Política, cultura e generalidades

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O silêncio dos bispos

Resposta para Rudá Ricci:

"O silêncio que Dom Paulo se impôs nos últimos quatro anos combina com o silêncio da CNBB em relação ao seu histórico engajamento político e social."

Eu sei que silêncio é esse de Dom Paulo e dos outros bispos da CNBB. É vergonha de terem criado o PT e terem levado ao poder o Filho Bastardo do Brasil e seus asseclas. A CNBB é a mãe do PT e o pai é o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O que acontece quando juntam aqueles macacões com batinas enfeitadas de vermelho ou roxo é impublicável.

Rudá Ricci disse...


Está enganado, Marcelo. Este é o problema de opinar sobre quem não conhece. Eu conheci Dom Paulo. Ele não ajudou a criar PT nenhum. Era amigo de Mário Covas.
E você foi agressivo em demasia no seu comentário. Somente Freud explicaria.
A Igreja Católica faz parte da alma brasileira. Gostemos ou não. E o melhor da história dos católicos foi o engajamento no período da ditadura militar, lutando pela vida, pela justiça social. Hoje é este conservadorismo, cópia desbotada da igreja católica européia. Ao menos era original. Agora, é uma falácia.


17 de outubro de 2011 09:02

A Igreja Católica faz parte da alma brasileira. Concordo. E digo mais: o cristianismo em geral (não só o católico) faz parte da gênese da nacionalidade brasileira. Houve uma primeira Missa com os membros da esquadra de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, e um primeiro culto protestante na França Antártica, na Baía de Guanabara. Tanto que o movimento nacionalista MV-Brasil (grupo secular presente até no Fórum Social Mundial) costuma espalhar cartazes no Rio de Janeiro na época do Haloween, assim: "Haloween é o cacete! Brasil, país cristão!". Mas tem gente que não concorda com a natureza cristã da nacionalidade brasileira. Blogueiros progressistas, como Zé Carlos e Raphael Tsavkko Garcia. Agora, essa de igreja europeia, igreja brasileira é que é uma falácia. A Igreja é uma só, a Santíssima Trindade é uma só, o credo apostólico é um só, e o Papa é um só. Fora do campo da fé, cada fiel pode escolher o que bem entender. Tanto que há os esquerdistas, os direitistas, os nacionalistas, os internacionalistas, os progressistas, os conservadores e os reacionários. Nesse sentido, há muito mais liberalidade na Igreja que os detratores costumam dizer. Basicamente, apenas o liberalismo, o comunismo e o socialismo foram formalmente condenados por vários Papas. É óbvio que os adeptos das três ideologias tem a liberdade de não integrarem a Igreja, ao invés de fingirem serem fiéis que não são.

Não é só sobre o Dom Paulo que faço observações. Mesmo porque, como dito, não o conheço pessoalmente (como Covas conhecia) e ele está acima da média na dita igreja progressista. É sobre a ala vermelha da CNBB que faço observações (vermelha de esquerda, não o vermelho escarlate dos cardeais). Bispos como os de Guarulhos, de Porto Alegre e da Paraíba são minoria. A Santa Sé já devia ter decretado intervenção na CNBB, entidade ainda vista erroneamente como "A Igreja". Passando por cima das dioceses. Mas nada indica que haja uma intervenção, durante o atual Pontificado.

Agora, fico indignado com essa visão utilitarista da Igreja. Pra muita gente da esquerda, ela só prestou quando tinha muitos membros com afinidade ideológica e enquanto foi foco de resistência ao Regime de 1964. Foi só acabar a ditadura militar e mudar o perfil político do conjunto dos fiéis que passaram a trata-la como um objeto descartável. Como um bagaço sem suco.

Por fim, agradeço pelo "agressivo em demasia". E olhe que fui, mais uma vez, bastante comedido. Se eu fosse membro da esgotosfera de direita ou da blogosfera progressista, você veria o que é de fato ser agressivo em demasia.

Só pra completar: hoje o PT e os governistas preferem muito mais os cumpanhêros Macedo e Crivella. Eu vi sindicalistas do Rio de Janeiro fazendo campanha pela reeleição do senador Crivella em 2010.

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