Política, cultura e generalidades

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Cesar Maia com Garotinho, Eduardo Paes com Lula, Dilma e Cabral... Alguém tem um saco de vômito?

Embora esteja há 37 anos a bordo deste planeta, ainda fico embasbacado com a capacidade que alguns políticos tem de fazerem acordos de arrepiar até os cabelos mais íntimos. Outro dia mesmo os caciques do DEM e do PR do Rio de Janeiro se aliaram para disputar as eleições municipais no Estado em 2012. Na capital, farão a proeza de lançar uma chapa das mais indigestas: o deputado Rodrigo Maia (filho do ex-prefeito Cesar Maia) para prefeito e Clarissa Garotinho (filha dos ex-governadores Anthony e Rosinha) para vice-prefeita.

Como sabemos, a capital é governada por um adversário político ferrenho de Cesar Maia (seu ex-guru) e Garotinho: o peemedebista Eduardo Paes. Mesmo sendo um peemedebista de alma demo-tucana, a presidenta Dilma e seu antecessor Lula vivem aos sorrisos e abraços com o atual parceiro político do governador Sérgio Cabral Filho.

Só que essa chapa Rodrigo-Clarissa está fazendo muita gente boa perder a cabeça. Há mesmo quem não goste de Eduardo Paes disposto a reeleger o alcaide só por causa dessa chapa demo-republicana. Pombas, gente. Se for para apenas votar contra o prefeito, não faltarão opções. E gente que tem ao menos vergonha na cara e um tiquinho de dignidade suficiente para seguir trajetórias políticas lineares, na vitória e na derrota. Como Otavio Leite (que sairá candidato pelo PSDB sem coligação) e alguns caras da ultraesquerda, que sempre lança candidatos em todas as eleições.

Eu digo que, desses candidatos todos, os melhores serão os derrotados. Porque quem perde eleição não faz merda nenhuma no Governo. Só quem pode fazer merda no Governo são os eleitos e seus nomeados políticos.

De minha parte, me mantenham fora de qualquer envolvimento com campanhas para prefeito, nem se metam a besta de pedir voto para qualquer estrupício desses citados aqui. Enquanto não houver um partido nacionalista e democrático disputando eleições, pretendo não mais declarar voto pra cargo executivo algum, nem fazer campanha pra candidatos a presidente, governador ou prefeito.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Será que a Canção Nova AM ainda toca 'Mexicoração'?

Lembro que, durante anos, a Rádio Canção Nova AM 1020 de Cachoeira Paulista tocava uma antiga vinheta no seu noticiário, quando dava notícias sobre a Copa do Mundo ou sobre a Seleção da CBF. A questão é que a vinheta trazia como trilha um antigo e ufanista jingle da Rede Globo alusivo à Copa 1986 chamado Mexicoração, como toda aquela patriotada de torcida pela seleção do Telê Santana, etc. Mexicoração é uma evidente junção da palavra México (país sede da Copa 1986) com coração, além de ser um trocadilho com o que seria a expressão 'mexe, coração'.

Eu lembro que até meados da década passada (não faz tanto tempo assim), sintonizei a rádio pela última vez e ela ainda tocava a tal vinheta com o jingle Mexicoração. Será que ainda tocam?

Se tocam, tá na hora de vocês aposentarem essa vinheta, não é mesmo, amigos da Rádio Canção Nova? A não ser que vocês queiram impor alguma espécie de penitência para os ouvintes.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Será que dublarão 'O Artista'?

Os estrupícios continuam implantando cada vez mais filmes e seriados gringos dublados na TV paga, muitas vezes sem darem o segundo canal de áudio original e as legendas opcionais (coisa fácil com a atual tecnologia da TV), fazendo a alegria dos que não querem ler legendas, por preguiça de ler (será que tem preguiça de ler livros?) ou, quem sabe, por não saberem ler nem em português, apesar dos "ENORMES" esforços governamentais para erradicar o analfabetismo. Assinantes e portadores de deficiência auditiva que precisam do recurso das legendas acabam se danando, com uma TV paga igualzinha à paupérrima TV aberta.

Vai que daqui a pouco os estrupícios que dirigem os canais de TV paga resolvem dublar até o filme O Artista, vencedor de cinco estatuetas do Oscar 2012, entre elas a de melhor filme e melhor ator para Jean Dujardin. Alegando que o povo não gosta de ler legendas.

É melhor eu ficar quieto. Vai que os estrupícios leem meu blogue e resolvem seguir a ideia...

P.S: Para a maioria dos cineastas americanos, parece ser mesmo a hora de voltar a fazer filmes mudos. Nos últimos anos eles não tem tido nada relevante a dizer.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Até a Igreja se beneficia da separação entre Igreja e estados nacionais

É isso que vem em mente quando analiso um dos documentos do Concílio Vaticano II. O decreto Christus Dominus (sobre a função pastoral dos bispos na Igreja) reafirma uma antiga reivindicação da Igreja: de que a escolha e nomeação dos novos bispos da Igreja seja exclusividade da autoridade eclesiástica, que neste caso vem a ser atualmente, única e exclusivamente o Papa. Assim está escrito no item 20 do Christus Dominus:

O Concílio declara que o direito de nomear e constituir bispos é próprio, peculiar e exclusivo da autoridade eclesiástica, pois a função apostólica dos mesmos foi instituída pelo Cristo Senhor, com finalidade espiritual e sobrenatural.


Para preservar a liberdade da Igreja e melhor promover o bem dos fiéis, o Concílio deseja que não se conceda mais, no futuro, nenhum direito ou privilégio na eleição, nomeação, apresentação ou designação para o ofício episcopal. O Concílio, agradecido e cheio de reconhecimento para com as autoridades civis que levam em conta a autoridade da Igreja, pede-lhes que espontaneamente renunciem aos direitos ou privilégios pactuados e que ainda estejam em vigor.

O Concílio fez referência aos acordos em que a Igreja concedia aos estados nacionais (particularmente aqueles que se declaravam formalmente católicos) a faculdade de sugerir, indicar ou mesmo vetar o nome de presbíteros candidatos ao episcopado. Com o tempo, esses acordos trouxeram problemas para a própria Igreja, com alguns chefes de Estado e de governo locais rejeitando nomes de novos bispos de preferência do Papa e de outros eclesiásticos e, em alguns casos, tentativas de autoridades civis de impor nomes de novos bispos.

