Política, cultura e generalidades

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O cinema brasileiro de pernas pro ar

Meu amigo e xará Marcelo Pereira escreveu um texto magistral em seu blogue, em cima de outro escrito por Valério Bemfica. O texto trata com um absoluto e correto pessimismo o momento atual do cinema brasileiro.

Inevitavelmente, lembrei desse texto do xará no sábado passado, quando assisti no canal Telecine Premium o lançamento em TV paga (exceto sistemas PPV) do filme De Pernas pro Ar. Tinha visto no cinema o trailer desta produção, em seções de filmes realmente interessantes.

Já no trailer, decidi não assistir De Pernas pro Ar no cinema. A sinopse e as cenas apresentadas no trailer antecipavam o vexame cinematográfico: Alice é uma mulher com um casamento em crise (enfiada que estava no trabalho, dando pouco tempo ao filho de uns 10 anos e ao marido, mesmo para o sexo) é deixada pelo marido por uns meses, disposto a "dar um tempo para ela pensar". Ao mesmo tempo, a sujeita conhece Marcela (Putizgrila! Tinham outro nome pra dar, não?) , uma vizinha de prédio e dona de uma loja de produtos eróticos. As duas resolvem ser sócias no negócio.

Com tamanha bobagem, decidi só assistir o filme quando o liberassem para a programação normal da TV. Não ia pagar ingresso de cinema, nem comprar ou alugar DVD ou Blu-Ray, não pagaria PPV nem gastaria franquia de Internet baixando ele. Decidi ver só na TV paga, que de qualquer forma já pago, normalmente.

Me forrei de paciência e me postei na frente da TV para ver as estripulias de De Pernas pro Ar. Eu e meu senso crítico. Um escrito de Marcelo Pereira para o atual cinema brasileiro serve perfeitamente para esse filme: "uma versão carola, mas mercenária das pornochanchadas, onde no lugar dos corpos nus, vemos o tilintar das caixas registradoras em historinhas burras e malfeitas, dirigidas com preguiça e interesses mesquinhos". Se bem que, devido à própria história do filme, o que mais se vê no filme é uma profusão de toda sorte de piadinhas e produtos eróticos, principalmente de vibradores, de vários modelos, cores e tamanhos. Nudez? Pra quê?

Eu juro que assisti esse filme esperando encontrar alguma coisa positiva. Só encontrei a atuação do elenco, com exceção de uma única atriz, que jamais considerei como tal e me recuso a citar o nome. Só que elenco sozinho não tem condições de salvar um filme com uma história idiota e porca como a que foi apresentada. Fico até pasmo de terem envolvido uma criança (o ator mirim intérprete do filho da Alice, personagem principal) nessa bobajada. Aqui o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não valeu?

O cinema brasileiro do século XXI repete todos os erros e acertos do cinema de Hollywood. Muito mais os erros que os acertos, diga-se de passagem.

Ah, De Pernas pro Ar é mais uma bobajada da Globo Filmes. Com todos os defeitos de outros filmes-TV já coproduzidos pela empresa global. O cinemão pipoca brazuca só vai pra frente se tiver o selinho da Globo Filmes ou de alguma múlti americana ou japonesa. E se tiver dinheiro público envolvido. Dinheiro do próprio bolso esses caras dificilmente põem. E tome 1 minuto e meio de patrocínios no início de tudo quanto é filme brasileiro!

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