Política, cultura e generalidades

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mais uma vez, eleitores espanhóis trocam governo neoliberal de esquerda por governo neoliberal de direita

Fonte: Yahoo.

O que não fazer!
Por Walter Hupsel | On The Rocks – ter, 22 de nov de 2011


A crise se espalha por toda a Europa. O que começou na Grécia, bate em Portugal, Itália e Espanha. Mesmo a França corre o risco de ter seu "rating" rebaixado pelas agencias de risco, o que implicaria mais dificuldade para pegar empréstimo no mercado, e com juros mais altos.


A crise da Zona do Euro, esta que ronda a Europa, vem derrubando governos. Berlusconi, o "macho" italiano que fazia festinhas com Kadafi e enfermeiras, relutou, sobreviveu durante um tempo, mas não resistiu à crise. "Il Cavaliere" caiu do cavalo.


Na Espanha, onde os índices de desemprego alcançam 20% e o preço da dívida é o maior dos últimos 18 anos, o PP, partido conservador, conseguiu a maioria das cadeiras no Parlamento, substituindo o PSOE, partido da esquerda que estava no poder desde os atentados ao trem de Madrid.


A vitória do PP, partido que abriga os ex-franquistas, foi esmagadora, nunca nenhum partido espanhol, desde a redemocratização, tinha ganho com tamanha margem. O jornal espanhol El País disse que o PP tem, agora, "poder absoluto".


A esquerda espanhola não deu respostas satisfatórias à crise, ao contrário, apresentou praticamente o mesmo receituário dos liberais. Caiu porque seu eleitorado não foi às urnas, se absteve de escolher entre programas parecidos para enfrentar a crise que se avizinha.


Assim o PSOE perdeu, em comparação à eleição anterior, cerca de 4,5 milhões de votos. O PP não ganhou sequer 500 mil, mas, mesmo assim, saiu com o tal "poder absoluto".


Se por um instante esquecermos da economia na Zona do Euro, o PP representa um enorme retrocesso. É um partido das viúvas de Franco, ultracatólico, com forte influência da Opus Dei, e também ultraconservador e nacionalista.


Com Mariano Rajoy no comando, há risco de retrocesso nas questões dos direitos civis, como, por exemplo, na flexibilização da lei do aborto, que o permitiu até as 14 semanas (quando antes só era permitido em caso de estupro, má formacão ou de risco à mãe), e a aprovação, em 2005, do casamento igualitário, inclusive com direito à adoção.


É isto que a Espanha nos alerta. Se a esquerda comecar a mimetizar, a adotar o receituário conservador-liberal para enfrentar esta crise econômica, com cortes sociais, diminuição dos impostos dos mais ricos, desmantelamento do Estado de Bem-Estar, ela estará assinando seu atestado de óbito.


O risco, bem entendido, vai muito além do meramente econômico, ou da Zona do Euro. Adotar este caminho, como fez o PSOE, é jogar fora o bebê, a água, a bacia e as conquistas igualitárias. Que sirva, ao menos, de lição a todos.

Comentários do blogue:

O famigerado PP espanhol não tem nada de nacionalista. É um partido das viúvas de Franco, ultracatólico, com forte influência da Opus Dei, e também ultraconservador. Mas não nacionalista. Qualquer um pode ser nacionalista, exceto os comunistas, os liberais e os neoliberais. O PP foi, desde a época de Franco, favorável ao liberalismo econômico, ao contrário dos comunistas que eles depuseram na guerra civil, e hoje é neoliberal. Acompanhem o arrocho neoliberal que virá por aí com o novo governo espanhol.

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