Até hoje há também o caso de algumas autoridades civis querendo impor nomes de bispos mesmo sem jamais haver acordo com a Igreja. Os laicistas falam tanto em laicidade do Estado (o Estado não ter religião) e em não intervenção da Igreja em assuntos de Estado. Mas esses caras não falam nada sobre intervenção do Estado em assuntos da Igreja. Teve até o caso de um juiz de Goiás que mandou arrombar uma igreja protestante para que nele houvesse um casamento cujos noivos foram vetados pelo pastor da igreja. Onde estavam Laicistas, Ateus & Cia LTDA nessa hora? Deviam estar muito ocupados fazendo coisas mais convenientes.

De fato, os estados nacionais (criados em cima de uma nacionalidade) devem ser, sim, laicos. Sem proibir qualquer credo ou organização confessional que seja. A Igreja não deve nomear presidentes, primeiros ministros, reis, imperadores, ministros, governadores, prefeitos, secretários, parlamentares nem assessores de qualquer um destes. E as autoridades dos estados nacionais não devem nomear autoridades de qualquer denominação confessional que seja. Assim, a própria Igreja se beneficia da separação entre Igreja e Estado. Tanto assim que não tem agido para reverter a laicidade dos estados nacionais nas constituições locais ("o país tal é laico", "o país tal não tem religião", etc) nos estados que foram formalmente católicos no passado. Do contrário, não teria força política alguma para reivindicar exclusividade na nomeação dos bispos.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Estrupícios esculhambam petição sobre transporte e perseguem irmãos Alexandre Figueiredo e Marcelo Pereira

Tenho lá minhas dúvidas se este país é realmente democrático. Ninguém pode ter uma opinião ousada e diferente das opiniões supostamente assépticas de minorias despóticas ou de maiorias iludidas que logo é perseguido, seja na Internet ou no mundo real.

No caso dos meus amigos e irmãos Alexandre Figueiredo e Marcelo Pereira, a perseguição virtual contra eles (o que chamam de trolagem) chega às raias do ridículo. Mas nem por isso devemos fechar os olhos para isso. Os irmãos Pereira são militantes de uma causa que apoio integralmente: a crítica à padronização visual dos ônibus urbanos de diversas cidades brasileiras, principalmente no Rio de Janeiro. Agora mesmo estão tentando implantar a padronização visual em Niterói, cidade onde os irmãos residem.

As mensagens que os troleiros publicam na petição são do mais baixo nível possível. Chegam a xingar os irmãos Pereira de viados. Eu os conheço: eles são heterossexuais, e sempre foram. Eu os considero dignos de qualquer maneira, não importando qual fosse a sexualidade deles. Sexualidade não é unidade de medida de caráter para ninguém. Os estrupícios é que acham que ser viado é algo indigno, acreditando que o próprio termo viado é excelente para xingar e humilhar desafetos, sendo eles gays ou não. A humilhação também seria indevida, se estivesse sendo feita contra gays de verdade.

Alguns chegaram ao requinte de assinar com os nomes completos dos irmãos Pereira e escrever no abaixo-assinado frases como "Eu sou VIRGEM!", "Eu sou VIADO!" e "Eu também sou VIADO que nem meu irmão! Dou o popoto e xupo peia".



Os estrupícios tem direito de defenderem a causa que bem entenderem, até mesmo a padronização visual dos ônibus municipais cariocas. Só que aqueles que partem para a ignorância e o vandalismo escrito contra os discordantes parecem não ter argumento sólido algum para rebater as críticas à padronização.

Nem sempre estarei ao lado dos irmãos Pereira em todas as causas que eles defendem. Eles já sabem disso. Só que reagirei quando qualquer um deles for achincalhado publicamente, seja lá por quem for o por qualquer causa que seja.

E nem adianta os estrupícios se voltarem contra mim, porque eu sou vacinado contra esses vândalos virtuais. Eu e os computadores que uso.

A resposta completa de Alexandre Figueiredo encontra-se no blogue Mingau de Aço.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Todas as operadoras terão Fox Sports. Menos a NET

O desprezo da operadora NET (TV, Internet e telefone fixo) pelos assinantes continua. Os clientes pedem a inclusão do novo canal Fox Sports na grade de canais disponíveis, mas a dona NET simplesmente debocha dos clientes (como já descrito aqui) e boicota o novo canal de esportes, que traz com exclusividade várias competições internacionais. Toda a concorrência tem ou terá o canal. GVT, Oi TV e Nossa TV já possuem o canal. Atendentes da Via Embratel (Claro TV a partir de 1º de março de 2012) confirmam a inclusão do canal. O apresentador José Ilan do Fox Sports confirmou via Twitter que o canal fechou a entrada com a Sky.



Enquanto isso, a dona NET faz o joguinho das Organizações Globo, boicotando o Fox Sports.

Ou seja: assinante da NET tem mais é que se ferrar e ficar sem ver o canal Fox Sports, sem ver todos os jogos da Libertadores, sem ver a SulAmericana, enfim. A não ser que faça o que só poderei fazer lá para agosto: cancelar todos os serviços da NET (TV, Internet e telefone) e migrar para outra operadora. Ou operadoras, se a de TV não oferecer Internet ou telefone.

Sem contar que o serviço de banda larga da NET vive falhando à noite. Até o ano passado não era assim.

Se alguém pretende assinar a NET, faço um apelo: não faça essa loucura. Se assinar, você vai se arrepender.

O aviso está dado.

A Dama de Ferro (filme)

Faz uma semana que o filme franco-britânico A Dama de Ferro estreou em terras tupiniquins. Fui conferir o filme (conforme disse aqui que veria) enquanto o resto da cidade se esbaldava na folia carnavalesca da terça-feira gorda.

Eu disse que talvez os produtores do filme tivessem como objetivo glamourizar a figura polêmica da ex-primeira ministra Margaret Thatcher. Não foi bem isso que encontrei. Ninguém que reprova a trajetória política da matriarca do neoliberalismo passará a admira-la só por causa da imagem passada por este filme. Até mesmo o tão celebrado ineditismo de uma mulher ocupando o cargo de primeira-ministra do Reino Unido perde um pouco do glamour lá no começo do filme, ao vermos que a filha caçula de um vereador, pregador metodista e pequeno comerciante proprietário de apenas duas mercearias (o que não a impediu de se graduar em Química na lendária Universidade de Oxford) casou com um colega do Partido Conservador que efetivamente a lançaria na política. Ou seja: ela não se lançou na política por conta própria. O filme também realça o desprezo que Thatcher sempre teve por toda e qualquer movimento sindical forte (é citada no filme a categoria dos carvoeiros), enquanto ela se aproximava dos eleitores aparentemente com sindicatos fracos ou ausentes. No filme é mostrada uma cena de Thatcher fazendo campanha eleitoral numa fábrica de sorvetes, com ela mesma pegando sorvete de casquinha numa das máquinas industriais.

