Política, cultura e generalidades

quarta-feira, 30 de março de 2011

Uivando contra a mediocridade reinante

Resposta para Mingau de Aço:

Lobão não é essa imagem maligna que criaram para ele. Nós não somos obrigados a concordar ou discordar de coisa alguma do que ele canta, escreve ou diz. Mas devemos reconhecer que Lobão é do tipo de gente que só faz mal, no máximo, a ele mesmo. Como já foi dito naquela música Mal Nenhum, escrita em parceria com Cazuza.

Pedro Alexandre Sanches é do tipo de gente que jamais entenderá posicionamento algum do Lobão.

Lobão tem vários posicionamentos políticos que eu tenho: não confia no direitismo nem no neoliberalismo, mas também não reconhece na esquerda algo que seja uma alternativa confiável. Só que Lobão não faz questão de seguir alternativa política alguma, enquanto eu estou procurando uma alternativa.

Lobão é um sujeito contestador, mas não é do tipo "ser do contra, sempre!". Ele tem senso crítico, só isso. Pois até as boas alternativas precisam passar por uma depuração, para sabermos até quando e onde são boas, mesmo. Eu li toda essa biografia do Lobão. Ele se dizia "de direita" durante o regime militar pra afrontar aqueles bicho-grilos incapazes de formular alternativas para o sistema político e cultural daquela época. Lobão tinha (e ainda tem) independência para mostrar posicionamentos diferentes. Como naquela vez em que ele afrontou a lei eleitoral e pediu votos ao vivo para Lula no segundo turno da eleição presidencial de 1989, após as 17h, no Domingão do Faustão, quando a votação ainda acontecia nos estados dos fusos horários a oeste de Brasília. Mas isso não fez do Lobão um esquerdista. Da mesma forma que hoje se dizer lulo-dilmista não faz de ninguém um esquerdista, progressista ou coisa parecida. Vide Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes.

Lobão tem feito críticas à esquerda brasileira de hoje. Mas não com uma visão neoliberal ou direitista, como as dondocas progressistas chamam qualquer voz discordante. Ele critica a esquerda por ela mesma. Por ela ter se esgotado, por ter se tornado um fim em si mesma e por manter vários esquemas apodrecidos de dominação e poder. Não adianta nada a esquerda brasileira ter chegado ao poder e se contentar em ter feito apenas avanços sociais.

Texto original de Alexandre Figueiredo:

CAETANO VELOSO, PEDRO ALEXANDRE SANCHES E LOBÃO


Existem as "vacas sagradas" da MPB. Correto. Existem também as do Rock Brasil. Tudo bem. Mas existem também as "vacas sagradas" da Música de Cabresto Brasileira, aquilo que você, caro leitor, entendia como "aqueles sucessos do povão", seja de que tendência ou região for.


Mas existem também as "vacas sagradas" da intelectualidade. E existe o esquema de compadrio, de troca de elogios, de troca de favores, de troca de privilégios.


Um dos críticos farozes da mediocridade cultural brasileira, que se apoia nesse clientelismo todo, é o músico João Luiz Woerdenbag Filho, conhecido como Lobão. Ex-baterista do Vímana, ex-baterista da Blitz, ex-líder de Lobão & Os Ronaldos, amigo-testemunha de Cazuza, Júlio Barroso e Cássia Eller, ex-editor da revista Outra Coisa, ex-apresentador da MTV.


Lobão - cuja diferença etária ao sisudo empresário Eduardo Menga é exatamente a mesma que o blogueiro Marcelo Delfino tem em relação a mim, de quatro anos - nasceu há 54 anos e divulga a biografia que ele escreveu sob o apoio de pesquisa do jornalista Cláudio Júlio Tognoli. O livro se chama 50 anos a Mil.


O polêmico roqueiro já havia superado a falha que cometeu na revista Outra Coisa, quando acolheu o funqueiro Mr. Catra (concorrente do MC Créu metido a "difícil"). O funqueiro logo deixou cair sua máscara quando, vendendo a falsa e inexistente imagem de "sem mídia", não era mais do que um queridinho das Organizações Globo.


Recentemente, as almas-gêmeas Caetano Veloso e Pedro Alexandre Sanches haviam feito comentários sobre a biografia de Lobão. Sanches havia entrevistado o roqueiro em mais de uma oportunidade. Uma delas, no programa Roda Viva, da TV Cultura.


Pois o colunista-paçoca havia também, em outra entrevista, perguntado se Lobão era de direita, e se não me engano Pedro ainda estava na Folha de São Paulo, e, portanto, não era o "esquerdista profissional" de hoje em dia. Lobão respondeu que não é de esquerda nem de direita e apenas disse nos tempos de escola que era "de direita" só para provocar os colegas envolvidos na chamada "esquerda festiva" (na qual, ironicamente, PAS tenta hoje se enquadrar).


Na sua coluna na Caros Amigos, Sanches havia feito uma longa resenha sobre a biografia de Lobão. Num misto de admiração e crítica, Sanches não esconde seu incômodo quando cita que o Lobão expressa sua aversão às "vacas sagradas da MPB". Mas é uma postura dúbia, já que Sanches também se incomoda com o status quo dessa mesma MPB, cuja sigla o jornalista expressa um claro desdém.


Afinal, sabemos, o colunista-paçoca segue a orientação corporativista da intelectualidade festiva, que se baseia na atitude clientelista de apoiar e defender a hegemonia da Música de Cabresto Brasileira.


Quanto a Caetano Veloso, que pelo seu estilo de escrever é "mentor" ideológico do estilo de Pedro A. Sanches, foi curto e grosso no comentário sobre a biografia de Lobão, naquela eventual irritabilidade do cantor baiano quando ele e seus aliados são criticados (no caso, foi a irmã dele, a cantora Maria Bethânia, pivô de um caso de financiamento milionário de verbas públicas para um simples blog de poesia).


Disse Caetano sobre Lobão, jogando farpas também contra Tognolli, que difundiu a expressão "máfia do dendê" que Paulo Francis há anos havia criado:


"Toda a grita veio com o corinho que repete o epíteto "máfia do dendê", expressão cunhada por um tal Tognolli, que escreveu o livro de Lobão, pois este é incapaz de redigir (não é todo cantor de rádio que escreve um Verdade Tropical (a história da tropicália escrita por Caetano)".


Lobão não se silenciou com o comentário de Caetano e, simplesmente, respondeu em seu Twitter que está tranquilo, afirmando ainda que foi ele quem escreveu o livro: "Mas isso já está ficando muito chato: quem escreveu o texto de 50 Anos a Mil fui eu, e o Tognolli fez a pesquisa da mídia e ponto".


Na entrevista ao Le Monde Diplomatique, em dezembro do ano passado, Lobão havia feito comentários contra o "sertanejo universitário", que ele definiu como um exemplo de acomodação cultural da música brasileira de hoje. Mas, em outras épocas, ele havia feito críticas a Ivete Sangalo, Alexandre Pires e outros ícones popularescos.


É o roqueiro Lobão se lançando contra os carneirinhos do entretenimento popularesco brasileiro e à burocracia clientelista da "MPB burguesa".

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