Política, cultura e generalidades

sábado, 14 de maio de 2011

U guvêrnu dus cumpanhêro nus insina qui u qui nóis istudemo na iscola há anos atráis tava tudu errádiu

"A degeneração de um povo, de uma nação ou raça, começa pelo desvirtuamento da própria língua" (Ruy Barbosa).


Fonte: JN.

MEC defende que aluno não precisa seguir algumas regras da gramática para falar de forma correta


O livro de português distribuído pelo Ministério da Educação defende que a maneira como as pessoas usam a língua deixe de ser classificada como certa ou errada e passe a ser considerada adequada ou inadequada.


Um livro de português distribuído pelo Ministério da Educação (MEC) para quase meio milhão de alunos defende que a maneira como as pessoas usam a língua deixe de ser classificada como certa ou errada e passe a ser considerada adequada ou inadequada, dependendo da situação.


Na semana em que o Jornal Nacional tem discutido os maiores problemas do Brasil na educação, os argumentos da autora do livro e as reações que provocaram estão na reportagem de Júlio Mosquéra.


A defesa de que o aluno não precisa seguir algumas regras da gramática para falar de forma correta está na página 14 do livro “Por uma vida melhor”. O Ministério da Educação aprovou o livro para o ensino da língua portuguesa a jovens e adultos nas escolas públicas.


Ele apresenta a frase: "Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado", com a explicação: "Na variedade popular, basta que a palavra ‘os’ esteja no plural". "A língua portuguesa admite esta construção".


A orientação aos alunos continua na página 15: "Mas eu posso falar 'os livro'?". E a resposta dos autores: "Claro que pode. Mas com uma ressalva, ‘dependendo da situação a pessoa corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico’”.


Heloísa Ramos, uma das autoras do livro, disse que a intenção é mostrar que o conceito de correto e incorreto deve ser substituído pela ideia de uso adequado e inadequado da língua. Uso que varia conforme a situação. Ela afirma que não se aprende o português culto decorando regras ou procurando o significado de palavras no dicionário.


“O ensino que a gente defende e quer da língua é um ensino bastante plural, com diferentes gêneros textuais, com diferentes práticas, diferentes situações de comunicação para que essa desenvoltura linguística aconteça”, declarou ela.


O Ministério da Educação informou em nota que o livro “Por uma vida melhor” foi aprovado porque estimula a formação de cidadãos capazes de usar a língua com flexibilidade. Segundo o MEC, é preciso se livrar do mito de que existe apenas uma forma certa de falar e que a escrita deve ser o espelho da fala.


O Ministério da Educação disse que a escola deve propiciar aos alunos jovens e adultos um ambiente acolhedor no qual suas variedades linguísticas sejam valorizadas e respeitadas, para que os alunos tenham segurança para expressar a "sua voz".


A doutora em sociolinguística Raquel Dettoni concorda que é preciso respeitar o falar popular, que não pode ser discriminado. Mas ela enfatiza que a escola tem um objetivo maior, que é ensinar a língua portuguesa que está nas gramáticas.


“Se a escola negligencia em relação a este conhecimento, o aluno terá eternamente uma lacuna quando ele precisar fazer uso disso no seu desempenho social. Nós não podemos desconsiderar que a função social da escola, com relação ao ensino de língua portuguesa, é - em princípio - prioritariamente ensinar os usos de uma norma mais culta”, destacou.


O Ministério da Educação informou ainda que a norma culta da língua portuguesa será sempre a exigida nas provas e avaliações.).

3 comentários:

  1. Delfino, o MEC está certo. Só quem fez faculdade de Letras sabe disso, já que para a maioria da população supervaloriza as regras gramaticais. Mas o seu comentário é compreensível, típico de que nunca fez a faculdade de Letras. Eu fiz.

    A noção de "certo" e "errado" está muito ligada ao elitismo. As normas da gramática foram criadas pelo ser humano, não são naturais.

    Claro que devemos seguir as regras gramaticais, muito mais por adequação do que por correção. Devemos usar a forma de falar de acordo com vários fatores, respeitando o que está no dicionário. Mas,considerar a norma culta como "certa" e a fala popular como "errada" é a mesma coisa que dizer que uma pessoa com perna amputada não é ser humano.

    A fala popular é falha, mas chamá-la de "errada" é um exagero. O ser humano, mesmo sem instrução se esforça parase comunicar, com regras próprias, mas condenadas pelos defensores da norma culta. A classificação de "adequada" e "inadequada" faz mais sentido, já que a nossa fala - e é aí que concordo - deve se adequar ao ambiente e ao publico receptor. Experimenta falar linguagem formal a um grupo de surfistas para ver no que dá.

    Não estou defendendo a fala popular, que necessita de uma aprendizado. Apenas acho que a noção de "certo" e "errado" é rigorosa e felizmente não adotada por linguistas.

    Infelizmente a população não sabe o que é estudado na faculdade de Letras. Pensa que passamos 4 anos elaborando regras de normalização culta. Se estudassem Letras (o curso de menor prestígio entre as faculdades), aprenderíamos mais fonética e acabaríamos com a equivocada noção de "certo" e "errado", que na verdade revelam um elitismo preconceituoso e uma forma de calar a boca das classes oprimidas.

    Um conselho que dou a qualquer pessoa: antes de condenar algo, pesquise e conheça. Nem sempre aquilo que é estigmatizado como "errado", está errado.

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  2. Ah! O texto não diz que o Mec não quer estimular a "lingua errada". Releia o texto que você mesmo colocou em seu blogue, com bastante atenção.

    Mesmo que os governos do PT estejam errados - e está em muitos aspectos - não é motivo para se ter um ódio militante por eles.

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  3. O que eu sei é que os analfabetos funcionais neoliberais que aparecem às vezes nos comentários deste blog (não é o seu caso) costumam me chamar de petralha pra baixo. Então resolvi bater de frente com os reacionários, com postagens como esta. Quem sabe esses neoliberais parem de escrever asneiras a meu respeito.

    E tomei dos petralhas um slogan antes privativo deles: a luta continua.

    Desde 30 de maio de 2009 eu quebro cabeça pra elaborar postagens para este blog. Isso toma tempo e às vezes me cansa a paciência. Cheguei longe demais pra aceitar que os paspalhões venham aqui me dizer que sou petralha.

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