A Dama de Ferro realça também um motivo que levou Thatcher a pleitear a liderança do partido, o que acabaria levando-a ao cargo de primeira-ministra caso o partido conquistasse a maioria no Parlamento britânico (o que aconteceu em 1979). Segundo o filme, ela achava que os líderes do partido eram um bando de covardes, incapazes de fazer tudo aquilo que a ideologia partidária (e dela própria) acreditava ser necessário fazer.

Ao longo do filme, são mostrados episódios dos 11 anos e meio de gestão Thatcher, como o desemprego em algumas categorias profissionais nos dois primeiros anos de governo (e os consequentes protestos de rua), o combate ao comunismo e o mais tenso de todos: a Guerra das Malvinas. Sobre a guerra, é interessante que o filme anote que a guerra acabou virando uma disputa não só entre as duas nações (Argentina e Reino Unido) e os militares dos dois lados, mas também uma disputa entre conservadores. No caso, o governo conservador de Thatcher e os integrantes da ditadura militar argentina, chamados pela própria Thatcher do filme de "gangsteres" e outros adjetivos vexatórios. O filme não mostra as consequências da perda da guerra para a Argentina (como a consequência positiva do fim do regime militar, um ano e meio depois), se limitando a mostrar que a Inglaterra retomou o arquipélago do Atlântico Sul e o Partido Conservador venceu a eleição de 1983, mantendo Thatcher no cargo e anulando momentaneamente as ações do maior partido de oposição: o Trabalhista.

Fora os aspectos políticos de Margaret Thatcher, o filme preferiu abordar a personagem nos dias atuais, atualmente com 86 anos. As cenas sobre a sua juventude e seus anos de militância política (incluindo o mandato parlamentar, seu governo e sua participação em gestões de primeiros-ministros conservadores anteriores) são mostradas em flash backs, ora longos, ora alternados com imagens atuais da personagem. Aliás, esses delírios do passado são mostrados pelo filme como parte dos problemas de saúde da personagem, que apresenta sintomas de demência desde o ano 2000. Já circulam na Internet comentários dando conta de que os filhos de verdade de Thatcher ficaram chocados com a forma com que o atual quadro de saúde da mãe foram retratados no filme.

O filme chega a ser cruel ao mostrar Thatcher se ausentando de casa para iniciar seu primeiro mandato parlamentar. Chega a mostrar Thatcher nos dias atuais vendo antigos desenhos de infância dos filhos dedicados apenas ao pai.

No que diz respeito à atuação da atriz Meryl Streep, é impecável. Nada a ser criticado. Por conta deste papel, a atriz já faturou o BAFTA de melhor atriz principal e o Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama. No domingo que vem, concorrerá ao Oscar de melhor atriz.

A trilha sonora do filme é muto boa. Além da trilha original orquestrada, foram usadas também algumas músicas não originais. Como as músicas de bandas de punk rock usadas nas imagens dos protestos contra o Governo Thatcher. Tudo a ver. A Dama de Ferro sempre foi o alvo preferido das bandas punk britânicas, ao lado da rainha.

Aos que gostam de cinema, dispam-se dos conceitos e preconceitos contrários ou favoráveis à senhora Margaret Thatcher e vão lá conferir A Dama de Ferro. É um filme sensacional. Cinema de verdade, sobre uma personagem que faz parte da história geral. Se para o bem e/ou para o mal, isso será sempre um vasto assunto para debates políticos.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O tesourão de Dilma Rousseff: Quem votou em José Serra fatura agora um governo demo-tucano sem os demo-tucanos!

Resposta para Mingau de Aço:

Mais de um ano depois de votarem em José Serra para presidente, eis que os eleitores de José Serra faturam agora um governo demo-tucano sem os demo-tucanos!

Otário é quem votou na Dilma pensando que levaria um governo de esquerda. Fatura agora um governo Serra sem Serra.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Agora a inútil Campanha da Fraternidade é sobre saúde pública

Escrevo este texto antes de ler qualquer coisa a respeito da Campanha da Fraternidade 2012. Não preciso deles para dizer o que digo desde que comecei a escrever ainda no meu primeiro blogue: essas Campanhas da Fraternidade da CNBB já deveriam ter acabado há muito tempo. O motivo principal é que a sociedade brasileira espera que entidades católicas como a CNBB e as dioceses católicas aproveitassem seus períodos de ápice no ano (a Quaresma e a Páscoa) para reafirmarem suas crenças atemporais. Aquelas crenças que não mudam conforme o tempo e o espaço. Sobretudo a crença na paixão, na morte e na ressurreição de Jesus Cristo. Verdades fundamentais que são eclipsadas a cada nova Campanha da Fraternidade. O nome de Jesus é o que menos se lembra nessas campanhas. Acredito que até os fiéis de outras crenças, os ateus, os agnósticos e os laicistas esperam que a Igreja se atenha ao trabalho para a qual foi criada originalmente. Boa parte desse povo não admite diálogo. Querem a Igreja na dela e eles na deles.

Essas campanhas não são eficazes sequer para fazer aquilo a que se propõem: discutir temas seculares de interesse da sociedade em geral. Fora da mídia católica, as campanhas geram apenas algumas pequenas manchetes de Terça-Feira Gorda e de Quarta-Feira de Cinzas na imprensa secular. Além do mais, as pessoas que optam por não serem católicas não abrem mão de tempo sequer para tomar conhecimento de tais campanhas, que dirá acompanhar e participar dos debates propostos.

Se é para falar de saúde pública, eu sei alguma coisa sobre o tema. Duvido que a Campanha responsabilize nominalmente presidentes, presidentas, governadores, governadoras, prefeitos e prefeitas pelo caos na saúde pública, pelos impostos e contribuições compulsórias (vide CPMF) que não vão para a destinação final, pela falta de material, pelo mau atendimento, pela falta de condições de trabalho, pela falta de pessoal e do pessoal, pelo desprestígio dos servidores que efetivamente trabalham, pela entrega de unidades de saúde a OSs e OSs como eufemismo para privatização da saúde pública...

Dediquei oito anos e meio de minha vida combatendo a dengue na cidade do Rio de Janeiro. Juntando o desprezo de parte da população carioca ("Seu trabalho não adianta nada", "você devia ir na casa aqui do vizinho", fora as vezes em que não me deixaram fazer ou completar o serviço), o desprezo da chefia que tomava decisões tacanhas, a metodologia errada do trabalho oriunda do Ministério da Saúde e da Secretaria e o pouco poder decisório que eu e meus colegas agentes de saúde tínhamos, posso dizer que vi o caos na saúde pública por dentro.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Fidel, dê uma chupeta para o Grande Líder!

