Política, cultura e generalidades

terça-feira, 9 de agosto de 2011

E se houvesse um Governo com maioria oposicionista no Congresso?

O verdadeiro teste para a demo-cracia brasileira (não me digam que o fim do regime militar significou a restauração da democracia. Isso que está aí pode ser chamado de qualquer coisa, menos democracia) ainda não aconteceu. No momento, temos um Governo com ampla maioria pra lamentar (não apenas parlamentar), tanto na Câmara como no Senado. Coisa que também aconteceu durante o regime militar, onde usaram de inúmeros subterfúgios para criar a ampla maioria arenista, como divisão de estados com eleitorado arenista para criar mais cadeiras no Senado e na Câmara, extinção de estados com eleitorado oposicionista (como a Guanabara) e a criação dos senadores biônicos. O teste que eu gostaria de ver é o seguinte: o surgimento de um Governo com maioria oposicionista na Câmara e no Senado.

E isso está mais perto do que muita gente imagina. Agora mesmo, as dondocas governistas do PR ameaçam deixar a base governista para se tornarem "independentes" (independentes de quem ou de quê, caras pálidas?), só porque dona Dilma está fazendo a atitude corretíssima de passar a vassoura no Ministério dos Transportes, varrendo os suspeitos de bandalheira que o PR indicou para trabalharem lá. Se dona Dilma levará a faxina no Governo até o fim (apesar dos pitís de figuras como Magno Malta) ou se isso é mera presepada temporária dela, só o tempo dirá. O que sabemos é que o PR reclama que outros partidos governistas como o PMDB não estão tendo o mesmo tratamento rigoroso por parte da presidanta. Há quem jure que o PR ameaça levar o PMDB consigo para a "independência".

Como eu disse, eu sonho em ver um Governo com maioria oposicionista no Congresso. Pode ser qualquer Governo: o atual ou algum futuro. Duvido que isso aconteça no momento, porque os partidos fisiológicos precisam do Governo e o Governo precisa deles. Queria ver algum cretino presidente da República fracassar na tentativa de barrar CPIs ou mesmo de fugir de processos de cassação de mandato, se algum se meter em bandalheiras. Com um Congresso realmente oposicionista (não comprado, como os das legislaturas desde a Era FHC), o presidente estaria ferrado em verde e amarelo. Pra não falar outra coisa...

Essa rebeldia do Congresso Nacional diante do Governo só não funcionaria se tivéssemos um presidente nacionalista, no sentido de defender a nação brasileira, sua soberania e sua população. Porque a população logo perceberia: se o presidente fosse nacionalista, a maioria oposicionista seria, no mínimo, formada por suspeitos de serem internacionalistas. Ou vendilhões da Pátria, mesmo. A população ficaria ao lado do presidente.

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