Política, cultura e generalidades

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dona Dilmona lado a lado com a extrema direita

Não me venham com essa palhaçada de dizer que o regime militar de 1964 começou no dia 31 de março. Cascata dos golpistas! O dia correto é 1º de abril.

Não pretendo repercutir aqui os inúmeros textos que a blogosfera brasileira tem publicado nos últimos dias a respeito do golpe de 1º de abril de 1964. Nem os textos das viúvas de 1964, nem os textos das dondocas que queriam que a ditadura fosse deles, não da extrema direita.

Nas últimas semanas, órgãos públicos comandados por militares da ativa das Forças Armadas têm publicado textos homenageando aquilo que eles consideram como a Revolução Redentora de 1964 (sic). Ora bolas. Quando declarações oficiais como estas vêm de civis ou de militares da reserva, não é legalmente possível dona Dilmona (ex-presa, ex-torturada e tudo de ex que se puder imaginar) punir essas viúvas de 1964.

A coisa muda de figura quando declarações pró-Redentora partem de militares da ativa, usando a estrutura de órgãos públicos, como são as unidades militares. Esta postagem de um blog de viúvas de 1964 confirma o que digo.

Quando fiz meu serviço militar na década retrasada, aprendi que os militares são classificados em cinco categorias de comportamento: excelente comportamento, ótimo comportamento, bom comportamento, insuficiente comportamento e mau comportamento. Todo militar começa no bom comportamento. Se não juntar 30 dias de prisão administrativa (ou punições equivalentes), ele vai, com o tempo, sendo promovido a ótimo comportamento e a excelente comportamento. Algumas promoções da carreira militar só são possíveis para militares que estejam dentro da classificação comportamental esperada para um militar de seu tempo de serviço. Da mesma forma, o militar só se estabiliza se for militar de carreira e não estiver com insuficiente comportamento ou mau comportamento.

Se dona Dilmona tivesse um mínimo de autoridade moral além da incontestável autoridade eleitoral, já teria mandado um monte de comandantes militares para a prisão administrativa de 30 dias, impossibilitando-lhes futuras promoções. Mesmo os de topo de carreira ficariam irremediavelmente desmoralizados, também. Acabariam indo para a reserva ou reforma rapidinho.

Mas, não. Dona Dilmona parece só ter autoridade para dar esporro em ministro civil. Com a extrema direita? Nem um pio. Só se for a extrema direita demo-tucana. Ela convive muito bem com a direita e a extrema direita de dentro do Governo. Muitos viúvos de 1964 são filiados do PP, da base de apoio do Governo. De Aristóteles Drummond ao deputado Jair 1964 Bolsonaro. Fora outros agentes outrora aliados da Redentora, hoje em outras legendas, como José Sarney, Fernando Collor, etc.

Essa promiscuidade de dona Dilmona com figuras da extrema direita me faz crer que o seu eleitorado de esquerda se divide entre os ingênuos, os malandros e os otários.

Nenhum comentário:

Postar um comentário