Comentário de José De Araújo Madeiro para Maria da Conceição via Facebook:

Parabéns devemos dar ao Lula, chefão dos PTralhas. Não apenas como líder, mas como um brasileiro extraordinário.

Por promover o retrocesso de uma nação emergente, transformando-a num povo idiotizado, para poder doar sem ser incriminado as nossas commodities e torná-lo submisso e subjugado, em favor do modelo funesto e da permanência de Ditaduras Socialistas na América Latina.

Fidel Castro, agraciado e reconhecido, dar-lhe-á um prêmio de consolação: uma chupeta de bebê.

Abs; Madeiro.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Rede Manchete fez história com desfiles das escolas de samba

Em mais um carnaval carioca, vem à mente as grandes transmissões que as emissoras de TV fizeram ao longo da história dos desfiles das escolas de samba, particularmente as do atual Grupo Especial. Desde o fim da década de 1970 os desfiles do Grupo Especial são transmitidos pela Rede Globo, sendo que nas décadas de 1980 e 1990 a Globo fazia um pool de transmissão com a hoje extinta Rede Manchete.

As transmissões mais lembradas por sambistas e estudiosos do carnaval e do samba cariocas são as da Manchete. A rede fundada por Adolpho Bloch em 1983 transmitiu os desfiles do Grupo Especial (então com outras denominações, como Grupo 1A e outras) por vários anos consecutivos. Enquanto a Rede Globo privilegiava os destaques (muitos deles contratados da casa), a Manchete se concentrava nos desfiles como um todo e em detalhes relevantes, enfatizando as figuras do dia a dia das escolas. Os sambistas lembram até hoje que a Manchete transmitia todos os chamados "esquenta": operação em que a comunidade da escola ainda estava toda na concentração, a bateria começava a tocar e os intérpretes começavam a cantar o samba-enredo do ano, não raramente cantando sambas-enredo antigos da escola antes do início oficial do desfile, quando os portões da Avenida Marquês de Sapucaí eram abertos. Na mesma hora, em vez de mostrar o "esquenta" da escola de samba, a Globo mostrava entrevistas com integrantes da escola (ou de outras) ou com celebridades, e mostrava gracinhas de gente como Fausto Silva ou os integrantes do Casseta e Planeta. A transmissão da Manchete contava com vários comentaristas, todos estudiosos do universo das escolas de samba cariocas, alguns deles atuais comentaristas das transmissões da Globo. Mesmo os apresentadores não afeitos a esse universo sambista acabavam se enturmando com os entendidos do assunto.

A Rede Manchete transmitiu os desfiles das escolas do Grupo Especial com exclusividade duas vezes. Uma delas foi no ano de 1984, exatamente o primeiro carnaval coberto pela emissora, ocasião em que a Rede Globo simplesmente se recusou a transmitir os desfiles. Há quem diga que era um boicote da Globo, por ter sido o Sambódromo da Avenida Marquês de Sapucaí (inaugurado naquele carnaval de 1984) construído durante a gestão do então governador Leonel Brizola. No ano de 1985, a Rede Globo voltaria a dividir as transmissões com a Manchete. Em 1990, a Rede Manchete conseguiu a exclusividade no desfile do Grupo Especial, tirando a Globo das transmissões. A emissora de Roberto Marinho voltou a transmitir os desfiles somente em 1991.

Com a crise e o subsequente fechamento da Rede Manchete, a Rede Globo passou a transmitir sozinha os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial. Houve até uma ocasião em que a Globo transmitiu o desfile da Mangueira (então primeira escola a desfilar no domingo) apenas para o Rio de Janeiro, transmitindo no lugar a edição dominical do Fantástico, para todo o resto da rede.

Em 2011, a emissora renovou os direitos de transmissão por mais quatro anos. Houve algumas ocasiões em que as transmissões foram divididas com a Band, que há anos transmite com exclusividade o Desfile das Campeãs, no primeiro sábado após o carnaval. Há alguns anos, a Globo transmite também os desfiles das escolas do Grupo Especial de São Paulo, tentando abocanhar mais audiência na maior cidade do país.

Com relação aos desfiles das escolas de samba do atual Grupo de Acesso A do Rio de Janeiro, a história das transmissões televisivas é irregular. Por algum tempo, as transmissões ficaram a cargo da CNT, para quem a Rede Globo e a Liga Independente das Escolas de Samba repassavam os direitos de transmissão. Depois os direitos foram repassados para a Band. Nesta fase na Band, as transmissões do Grupo de Acesso simplesmente superaram a audiência dos desfiles do Grupo Especial paulista na Globo, ao menos na cidade do Rio de Janeiro.

Agora surge a informação de que a Rede Globo e a Liga retiraram da Band os direitos de transmissão do Grupo de Acesso A, pois no carnaval de 2011 a Band preferiu exibir o carnaval baiano, ao invés das escolas de samba cariocas do Grupo de Acesso. Os direitos relativos ao desfile de 2012 foram repassados ao SBT. As fontes divergem quanto a qual emissora transmitirá o Desfile das Campeãs de 2012: SBT ou Band.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

José Carlos Araújo ironiza pseudo sem terra e pseudo sem teto argentinos

Ontem o locutor José Carlos Araújo estava na cidade de Lanús (na Grande Buenos Aires) de onde transmitiria a partida entre o time local do Lanús e o do Flamengo, válida pela Libertadores, partida que terminou empatada em 1 a 1. De tarde, ele entrou ao vivo na programação da Rádio Globo para contar coisas relativas ao jogo. Lá pelas tantas, ele informou que um protesto que estava acontecendo no centro de Lanús não atrapalharia o trânsito para a chegada do público ao estádio.

José Carlos falou do protesto em si. Segundo ele, era um protesto de autoproclamados "sem terra" e "sem teto" argentinos. Só que o verdadeiro Garotinho fez observações irônicas sobre os manifestantes. Segundo o radialista, o tal grupo de "sem terra" e de "sem teto" eram pessoas muito bem arrumadinhas, com roupas boas, parecendo bem de vida, mesmo. "Esses não tem cara de sem terra e de sem teto", observou Garotinho.

Lá como cá, tem muita gente reclamando de barriga cheia. Devem ser os cansados da Argentina. Ou então devem ser meros agitadores demagogos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

NET debocha dos clientes

A coisa mais cretina que a NET fez no seu mural do Facebook foi esta postagem aqui:


Está acompanhando os campeonatos de 2012? Nós, da NET, estamos!

Se você ainda não é Sócio Premiere FC, assine!

São mais de 1000 jogos durante o ano em 6 canais simultâneos e vc ainda vai integrar o Clube de Benefícios exclusivos, que conta com promoções para levar você a visitas guiadas aos centros de treinamento dos clube e muito mais!


