Política, cultura e generalidades

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A música de protesto de direita

Na música brasileira, houve um tempo em que músicas de protesto eram coisa apenas de gente de origem humilde, de esquerdistas ou de anarquistas, fosse no samba, na MPB, no forró (Luiz Gonzaga é autor da célebre frase "Mas doutor, uma esmola, pra um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão") ou no rock (Raul Seixas chegou a compor e gravar uma música ironizando as próprias músicas de protesto, Eu também vou reclamar).

Só que neste país deturpam tudo. Os protestos públicos do integralismo, da Marcha da Família com Deus pela Liberdade e o Cansei foram movimentos de direitistas muito bem de vida e de barriga cheia, e que não tinham motivos para protestar a não ser objetivos torpes.

Na década de 1990, disseram que a música gospel era uma nova música de protesto de direita. Se não me engano, foi em 1996, numa reportagem na Ilustrada da ultradireitista Folha de S. Paulo (que ironia!) sobre música gospel. O que não foi a Reforma Protestante senão um movimento político apoiado por elites europeias nem tanto com o objetivo de restaurar a fé cristã supostamente vilipendiada pela Igreja Católica, mas fundamentalmente para disputar bens materiais e poder terreno com a ICAR?

A maior expressão de música de protesto de direita atualmente é o fânqui. Pouco importam as músicas conformadas com a condição humilhante das favelas (tipo "Eu só quero ser feliz/ andar tranquilamente na favela onde eu nasci") ou as músicas compostas por MC Leonardo para os filmes da franquia Tropa de Elite. É tudo música de protesto de direita, compostas para fazer a população miserável se conformar com sua situação e não lutar por condições melhores de trabalho e de vida, além de fazer a fortuna dos notórios barões do fânqui (donos de equipes de som). MC Leonardo está agora apresentando tais canções (?????) fanqueiras na outrora (realmente popular) Rádio Nacional, com o aval do Governo Federal, ironicamente um governo neoliberal de esquerda.

Eu poderia ficar horas citando canções de protesto de direita em outros gêneros popularescos, como pagode, axé, sertanejo, aparelhagens e outros. O amigo Alexandre Figueiredo dos blogues Mingau de Aço e O Kylocyclo é quem pode fazer isso melhor que eu.

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