Política, cultura e generalidades

domingo, 10 de julho de 2011

Brasileiros fora do Festival de Montreux?

Na quinta-feira passada, o comentarista João Carlos Santana e o âncora Adalberto Piotto noticiaram no quadro Sala de Música da CBN a participação do cantor Ricky Martin no Festival de Montreux, originalmente um festival de jazz (isso nos anos 60) e que nos anos 70 passou a acolher todos os gêneros musicais.

Os radialistas da CBN também comentaram sobre a ausência de artistas da música brasileira no festival nos últimos anos. Isso depois de várias talentos da MPB como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Elis Regina, Pepeu Gomes, Baby Consuelo, A Cor do Som, Rita Lee, Gal Costa, Ney Matogrosso, Hermeto Pascoal, Marisa Monte, Milton Nascimento, Titãs, Os Paralamas do Sucesso, Alceu Valença, Elba Ramalho e Chico Science & Nação Zumbi terem passado por lá desde os anos 70.



Só que os radialistas da CBN deveriam ter informado que vários nomes da MPB estão escalados para a edição deste ano do Festival de Montreux. Entre eles: Ana Carolina, Maria Rita e Maria Gadu. Informação disponível pelo menos desde ontem no portal oficial do festival. Será que os dois radialistas fizeram como o restante da mídia golpista brasileira, que esconde a MPB?

Falam que o público do Festival de Montreux é um público exigente. Há controvérsias, já que vez ou outra aparecem uns nomes não tão refinados, como o citado Ricky Martin e os brasileiros do É O Tchan. E não houve notícias de rejeição do público do festival ao grupo baiano ou ao cantor porto-riquenho.

Há de se anotar que o Festival de Montreux se transformou desde os anos 70 num apanhado do mainstream musical de diversos países. A escalação de todos aqueles nomes da MPB atesta isso. Todos aqueles artistas foram convocados para cantarem e/ou tocarem no Festival de Montreux no auge de suas carreiras ou num bom momento de divulgação internacional.

Só que o mainstream musical do Brasil está uma lástima desde os anos 90. E é uma coisa que independe de governos, ao contrário do que amigo e blogueiro Alexandre Figueiredo costuma escrever (de que a ainda resistente Música de Cabresto Brasileira é uma herança de governos de direita como os militares, Sarney, Collor e FHC). É algo que se insere no contexto de capitalismo selvagem no qual o Brasil se insere há séculos e do qual o governo neoliberal de esquerda de Lula e Dilma também é cúmplice (isso os blogueiros progressistas jamais admitirão). Para a indústria cultural e a mídia golpista que a serve, o único parâmetro válido para avaliar uma obra é se ela é vendável ou se não é. Não se tem qualidade.

Como a mídia golpista brasileira só divulga o mainstream da música brasileira (não TODA a música brasileira) e alguns escaladores do Festival de Montreux só devem acompanhar a música brasileira que sai na nossa mídia golpista (grande mídia, mídia gorda, "mídia boazinha", "mídia alternativa" ou que nome que inventem), até aqueles gringos devem estar rejeitando a atual Música de Cabresto Brasileira.

Triste é o nosso país, que já teve um mainstream musical exemplar para o mundo todo e hoje está entregue à Música de Cabresto Brasileira, absolutamente irrelevante para quem tem bom senso. Seja brasileiro ou estrangeiro.

Um comentário:

  1. Pois é, Marcelo. E digo mais: é certo que há muito, muito tempo o Festival de Montreux não é mais um festival de jazz, mas pelo menos poderia ter sido mais criterioso nas seleções dos artistas. Mesmo alguns artistas de qualidade, como Maria Rita Mariano, só são escalados de acordo com o nível de visibilidade na grande mídia.

    ResponderExcluir