Minha resposta:

‎"Está acompanhando os campeonatos de 2012?"

Não, porque essa joça de NET não tem um mísero canal que transmita a Libertadores. Quem sabe eu assine uma concorrente que tenha o Fox Sports? Aí é possível que eu acompanhe os campeonatos de 2012.

Manifestantes expulsam de Copacabana repórteres e cinegrafistas da Globo e da Globo News



O fato aconteceu durante manifestação trabalhista de bombeiros em Copacabana, no último domingo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O implacável boicote ao canal Fox Sports

O início de 2012 está sendo marcado por uma das maiores cafajestagens da história da TV paga no Brasil. No ano passado, a programadora Fox (dona de diversos canais, como Fox, National Geographic, Fox+NatGeo HD, FX, FX HD, Fox Life, Fox News, NatGeo Wild HD, SyFy, Speed, Studio Universal, Bem Simples e Baby TV) anunciou que lançaria a versão brasileira de seu canal Fox Sports, com profissionais brasileiros e programação em português. A Fox anunciou que os direitos de exibição das copas Libertadores e SulAmericana (competições sulamericanas de times de futebol) deixariam de ser repassados para os canais SporTV em TV fechada, para serem exibidos apenas pelo novo canal Fox Sports. A Rede Globo permanece exibindo as duas competições, apenas às quartas feiras.

A atitude abriu uma guerra não declarada entre o conglomerado News Corp (dono da marca Fox e tudo relacionado a ela) e as Organizações Globo. No mercado, o que se comenta é que a Globosat (proprietária do SporTV), sem direito de exibir a Libertadores, pressiona todas as grandes operadoras de TV paga a não incluírem o canal Fox Sports na lista de canais à venda, seja em pacotes básicos, avançados ou a la carte. Por outro lado, o canal Fox Sports é acusado de cobrar um preço alto para liberar seu sinal para as operadoras (algo como o mesmo preço dos três canais SporTV somados, informação já desmentida pelo Fox Sports), querendo estar presente nos pacotes mais básicos e não querendo “despesas extras” para os assinantes terem o sinal do canal liberado. Por enquanto, a Globosat está vencendo a guerra contra a Fox. Apenas a operadora Nossa TV do missionário RR Soares e pequenas operadoras do interior do país disponibilizaram o canal Fox Sports. Especulou-se que a TVA e a Oi TV tivessem disponibilizado o canal, mas nenhuma delas tem o canal Fox Sports em seus sítios na Internet. Via Embratel e NET (ambas do grupo mexicano Telmex) alegam estarem ainda negociando o canal com a Fox, sendo que a NET ainda conta com conselheiros da (agora sócia minoritária) Globosat na gestão da empresa, mas recebeu ordens de autoridades federais para exclui-los até agosto, e a própria Globosat recebeu ordens para vender todas as suas ações restantes, também até agosto. No entanto, alguns assinantes da NET informam que receberam diretamente do teleatendimento da empresa a informação de que o canal Fox Sports entrará na NET no próximo dia 18 de fevereiro, em pleno carnaval. A situação mais complicada é a da operadora Sky, que além de não ter o canal Fox Sports, está cortando todas as propagandas da Libertadores e do Fox Sports dos canais Fox que possui, substituindo por propaganda institucional da própria Sky. A mesma coisa estaria acontecendo na NET em algumas localidades, há alguns dias.

O canal Fox Sports chegou a lançar mão do canal Speed para transmitir o jogo de estreia do Fluminense na Libertadores, na terça feira passada (7 de fevereiro), mas o mesmo não se repetiu quando da estreia do Vasco da Gama na noite de quarta feira (8 de fevereiro) e quando da estreia do Internacional na noite de quinta feira (9 de fevereiro). Durante a estreia do Fluminense, a tática do Fox Sports era usar o canal Speed (presente em várias operadoras, inclusive NET e Sky) para que seus locutores convocassem os futuros telespectadores do Fox Sports a pedir o canal às suas respectivas operadoras. Agora, ao restringir a Libertadores ao canal Fox Sports, a tática é valorizar o canal e convencer a clientela a exigir sua inclusão em todas as operadoras.

Texto original publicado no portal TVs do BR.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

CPI da Privataria Tucana não interessa ao PT

Resposta para Carlos Newton:

Até a poeira da obra da rua aqui perto sabe que não interessa ao PT abrir a CPI da Privataria Tucana. Senão como eles poderão fazer a própria privataria? E como eles poderão apontar para o candidato tucano a presidente em todas as eleições e dizer que os tucanos privatizarão o que sobrou? E sempre terá aquela pergunta leninista: "Vocês querem a volta deles?".

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Pra quem está chegando agora e tem vinte e poucos anos

Fonte: Mural do Fox Sports no Facebook.

Autor: Marcelo Natarelli.

A garotada que está chegando agora, com seus vinte e poucos anos e que já encontrou por aqui computador, internet, tv por assinatura, facebooks, twitters, liberdade, direito de voto, direito de opinar, direito de discurso, eu até relevo a ingenuidade dos comentárias, eles ainda tem muita coisa pra aprender e entender. Tem mais é que se divertir com tudo isso, que parece bobagem, mas não é.

Agora é triste ver os comentários de uma cambanda de "burros velhos" que infelizmente não levaram porrada na cara, porque sempre foram e serão alienados facilmente manipulados. Esses eram os protegidos do regime, filhinhos do seu sicrano e do seu fulano. Esses somente se aproveitaram daqueles que apanharam, foram privados da liberdade, assassinados, para que a geração que hoje está ai, pudessem ter os direitos que hoje tem.

Fica um conselho para essa nova garotada. Leiam e entendam um pouco da nossa história. Vocês tem a faca e o queijo na mão para transformar o nosso país.

Isso não é nenhum discurso político socialista, é apenas um humilde tentativa de resgatar aquilo que o brasileiro esqueceu que tem: MEMÓRIA e HISTÓRIA.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Crise das esquerdas acontece não por falta de aviso

Resposta para Mingau de Aço:

Este é o melhor texto de 2012 do principal blogue do amigo Alexandre Figueiredo. Pretendo escrever uma resposta a este texto. Estou até usando a mesma imagem do Blogger, pra ligar bem um texto com outro. Não pretendo reproduzi-lo no meu blogue. Pretendo apenas escrever algo que acrescente algo do que penso sobre esses assuntos.

