Política, cultura e generalidades

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A incultura popular que denigre e cria estereótipos do próprio povo

Respostas para postagem anterior:

Já entendi qual é a sua, Bruno Melo. Primeiro, você veio aqui fazer comentários em defesa da incultura popular, e isso num tópico com um assunto nada a ver: um tópico em que eu lembrava o passado dos parlamentares do PT, passado que eles mesmos deixaram para trás. E ainda esculhamba o blog, esculhamba a mim e esculhamba o Alexandre Figueiredo, que nem é responsável pelo blog, não escreve nele e tem posições antagônicas a algumas das minhas posições. Achei o texto tão interessante que resolvi publica-lo em postagem à parte, bem no espírito do blog (o Brasil é mesmo um País de Tolos), já que bobagens e tolices nem são dignas de resposta. São dignas de exposição e execração pública.

Não satisfeito, você colocou na mesma postagem mais comentários, que só confirmaram sua defesa da incultura popular. Por sinal, você mesmo disse que tentou defender essa incultura lá nos blogs do Alexandre, pródigos em combater a incultura popular, posição esta que compartilho inteiramente.

Malandragem sadia? Não existe malandragem sadia. É a malandragem sadia uma das coisas que afundam este País de Tolos há séculos. Um monte de gente chegou ao poder na base de muita conversa mole, ou seja, de muita "malandragem sadia", sem usar armas, mas enganando a população para conseguir seus votos. Os malandros que governaram e os que governam o país continuam levando vários problemas adiante, e ainda criam outros.

Mulata faceira? Isso é um eufemismo muito usado pelos que veem algumas das maravilhosas mulheres brasileiras como meras mulheres-objeto, a satisfazer as fantasias de muitos machões abestalhados. Será que é essa a sua visão das mulheres?

Humorismo popular? Você está falando desse humorismo que explora vários estereótipos da sociedade humana? Esse humorismo que gera coisas adjetas como o Zorra Total e o Casseta & Planeta? Ou fala de parcelas do humorismo popular que exploram os mesmos estereótipos?

"Mulheres que buscam a ascenção através de um trabalho polêmico mas que muitas vezes é a única opção na vida delas"? Tou sentindo aqui uma defesa das mulheres-fruta, das mulheres que só dançam mas são tidas como "cantoras" (coisa comum no axé, no forró eletrônico, no acocha, nas aparelhagens, etc) e das mulheres do fânqui. Todas são formas de incultura que só dão a chance de a mulher ascender (???) se for como mulher-objeto.

Eu converso com gente de todas as matizes, desde progressistas a reacionários. Dialoguei com alguns reacionários ano passado mesmo. E olha que nem todos eram contra o Governo. Houve até um lulo-dilmista que é saudoso do Golpe de 1964, do qual ele participou pessoalmente, aos 19 anos, como organizador de protestos de estudantes conservadores, já que ele era universitário na época. O cara até me deu um livro de autoria dele. De modo que, mesmo me afastando daqueles reacionários, aprendi a reconhecer um reacionário de longe. Basta ver o que faz, o que escreve e o que fala.

Talvez você seja um reacionário e nem saiba. Ou sabe mas não admite. Aliás, eu lembro de ter visto alguém muito parecido com você (se não for você mesmo) na comunidade do Geraldo Alckmin (PSDB? DEM? Hummm...), em 2006.

Seu texto foi uma bronca para mim e este blog. Está longe de ser uma autocrítica.

Já imagino as respostas que o Alexandre dará a você. Não só aqui, mas também nos blogs dele. O amigo Leonardo Ivo foi mais rápido: já respondeu, aqui no blog.

Leonardo Ivo comentou em postagem anterior:

Marcelo,

Como esse rapaz é volúvel. Há um ano atrás ele elogiava o Alexandre Figueiredo e o que ele escrevia, e ainda compactuava com tudo o que o último dizia. Agora além de mudar de lado, agora ataca os outros? E olha que cheguei a escrever um texto em meu blog elogiando os textos que este rapaz publicava juntamente com o seu blog, o do Marcelo Pereira e de seu irmão, Alexandre. O que fez este rapáz mudar deste jeito? Que decepção!

2 comentários:

  1. Tudo bem, não queria levar isso adiante para não encher você nem tornar o seu blog unicamente dedicado a postagens falando sobre mim. Você que tem todo o direito de dizer o que pensa e acredita. Esta é a democracia, meu caro, conquistada com muito sangue, suor e lágrimas por esse povo que aí está. Mas quando certas inverdades são ditas não podemos deixá-las sem respostas.

    Seria interessante um debate entre nós. Escolha algum fórum no Orkut, o único portal de que participo ativamente. Não pretendo ofendê-lo, por isso apenas responderei as suas interpelações para finalizar meu raciocínio.

    Em primeiro lugar, não sou como o Eugênio Ragi, aquele defensor da cultura popularesca metido a esquerdista. Nunca escondi minhas posições políticas. Sou um jovem de extrema-direita. E não sei de onde você tirou que eu defendo o PT e essa "cultura" de mercado que domina a mídia (hit parade, blockbusters, best sellers).

    Quando falei em malandragem sadia, estava me referindo à malemolência e ao jeito que nosso povo tem ao lidar com as mais difíceis situações, inclusive com a baixa remuneração e os escândalos que não raro surgem na imprensa. E quando falei na mulata faceira - e isso vale para o humorismo popular - estava mencionando um símbolo, uma marca da nossa formação cultural, assim como a bandeira, a língua, o hino e outros elementos do nosso folclore. Arte pura, livre das regras impostas pela indústria capitalista.

    E mesmo o humorismo considerado popularesco, de mau gosto, nada mais é do que um retrato dos mais diversos tipos sociais. No humor inteligente e nas piadas norte-americanas, é comum ver a exploração do grotesco simplesmente por que ele existe e não pode ser ignorado. É como os quadros em que os políticos zombam da população. O efeito será tragicômico, mas queiramos ou não, é a realidade.

    E as pornochanchadas possuem o mesmo caráter. Trocadilhos espertos, exposição escatológica de belos corpos femininos, gestos obcenos, bordões e sátiras aos grupos da sociedade. É uma fórmula simples, acessível, e segue rigorosamente os mesmos parâmetros que as comédias carnavalescas da década de 50 (que o Alexandre Fuigueiredo contraditoriamente elogiou), apenas com o acréscimo de algumas doses de erotismo.

    Bom, já me alonguei de mais. Se quiser continuar essa polêmica, vamos marcar numa comunidade qualquer. Mas aviso desde já que sou um direitista, embora isso não queira dizer que eu seja contra o povo pobre.

    Sincero abraço, Bruno.

    ResponderExcluir
  2. Tudo bem, Bruno. Acredito que não precisamos alongar mais esse debate via comentários e postagens. Já mostramos nossos pontos de vista. Você já expôs os seus, e não deixei de publicar nenhum. Eu já expus os meus. Por enquanto, não precisamos mais bater boca em lugar nenhum, porque tenho muitos assuntos para tratar e resolver (não vivo só de postagens e debates na Internet). Mas no dia em que nos encontrarmos de novo, gostarei de ter outro debate, se houver. Gosto de um bom debate. Não sou de fugir de nenhum, viu?

    ResponderExcluir