Política, cultura e generalidades

domingo, 13 de novembro de 2011

Fausto Silva antes do Domingão

Houve um tempo em que o apresentador Fausto Silva (ex-Rádio Cultura de Campinas, ex-Record AM SP, ex-Jovem Pan AM, ex-Globo AM SP, ex-Excelsior AM SP, ex-TV Gazeta SP, ex-TV Record SP e ex-Rede Bandeirantes) estava longe de ser o apresentador do programa Domingão do Faustão, principal vitrine da Música de Cabresto Brasileira e de toda sorte de futilidades globais. A trajetória pregressa do Faustão pode ser conferida na Wikipedia.

O que quero destacar aqui é o único período em que acompanhei a carreira de Fausto Silva antes de ele virar o Faustão da Globo. Foi o período final e mais bem sucedido de seu programa Perdidos na Noite, quando foi apresentado em rede nacional pela Rede Bandeirantes. Antes era um mero programa local de São Paulo, apresentado inicialmente na TV Gazeta, e depois na Record.

Nas três emissoras, o Perdidos na Noite ficou famoso pela estrutura (até intencionalmente) precária, pelo humor, pela irreverência (às vezes lançando mão de palavrões) e pela absoluta liberdade concedida aos participantes do programa. Além dos aspectos descritos no texto da Wikipedia e no blogue Ou será que não?, lembro que os cantores, cantoras e músicos que se apresentavam por lá não usavam playback. Tocavam e cantavam ao vivo. Aspecto que fez o programa ser um dos preferidos para as bandas do rock oitentista. Ao contrário de outros programas (como o Cassino do Chacrinha), onde geralmente só deixavam as bandas fazerem mímica com playback.

O que faz o Domingão do Faustão ser tão inferior ao Perdidos na Noite? Acredito que seja fundamentalmente a produção. Não a estrutura, que de fato era inferior no Perdidos. O problema de hoje é a mentalidade da produção do Domingão, muito mais ligada ao estabelecido, do qual a própria Rede Globo é a principal divulgadora. Com o tempo, o próprio Faustão se moldou à mentalidade estabelecida, de modo que é quase impossível imagina-lo hoje voltando a divulgar alternativas culturais e políticas, como ele fazia antes de ingressar na Rede Globo.

Raramente vejo algo que preste nas poucas vezes em que sintonizo o Domingão, que se tornou um programa extremamente desagradável, principalmente a partir dos anos 90.

Mas há quem goste. Só lamento.

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