Não foi por falta de aviso que o amigo e outros eleitores de Dilma Rousseff estão vendo a crise das esquerdas, seja a lulo-dilmista no poder ou a esquerda oposicionista. Eu e muita gente contrária ao neoliberalismo e à esquerda avisamos que a presidenta aliada à fauna e à flora da fisiologia partidária brasileira (PMDB à frente) faria um governo tão cheio de bandalheira como o que seria (e jamais será) um novo governo tucano, que também teria partidos fisiológicos na base, incluindo o próprio PMDB. Mas, não! Os eleitores de Dilma não nos deram ouvidos. Preferiram fazer de tudo para nos cooptar, nesta maldita falsa democracia que nos OBRIGA a ir lá nas urnas, ao invés de nos dar o direito de ir lá votar ou de fazer outra coisa no domingo.

Aliás, abro aqui um parênteses. Parece que meu amigo, xará e irmão do Alexandre chamado Marcelo Pereira quer cooptar para o socialismo a turma que ainda quer ficar em cima do muro numa época como esta (exemplo aqui). Sei disso porque fui dessa turma. Eu não tinha posicionamento algum, há pouco tempo atrás. Era tipo um Enéas da vida: "contra tudo isso que está aí". Quando leio os textos do xará, percebo que ele escreve para gente que é hoje como eu fui no passado. Ele até confundiu as coisas, muito por minha culpa. Aquele termo infeliz que inventei há tempos atrás, o cimismo ou ser cimista, não significava "ficar em cima do muro". Significava estar ao lado do Brasil, que está ACIMA desse cenário político-partidário-ideológico. No entanto, acredito que o termo, usado malandramente pelo meu xará para cooptar internautas para a causa socialista, acabou adquirindo esse significado que Marcelo quis impor, do "ficar em cima do muro", mesmo. Mas alguns estrupícios que estavam em cima do muro nos anos 80 era melhor que tivessem ficado lá. Os tucanos, por exemplo. Se tivessem ficado lá até hoje, não teriam eleito FHC nem teriam posto a Pátria à venda. Eu deixei o muro não para vender a pátria como o demo-tucanato fez. Foi para sair do comodismo rancoroso de um quase quarentão e para ansiar alternativas nacionalistas para este país. Alternativas não neoliberais e não extremistas, nem pela extrema esquerda nem pela extrema direita. Comecei a buscar alternativas ainda no tempo do extinto blogue Brasil, um País de Tolos, que tive que extinguir exatamente para marcar essa minha mudança de comportamento e em respeito aos leitores que talvez não concordassem em acompanhar o novo blogue. Fiz uma faxina na minha lista de linques, antes de criar este blogue aqui. Foi uma lipoaspiração, mesmo. E ainda coloquei um linque para um partido novo que ainda pretendo ver registrado, que na verdade tem 11 anos mas não obtém registro no TSE porque o tribunal quer manter essa corriola de 29 partidos fisiológicos ou que querem ser fisiológicos, que vão do extremo PCO ao direitista envergonhado DEM, passando por partidos de direita oposicionista, direita governista, esquerda governista e esquerda oposicionista. Todos os quatro grupos unidos contra a soberania nacional. Não que não haja nacionalistas no campo da esquerda nem no da direita. Há, sim. Só que são esmagados pela máquina política representada pelas mais diversas corporações privadas, por ONGs e por esses 29 partidos políticos. Espero que esses nacionalistas se juntem um dia aos que já saíram dessa farsa dos 29 partidos.

Se querem mais exemplos de posicionamentos, não de omissões ou do cimismo tal como imaginado por meu amigo xará, continuem acompanhando este blogue.

Voltando ao artigo do Alexandre, há mais coisas citadas por ele que gostaria de comentar.

Também acredito nos movimentos sociais. São manifestações de uma sociedade que pretende ser democrática, embora ainda não seja devido a questões como o voto obrigatório, já citado neste texto. Os movimentos que respeito são diversos, como movimentos sindicais, de sem terra, de sem teto, de estudantes e vários outros. Eu mesmo participei das movimentações sindicais da categoria da qual fiz parte: a de auxiliares de controle de endemias. Passei muitas manhãs e inícios de tarde embaixo de sol quente na frente da Prefeitura, em manifestações reivindicatórias. Será que algum amigo leitor participou alguma vez de manifestações reivindicatórias para sua categoria? Fora essas manifestações, perdi a conta do número de manifestações (não de natureza sindical) as quais compareci. A diferença minha para o Alexandre é que não acredito nessa de que movimento social deva ser, necessariamente, ligado à esquerda. Vide os países com regime de partido único, geralmente comunista. Lá não tem como movimento social reivindicatório ser de esquerda. Tem que ter outra tendência política. Senão vira chapa branca e não conseguirá arrancar nada do Governo. O ideal é que movimentos sociais sejam politizados (senão não existem), mas sem serem ideológicos. Vai que antigos aliados assumem o Governo e esse Governo trai o movimento social, como acontece agora mesmo com alguns movimentos sociais que se dizem decepcionados com Dilma Rousseff. Só resta se virar contra o Governo ou aceitar caladinhos o papel de otários eleitores governistas traídos.

Dou meus parabéns a Alexandre Figueiredo por ele ter dito que a privatização dos aeroportos mancha o governo de Dilma Rousseff. Alexandre não tem noção do quão vis são essas dondocas progressistas com quem ele tem andado, inclusive em encontros de blogueiros progressistas no Rio de Janeiro. Agora mesmo Paulo Henrique Amorim (o homem da conversa fiada) defendeu na TVT a privataria dilmista, dizendo que são concessões, não privatizações como as de FHC e José Serra. Esses caras são capazes de descartar sumariamente qualquer dissidente que ouse questionar atitudes da "Nossa Senhora do Divino Lulopetismo" (senhora deles, que fique claro). Alexandre Figueiredo critica com razão os neocons da direita. Ele mesmo pode ser chamado de neocon por essa esquerda chapa branca, ao discordar de alguns pontos do Governo dos sonhos do lulodilmismo. Eu tive contatos há um tempo atrás com aquele grupo de dondocas reacionárias do Blogs pela Democracia, e botei meu antigo blogue naquele grupo por alguns dias ou semanas, mas ouvi meu amigo Marcelo Pereira, pensei melhor e deixei aquelas dondocas reacionárias pastando sozinhas. Meu amigo Alexandre será capaz de deixar o tal movimento de blogueiros progressistas quando ele mesmo for chamado de neocon? Raphael Tsavkko já deixou.

Como Alexandre, não gosto de sermões de pastores tipo RR Soares e Silas Malafaia, não curto o programa do Chaves mexicano, detesto noticiário policial e mais ainda o Big Brother seja lá de que país for.

