Política, cultura e generalidades

sexta-feira, 11 de março de 2011

Antiga conduta crítica da Caprichosos de Pilares não teria vez em país de chapas brancas

No Carnaval passado, a tradicional escola de samba carioca Caprichosos de Pilares foi rebaixada do grupo de acesso A para o grupo B de 2012, o terceiro grupo da hierarquia das escolas de samba cariocas, e terá que desfilar na noite da próxima terça-feira gorda.

Matéria de O Dia informa que o carnavalesco Chico Spinoza disse: "A comunidade vai querer se reerguer, fazer uma nova escola. Mas a Caprichosos precisa voltar a ser o que era. Além da irreverência, precisa ser mais crítica. Seria ótimo ter a Caprichosos de volta ao Especial".

Como ser mais crítica, Spinoza? Isso deu certo em outros tempos. Tempos mais críticos. Ainda lembro dos desfiles memoráveis da Caprichosos de Pilares no grupo 1 (posteriormente 1A, atual Grupo Especial) nos anos 80, anos também memoráveis e críticos. A Caprichosos beliscou o campeonato com o enredo "E por falar em saudade" (1985), ficando em 5º lugar numa disputa com as grandes escolas de samba do carnaval carioca. Era um enredo que lembrava de coisas legais que ficaram para trás. Depois a escola ficou em 9º lugar com o enredo "Brazil, não seremos jamais, ou seremos?" (1986), a respeito da incorporação acrítica de elementos de cultura estrangeira à cultura nacional, e ficou em 8º lugar com "Eu prometo" (1987), esse um enredo escancaradamente político.

Como uma escola de samba carioca terá um espírito crítico nos dias de hoje, neste país dominado por uma horda de tolos chapas brancas? A própria Caprichosos teria uma enorme dificuldade em achar um espírito crítico dentro da própria comunidade.

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