem seus períodos de ápice no ano (a Quaresma e a Páscoa) para reafirmarem suas crenças atemporais. Aquelas crenças que não mudam conforme o tempo e o espaço. Sobretudo a crença na paixão, na morte e na ressurreição de Jesus Cristo. Verdades fundamentais que são eclipsadas a cada nova Campanha da Fraternidade. O nome de Jesus é o que menos se lembra nessas campanhas. Acredito que até os fiéis de outras crenças, os ateus, os agnósticos e os laicistas esperam que a Igreja se atenha ao trabalho para a qual foi criada originalmente. Boa parte desse povo não admite diálogo. Querem a Igreja na dela e eles na deles.

Essas campanhas não são eficazes sequer para fazer aquilo a que se propõem: discutir temas seculares de interesse da sociedade em geral. Fora da mídia católica, as campanhas geram apenas algumas pequenas manchetes de Terça-Feira Gorda e de Quarta-Feira de Cinzas na imprensa secular. Além do mais, as pessoas que optam por não serem católicas não abrem mão de tempo sequer para tomar conhecimento de tais campanhas, que dirá acompanhar e participar dos debates propostos.

Se é para falar de saúde pública, eu sei alguma coisa sobre o tema. Duvido que a Campanha responsabilize nominalmente presidentes, presidentas, governadores, governadoras, prefeitos e prefeitas pelo caos na saúde pública, pelos impostos e contribuições compulsórias (vide CPMF) que não vão para a destinação final, pela falta de material, pelo mau atendimento, pela falta de condições de trabalho, pela falta de pessoal e do pessoal, pelo desprestígio dos servidores que efetivamente trabalham, pela entrega de unidades de saúde a OSs e OSs como eufemismo para privatização da saúde pública...

Dediquei oito anos e meio de minha vida combatendo a dengue na cidade do Rio de Janeiro. Juntando o desprezo de parte da população carioca ("Seu trabalho não adianta nada", "você devia ir na casa aqui do vizinho", fora as vezes em que não me deixaram fazer ou completar o serviço), o desprezo da chefia que tomava decisões tacanhas, a metodologia errada do trabalho oriunda do Ministério da Saúde e da Secretaria e o pouco poder decisório que eu e meus colegas agentes de saúde tínhamos, posso dizer que vi o caos na saúde pública por dentro.

Um comentário:

  1. Eu discordo que a igreja não deva realizar a campanha da fraternidade. Quaresma é tempo de conversão, mudança. Sendo assim, se o tema for algo que leve à melhor prática do cristianismo, ao amor pregado por Jesus, estará fazendo o que deve. Lembro que certa vez a campanha foi sobre os excluídos, acho que tem uns 16 anos. Participei de várias atividades litúrgicas representando um dos excluídos, os doentes (no caso, os que têm HIV), havia ainda a criança, idoso, negro, índio, criança, idoso, trabalhador braçal, entre outros. Se tivermos tocado apenas o coração de uma pessoa, já terá valido! A fé em Cristo, Princípio e Fim, é pregada em todos os eventos do perído, nas procissões, vias sacras nas ruas, nos belos momentos da ligurgia onde se afirma, no Sábado Santo, que Cristo é ALFA e ÔMEGA, PRINCÍPIO e FIM. A igreja não deve se meter em política, mas o catolicismo dos atos é tão importante quanto a fé, afinal, "A FÉ SEM OBRAS É MORTA".

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