Não faço críticas à esquerda apenas por fazer, pra dizer que todo mundo é igual, todo mundo é corrupto, nem sou nenhum anarquista, que acredita que não devesse haver Estado, nem Governo, nem Executivo, nem Legislativo, nem Judiciário. Senão não poderia ter passado a vida inteira fazendo concursos e trabalhando em órgãos públicos. As alternativas que desejo para o meu país eu exponho constantemente neste blogue. Pena que essas alternativas são esmagadas por esse cenário político-ideológico-partidário daqueles grupos todos que citei antes. Não compactuo com neocons nativos tipo Reinaldo Azevedo, nem neocons gringos como Yoani Sanchez, dissidente cubana escalada pelos irmãos Castro para receber gordos proventos de toda a direita mundial (os Castro poderiam ter confiscado a grana) para espinafrar o Governo cubano na precária Internet local e pra todo mundo dizer "Oh! O Governo cubano é democrático! Tanto que permite uma voz dissidente lá dentro paga por gente de fora!". Só acredito que se esses neocons querem continuar sendo os bobos da corte neoliberal de seus países ou internacional, não podem ser impedidos. Não dá para impedir ninguém de ser palhaço.

P.S: Muita gente quer fazer da política uma coisa maniqueísta, como se houvesse apenas dois lados. Só que a política não se restringe ao preto e ao branco, ou ao azul e ao vermelho. A política é multicolorida e plural. Reflexo da multiplicidade de indivíduos, que também não são iguaizinhos uns aos outros, nem mesmo os gêmeos. Cada indivíduo é único.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Se Dilma não privatizou, Marcello Alencar também não privatizou

Lulo-dilmistas alegam que a presidenta Dilma Rousseff não privatizou na segunda-feira os aeroportos de Brasília, de Guarulhos e de Campinas. Dizem que a presidenta fez uma concessão por tempo determinado.

Então os lulo-dilmistas (sobretudo os petistas) tem que parar com as frescurites, os faniquitos e os pitís, e dizer que nem todos os tucanos privatizaram patrimônio público. Tem que dizer, por exemplo, que o governador Marcello Alencar não privatizou a SuperVia nem o Metrô (que prestam um serviço péssimo, diga-se de passagem), porque, formalmente, houve a concessão por tempo determinado da operação de estações, trens, vias, equipamentos e bilheterias (a boca rica das concessionárias), e que as estações, trens, vias e equipamentos continuam sendo patrimônios públicos.

Mas a picaretagem petista-leninista continuará apontando para a caveira tirada do armário, ou seja, para os tucanos em toda a eleição, e continuarão a derrota-los, com o discurso de "privatistas!" e "vocês querem a volta deles?".

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sobre a greve na PM baiana

Respostas para Tsavkko:

Reitero aqui o que disse há alguns dias atrás: é preciso desmilitarizar e CIVILIZAR a PM em todos os estados e no Distrito Federal. Com salários dignos, preparo técnico e dedicação exclusiva. Qualquer coisa diferente disso é querer transformar PMs em meros jagunços fardados e capitães do mato, despreparados, mal pagos e muito bem armados. E ainda tem os corruptos...

Há de se observar que há movimentos sociais legítimos de gente com bom nível de vida e desvinculados da política ideológica e partidária vigente. Apenas a consciência política de uma forma ampla, sem a qual não há movimento social. Exemplo: médicos da Califórnia, que são atacados indistintamente por democratas e por republicanos, que os julgam como "sindicalistas fortes demais". Por outro lado, movimentos sociais de pessoas com bom nível de vida, quando tem vinculação ideológica ou partidária geralmente são movimentos reacionários. Como o movimento dos Cansados, que o cardeal de São Paulo fez o favor (favor mesmo!) de expulsar da Catedral da Sé, proibindo uma missa do Cansei! em 2006. O cardeal sabia que não tinha nada de reivindicação justa, ali. Era só politicagem de alckmistas.

P.S: De qualquer forma, o eleitor baiano trocar o carlismo pelo lulodilmojaquismo é trocar 6 por meia dúzia.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A voz silenciosa dos muros

Atenção para as duas setas! Dizem que quem fica no muro não se pronuncia, mas os muros não ficam quietos!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

NET passa o filme 'Rio' mas não os jogos dos times do Rio na Libertadores

Respostas para NET:

Tá, o Rio é lindo, o filme eu vi no cinema, em Blu-Ray (tudo a ver com a arara Blue do filme) e no Telecine Premium HD. Agora eu quero saber quando verei os jogos dos times do Rio na Libertadores (fase de grupos e as posteriores talvez) pela NET.

Sem ser pela Rede Globo, que fique claro.

Terça feira que vem já tem jogo do Fluminense, quarta do Vasco, e na outra quarta do Flamengo.

Só pra lembrar: esse filme Rio e o da semana passada (Cisne Negro) são da FOX. Quero ver até quando a FOX manterá seus filmes na Globo e no Telecine com esse boicote da NET/Globosat ao Fox Sports.



A NET tem canais adultos, mas está sendo infantil ao barrar o canal Fox Sports.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Homem de Ferro 2

Já devia ter escrito um texto específico sobre o filme Homem de Ferro 2. Assisti tanto este como o primeiro no cinema, e assisti várias vezes o segundo no canal Telecine. O primeiro foi bom. Mas o segundo se tornou um de meus preferidos, e aprendo a gostar mais a cada vez que assisto na TV, inteiro ou em trechos, pois às vezes o filme já está passando no canal, quando o sintonizo.

Ao meu ver, Homem de Ferro 2 é o melhor filme produzido pela ainda novata empresa Marvel Studios, responsável pelos dois filmes do Homem de Ferro e também por O Incrível Hulk, Thor, Capitão América: O Primeiro Vingador, Os Vingadores (previsto para 2012) e Homem de Ferro 3 (previsto para 2013). Há quem diga que os personagens Nick Fury e Viúva Negra podem ganhar filmes solo, também.

Originalmente, o personagem Homem de Ferro era o personagem mais comprometido com a problemática política belicista e intervencionista americana. Trata-se do multimilionário cientista e industrial americano Tony Stark, herdeiro do também cientista e industrial Howard Stark. Ambos são nomes históricos na indústria armamentista mundial, sendo que a Stark Industries foi uma das mais antigas (talvez a maior) fornecedoras de armamentos para as Forças Armadas americanas e de países com governos aliados ao americano. Howard foi um dos cientistas participantes do projeto da bomba atômica nos Estados Unidos. Nem preciso lembrar o que esses caras fazem com quem atravessa o caminho do governo americano...

