Política, cultura e generalidades

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Caveiras levam fogo no Oscar


Surpresa alguma. O filme Tropa de Elite 2 está fora da lista de nove filmes pré-indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2012.

Na boa... Já passou da hora dos compatriotas acharem que algum filme brasileiro ganhará o Oscar, pelo menos enquanto não mudarem o modo como se faz cinema no Brasil. E está na hora de pararem com essa bobagem de achar que um filme brasileiro TEM que ganhar um Oscar. Se repararem, todo o ano o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro é um filme diferente, na forma e no conteúdo, de quase tudo o que se faz em cinema nos Estados Unidos. Se for para dar um Oscar para um outro filme da linha de RoboCop ou Rambo, isso os cineastas americanos fazem de montão. Não de vez em quando. Nem os filmes de drama feitos por aqui tem uma abordagem atemporal e universal capaz de cativar plateias de outros países, inclusive os da Academia que concede o Oscar, muito dada a filmes de drama.

O cinema que se faz hoje no Brasil imita vários dos defeitos do cinema americano e não tem algumas de suas qualidades. Não tem sequer a propalada autonomia financeira, porque nenhum filme brasileiro chega ao circuitão se não tiver sido financiado com renúncia fiscal, se não tiver um minuto e meio preenchidos com logomarcas de patrocinadores privados e se não tiver o selinho de algumas estatais, sendo que o selinho da Petrobrás é presença obrigatória. Se não tiver o selinho da Petrobrás, o cinema nacional acaba. Cineasta e produtor brasileiro raramente financia filme só com o próprio bolso.

Quanto aos filmes nacionais em si, são tão comerciais quanto boa parte os blockbusters americanos, no pior sentido que a palavra 'comercial' possa ter. Se falta no nosso cinema filmes de ficção e/ou com uso maciço e correto de efeitos especiais (como o excelente filme Redentor), sobram filmes-TV (notadamente com linguagem da Rede Globo, aliás vários deles coproduzidos pela Globo Filmes), filmes voltados para crianças (só que nem as crianças de hoje aceitam tanta bobajada), comédias românticas e filmes de esquerda coproduzidos pela pseudogolpista Globo Filmes e por estúdios progressistas americanos como Fox, Universal, Columbia, Warner, etc., incluindo vários daqueles dramas incapazes de cativar plateias não brasileiras. Houve até um filme sobre um estrupício traidor da Pátria que chegou à presidência da República...

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