Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

E se houver apenas uma sucessão etária no tucanato?


Tenho acompanhado através da blogosfera (vide alguns da minha lista, à direita neste blogue) os debates em torno das privatizações da Era FHC, trazidos de volta ao debate pelo novo livro A Privataria Tucana, do repórter investigativo Amaury Ribeiro Jr. Acredito que os leitores devam estar, como eu, a par do assunto.

As privatizações da Era FHC foram um desastre institucional e patrimonial para a Nação, porque, para ser realmente de interesse nacional, uma privatização deve atender todos estes requisitos, sem faltar nenhum deles:

Não pode ser privatização de uma empresa de um setor estratégico para a economia nacional onde a iniciativa privada nacional não tenha uma participação proativa.
Não pode tratar da venda ou alienação de recursos naturais estratégicos, como foi a venda da Vale.
Não pode haver venda de empresas estatais a um valor abaixo do que realmente valem. Enfim, não pode haver dilapidação de patrimônio público.
Não pode haver financiamento público (mesmo através de bancos estatais) em venda de estatais.
Não pode haver entrega de serviços públicos da administração direta para empresas privadas ou organizações não estatais ditas "sem fins lucrativos".
Por fim, a privatização tem que ser um consenso no interesse nacional, depois de atender todos os requisitos anteriores.

Quem acompanhou o Governo FHC sabe que praticamente 100% das privatizações daquela época deixaram de atender um ou vários desses requisitos.

No entanto, há de se reconhecer que praticamente toda a blogosfera progressista que agora faz um carnaval em torno do lançamento desse livro (seriam uns estrupícios totais, se não fizessem um carnaval) só faz isso porque a privataria (não privatização) foi feita na Era FHC. Quase nada é dito ou estrito sobre a privatização da Era Lula-Dilma. Só os concurseiros se pronunciam. Entre eles os concursados da Infraero, uma das empresas na mira da privataria devido à privatização dos aeroportos, colocada na lista do Governo Federal por sugestão de aliados lulo-dilmistas como Sérgio Cabral Filho usando a desculpa da Copa e das Olim Piadas. Os concursados ainda não chamados para trabalhar na Infraero ficam agora chupando dedo. O mesmo dedo que usam para teclar 13 e CONFIRMA em toda eleição presidencial.

No que diz respeito ao tucanato, faço agora a pergunta aos progressistas em geral, especialmente os lulo-dilmistas:

E se houver apenas uma sucessão etária no tucanato?

Sim, porque, a rigor, o livro A Privataria Tucana servirá apenas para enterrar o cadáver dessa geração demo-tucana que não vencerá mais uma eleição presidencial sequer: a geração de FHC e, sobretudo, de José Serra, o grande alvo do livro. Agora o ex-quase-eleito-presidente da República (segundo o medinho besta a blogosfera progressista) não deve ganhar sequer eleição de prefeito. Que dirá de presidente ou governador.

Além do mais, o enterro dessa geração demo-tucana pode servir para a ascensão de uma geração de tucanos ou de direitistas não relacionados à bandalheira da Era FHC. Ou por serem jovens demais na época ou por não terem mesmo participado. E não estou me referindo só ao deputado federal Otavio Leite (PSDB-RJ), autor do projeto 'herético' (segundo os dogmas neoliberais) de emenda à Constituição proibindo definitivamente a privatização da Petrobrás. Tem muito tucano por aí interessado particularmente no enterro político de José Serra. A ascensão desses políticos de fora da esquerda interessa aos blogueiros progressistas?

Ao meu ver, só interessará ao país eleger um outro tucano para a presidência da República se esse candidato e o PSDB tirarem o neoliberalismo de seus programas de governo e de seus modus operanti, inclusive nos parlamentos. Seria outro partido, mantendo apenas nome, legenda e o número 45. Coisa demais para um partido que até hoje só conseguiu eleger um presidente da República por ter tido o apoio de grupos neoliberais do Brasil e de fora. Apoio que o hipotético candidato não teria.

Fique aqui a pergunta para ecoar na blogosfera, para que os blogueiros progressistas respondam, se forem capazes:

E se houver apenas uma sucessão etária no tucanato?

Mas não deem pití se apenas os não esquerdistas aparecerem para responder. O espaço também está liberado para eles.



Ah, eu comprei esse livro ontem. Vai virar fonte para o blogue. Tem gentinha por aí que usará o livro como autoajuda. Coisa que obviamente não farei.

Duvido que haja algum dia o volume 2: A Privataria Lulo-Dilmista.

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