Só que esse personagem Homem de Ferro, ao menos nesses filmes novos, tem sido transformado num ícone pop, mais do que já era no tempo dos primeiros quadrinhos. A história do sequestro de Tony Stark teve várias versões. No primeiro filme novo, ele foi vítima de um grupo paramilitar (supostamente do Oriente Médio) chamado Os Dez Anéis, que era, inclusive, comprador de armamentos da Stark Industries no mercado negro. Sequestraram Tony para obriga-lo a construir para eles um míssil Jericho, novo modelo da Stark Industries. Só que eles foram enganados. Tony produziu a primeira armadura de ferro, com a qual escapou vivo dos sequestradores. Depois o personagem mandou suas indústrias deixarem o mercado armamentista e resolveu colocar sua armadura e seus conhecimentos científicos a serviço apenas do combate a vilões com índole destrutiva e dominadora, a fim de ajudar a criar uma utópica paz mundial.

Há também o aspecto de o Homem de Ferro não ser um personagem com superpoderes. Ele está na categoria de homens comuns que precisam usar equipamentos, como faz o Batman, personagem da DC Comics, rival da Marvel Comics.

A trama do primeiro filme Homem de Ferro força um pouco a barra. A do segundo, sim, tem roteiro melhor. Assim como o primeiro filme, este tem boas atuações e boa fotografia. O filme é até visualmente bonito. E tem uma trilha sonora arrebatadora, cheia de guitarradas mil, contendo até composições específicas para o filme, não se limitando ao rock clássico de bandas como AC/DC, Queen e The Clash. A trilha sonora própria do filme tem músicas gravadas em Abbey Road por uma orquestra sinfônica, com direito às famosas guitarradas, a cargo do Tom Morello (aquele do Rage Against the Machine). Há também a música Rock, Robot Rock (do Daft Punk) e várias do AC/DC, que chegaram a gravar um CD com as músicas deles no filme.

Pra resumir a trama toda, basta dizer que agora Tony Stark está mais interessado em ciências que em fornecer armamentos. Chega a recriar a Expo Stark, feira de ciências criada pelo pai. E contribui pessoalmente para evitar conflitos armados pelo mundo afora, não mais para promove-los. Só que o governo americano (com a ajuda de um senador federal) quer confiscar as armaduras do Homem de Ferro. Ainda mais depois que descobrem que Ivan Vanko (cientista e filho de Anton Vanko, cientista russo e ex-aliado de Howard Stark) copiou a tecnologia do reator arc, que é o que fornece a energia para armaduras como as do Homem de Ferro. Ivan Vanko já havia cumprido pena de detenção na Rússia por ter vendido plutônio no mercado negro. Pra piorar as coisas, o industrial bélico Justin Hammer (rival de Tony) contrata Vanko para desenvolver armaduras de combate com reatores arc, a fim de vender para o governo americano.

O mais interessante deste filme (e também do que o antecedeu) é que ele coloca para todos os personagens (mesmo o Homem de Ferro) dilemas morais e éticos sobre dominação, ética científica e o velho dilema paz & guerra. Esses filmes não são simples, apesar de serem meros filmes-pipoca arrasa quarteirão. Deixam muitos questionamentos, e dão margem a várias respostas. Só as pessoas de boa índole podem imaginar soluções inquestionáveis a serem adotadas por pessoas da vida real que lidem com dilemas semelhantes.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Paramount assume divisão de home video da Universal

Resposta para Judão:

Veremos se assim a Universal toma vergonha e lança o Blu-Ray de A Lista de Schindler, o ponto alto da carreira de Spielberg, que não por acaso levou o Oscar de melhor filme e melhor diretor, entre outros, e um dos poucos filmes não-pipoca de Spielberg. Não dá para ver o Holocausto comendo pipoca...

Conheço vários DVDs da Universal, e dois Blu-Rays: o da trilogia De volta para o Futuro e o de Bastardos Inglórios. Os dois são sensacionais. Mas, no geral, a Universal faz lançamentos pífios de filmes em Blu-Ray. E ainda demora para lançar. Quando lança.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Me lixando pro PSDB

Resposta para Com Texto Livre:

Cara, eu tou me lixando se o PSDB pretende ou não pretende retornar ao Governo Federal algum dia, se se rendeu ou não ao lulodilmismo, se virou uma oposição nula, acanhada, raivosa ou golpista. Quero mais que esses neoliberais se lasquem. Enquanto não houver uma alternativa nacionalista e democrática neste país, temos mais é que torcer pelo êxito do Governo Lula-Dilma, quer gostemos deles ou não. Até o fim do mandato de dona Dilma. O que for diferente disso é o golpismo de verdade.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

‘Pop Bola’ na MPB FM: cada vez mais besteirol e menos informação

O blá blá blá diário do nosso FM está ficando cada vez pior. A equipe que fez o programa Rock Bola nas rádios Cidade, FM O Dia 100,5 e Oi FM se transferiu de mala e cuia para a MPB FM 90,3. Só não levaram o nome Rock Bola, registrado pela 89 FM de São Paulo desde os tempos de rede roque, da qual a Rádio Cidade era emissora arrendada. Também não levaram o locutor Tavares, torcedor do Flamengo que provavelmente não poderia largar a JB FM 99,9 para aparecer no ar na MPB FM. Tavares foi substituído por outro flamenguista.

Desde a estreia na MPB FM, a equipe chamou o programa provisoriamente de ? Bola (Ponto de Interrogação Bola ou simplesmente Interrogação Bola) e fez uma enquete na Internet para os ouvintes escolherem o novo nome do programa, que poderia ser Gato de Bolas, Pop Bola, Nhoque Bola ou Talk Show de Bola, que era o nome das apresentações ao vivo do grupo em teatros do Rio de Janeiro. O nome eleito e anunciado no programa de sexta feira passada é Pop Bola. Talk Show de Bola ficou logo atrás de Pop Bola na votação. Bem atrás ficaram o Gato de Bolas em terceiro lugar e Nhoque Bola em quarto.

Acompanhei quase metade do programa de estreia do programa, na segunda feira passada, e dos programa de quarta feira e quinta feira. Bem como quase todo o programa de sexta feira. Foi o suficiente para perceber que o programa está cada vez com mais besteirol e com menos informação. Como eles mesmos dizem, "Pop Bola: informação em segundo lugar".

Não se sabe até onde irá o Pop Bola na MPB FM. O programa não se encaixa no perfil qualificado da rádio. Mas dizem que a própria rádio brigou com outras para contratar a equipe ex-Rock Bola. É possível que o programa tenha mais audiência do que tinha na Oi FM, porque a rádio da operadora de telecomunicações tinha uma audiência baixa, tendo supostos picos exatamente durante o Rock Bola. No entanto, pode ser que a MPB acaba espantando a audiência noturna tradicional que ela tem há anos, e não consiga atrair todos os ouvintes do Rock Bola fase Oi FM.

Texto publicado originalmente no portal TVs do RJ em 29 de janeiro de 2012.