Política, cultura e generalidades

domingo, 18 de setembro de 2011

Warner relança três discos dos Inocentes

Uma das grandes notícias de 2011 é o relançamento de três discos que os Inocentes gravaram na Warner Music (então WEA) nos heróicos anos 80. São os CDs remasterizados (originalmente lançados em vinil) Pânico em S.P. (1986), produzido por Pena Schmidt e Branco Mello, Adeus Carne (1987), produzido por Pena Schmidt e Geraldo D'Arbilly, e Inocentes (1989), produzido por Roberto Frejat.

Pânico em S.P. foi o segundo disco dos Inocentes e o primeiro de uma banda punk brasileira gravado em uma multinacional. O que motivou críticas dos punks mais ortodoxos, mas até estes tiveram que concordar com a contundência das letras da banda, quase todas escritas pelo vocalista Clemente (atualmente também integrante da Plebe Rude). A crítica também aprovou o trabalho. Neste disco, a banda regravou algumas músicas da fase underground e também gravou músicas inéditas. Um dos clássicos foi o hino paulistano que dá nome ao disco. Nesta reedição de 2011, a banda acrescentou seis faixas bônus gravadas agora mesmo em 2011. Algumas são regravações de músicas antigas da banda.

Adeus Carne foi, oficialmente, o primeiro LP dos Inocentes na Warner, já que Pânico em S.P. foi na verdade um EP (vinil com apenas seis faixas). É também o disco mais coeso dos três desta fornada da Warner e também o disco com os melhores arranjos. Aqui temos uma resenha distribuída à imprensa e aos lojistas:

Adeus Carne, é o primeiro LP da história do Inocentes, saiu em 1987 ainda sob as cinzas do EP Pânico em SP que havia saído um ano antes. A música "Pátria Amada" que abre o disco, resumia o sentimento de todo brasileiro naquele momento, pós fracasso do Plano Cruzado, e foi direto para o top 10 das rádios rock de todo país. É o primeiro disco conceitual da banda, o nome é o significado da palavra Carnaval e por isso mesmo ele termina em samba com uma versão avassaladora de "Pesadelo" do Paulo César Pinheiro, e teve hits que continuam na memória como as músicas "Cidade Chumbo" e "Tambores", produzido por Pena Schimdth e Geraldo D'Arbily, teve seu som de guitarras elogiado até por Herbert Vianna.

Inocentes (1989) foi uma tentativa frustrada da banda e do produtor Frejat para levar a banda às grandes plateias. Há aqui influências de sons acústicos e hip hop aqui ou ali, mas sem perder o tom crítico e o peso característicos da banda. São deste disco: A Face de Deus, O Homem Que Bebia Demais, Promessas e a regravação de Garotos do Subúrbio, dos primórdios da banda.

Enfim, são os Inocentes mostrando que tem um bom currículo de serviços prestados ao punk rock nacional. Que estes três CDs relançados (mais as gravações inéditas inseridas em Pânico em S.P.) inspirem voos mais altos da banda.

Texto publicado originalmente no blogue Kiss FM 91,9 Rio de Janeiro.

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