Política, cultura e generalidades

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Mineiros ainda amaldiçoarão governantes e Copa 2014. Depois, quem sabe, os demais brasileiros amaldiçoem, também

Costuma-se dizer que, antes da construção do Mineirão (do Governo de Minas Gerais), o futebol mineiro tinha uma importância menor, e seus times ficavam restritos ao próprio Estado. A partir do estádio, pelo menos dois clubes de futebol foram alçados a grandes clubes em nível nacional: o Cruzeiro e o Atlético, não por coincidência ambos da capital. O Cruzeiro chegou a conquistar a Libertadores.

Só que o fechamento do Mineirão para as reformas visando a famigerada Copa 2014 tiraram dos dois grandes clubes o único estádio onde eles poderiam jogar na capital mineira, grande concentração das torcidas dos dois clubes. O resultado é que, desde o fechamento do Mineirão, os dois clubes rivais estão tendo que mandar seus jogos com mando de campo para diversos estádios em cidades menos populosas, em estádios tipo Arena do Jacaré, onde o incentivo das torcidas da raposa e do galo é menor.

O jornalista Juca Kfouri imagina um futuro sombrio para Cruzeiro e Atlético, que estão mal no atual Campeonato Brasileiro. Os dois clubes terão um confronto direto na última rodada. Segundo Juca, pode ser que ambos os clubes cheguem a essa partida precisando da vitória para escapar do rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro de 2012. Eu digo mais: pode ser que, se der empate neste jogo, ambos os clubes seriam rebaixados. Somando ao provável rebaixamento do América mineiro, isso deixaria o segundo maior Estado da federação sem clubes na série A do Campeonato Brasileiro.

Querem saber? Eu quero é mais. Só acontecimentos desta natureza podem fazer a população alienada acordar dessa letargia e dessa enganação provocadas por essa malfadada e custosa Copa 2014. E se os torcedores cruzeirenses e atleticanos amaldiçoarem a Copa, terão que amaldiçoar os responsáveis: os cartolas da FIFA, da CBF (notadamente Ricardo Teixeira), os patrocinadores da Copa, o homem que trouxe a Copa para o Brasil, a presidenta e a dupla que fechou o Mineirão: Anastasia e Aécio.

3 comentários:

  1. Não sei se a massa de torcedores-de-carteirinha aceitarão passivamente ficar de fora, justamente na Copa sediada no "País do Futebol"; é como não peregrinar à Meca estando ela à porta de casa... porque alguns até venderão, sim, a mãe para entrar, mas de qualquer forma não haverá espaço para todos e o fanático alienado verá pela primeira vez sua catarse em papos de aranha. Agüenta coração! Se o estado de ibernação for quebrado por esse dispositivo há um gigantesco inconsciente coletivo que aguarda a abertura da Copa... ou seja, das comportas das injustiças e da falta de sentido para vida capitalista!... ainda mais diante de tantos alienígenas de "gosto e modos refinados", com os bolsos forrados de euros e dólares e a "segurança" praticando o aparteid no frigir dos ovos. Quem me garante que os babuinos dos estádios se comportarão como "gentleman's"? - por falar nisso os hooligans farão a festa da pancadaria sozinhos? -,
    Ademais, acho uma excelente ocasião para protestos, digamos, mais engajados. Os gringos do "1º mundo" não podem pensar que neste país está instalado o caos, eles precisam ter é a CERTEZA disso. Mãos à obra, esquerda!

    ps.: Tenho certeza que teu blog cerra as fileiras da seriedade. Atento sempre para os seus bons comentários lá no Tsavkko. Sds.

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  2. Eu posso até participar de causas cívicas que tenham esquerdistas envolvidos. Mas não espere que eu venha a me tornar um deles. Os caras traem minha confiança desde 2003. Deles não espero mais nada.

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  3. Meu conceito sobre esquerda não diz respeito a nenhum partido, dentro ou fora do governo; mas reconheço que só um equilíbrio entre as forças da dita esquerda - oposicionista - conduzirá, pelo menos o debate, a um lugar melhor - e não essa incessante e descarada campanha que estamos vendo no ping-pong entre governo e seus braços "progressitas" versus o demotucanato midiático. Não me arrependo de alguma participação em movimentos que culminaram com o coroamento dos que hoje cospem em nossa dignidade. Mas se antes a soma de cada um de nós pôde nos levar a essa situação frustrante, de outro modo, sozinhos, não teríamos hoje forças para reverter essa onda vertiginosa do engodo, da traição e do fanatismo que voam em céu de brigadeiro. Assim foi antes de 2003 e completou seu ciclo, precisamos agora dar forma a outro ciclo. Não acredito em qualquer solução ou levante cívico/popular, autônomo, que indique o rumo da justiça e da igualdade. Os partidos pertencem à psudodemocracia, por isso são eles que carregam nossa voz... quando as forças estiverem um pouco mais equilibradas e o discurso da moralidade enfim atingir um contingente mínimo de cidadãos, então poderemos - até mais atentos - praticar nossa soberania. Os partidos são um trampolim, assim como foi com a era Lula, de certo modo, para com o poder midiático e seus tentáculos preconceituosos e racistas, apezar de tantos retrocessos... em que o principal deles, em minha opinião, foi a desmobilização popular. Precisamos reconquistá-la de alguma forma... sds

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