Política, cultura e generalidades

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A nova classe média e a juventude perdida

Resposta para Maurício Caleiro:

Gostei de sua análise a respeito desses jovens bebês reacionários que nasceram ontem e não sabem coisa alguma de coisa nenhuma (não viram nem o Governo FHC, que dirá os anteriores!). Mas talvez eles não sejam totalmente culpados por sua ignorância. O próprio Governo Lula é culpado também, mesmo sendo vítima desses reacionários, pois o ex-presidente deixou inalterado o quadro educacional no país, tanto no ensino público como no privado. As universidades e escolas formam consumidores e trabalhadores, mas não formam cidadãos. Daí a eficiente sedução do jornalismo neocon sobre essa juventude.

Só que essa juventude reacionária é insuficiente para representar alguma ameaça eleitoral ao Governo Lula-Dilma. A prova está no ano passado. Não houve Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Augusto Nunes, Arnaldo Jabor, blogueiro ou tuiteiro reacionário que ameaçasse a eleição de Dilma Rousseff ou catapultasse o Nosferatu paulista ao Palácio do Planalto. Nem gente da extrema direita, tipo Olavo de Carvalho, que se tem o mérito de rejeitar autenticamente o demo-tucanato e de ter sido demitido de jornais golpistas como O Globo, Zero Hora e Jornal do Brasil, é um sujeito que forja um "exílio político" muito conveniente (exílio em Washington DC é o máximo!) e ainda chama Adolf Hitler de socialista e esquerdista. É confiável alguém que se põe à direita de Hitler?

A verdadeira ameaça à sobrevida eleitoral do lulo-dilmo-petismo é essa nova classe média forjada durante a Era Lula. É uma nova classe média altamente individualista e conservadora, que acha o Governo Lula-Dilma o máximo só porque agora estuda com laptops em faculdades (que, como disse, formam consumidores e trabalhadores, mas não cidadãos), toma bebida de soja e tem TV de alta definição e computador em casa. Como se os esforços da classe trabalhadora não tivessem feito este país crescer e se desenvolver APESAR DO GOVERNO, não por causa dele. Quando perceberem a verdade e tomarem um espírito de corpo conservador, essa classe média é bem capaz de apunhalar o lulo-dilmo-petismo pelas costas, mandando um sonoro "foda-se" para o Governo. Essa classe média vai aderir ao primeiro projeto de poder conservador que aparecer para suplantar simultaneamente o lulo-dilmo-petismo e o finado demo-tucanato.

Se for um projeto nacionalista, ainda vá lá. Mas se for um projeto de ultradireita (dessa que se põe à direita do demo-tucanato) ou algum projeto personalista de algum lunático desses que tem por aí (inclusive alguns religiosos), o Brasil afundará mais ainda na velha máxima do "Brasil, um País de Tolos".

2 comentários:

  1. MArcelo,
    Isso eu ja percebo nos meus colegas de faculdade que são mais novos do que eu. São além de individualistas, se acham o rei na barriga descriminando alunos mais velhos e se sentindo os tais. E o pior é que o perfil socio-economico dessa gente não é de filho de papai e rico, é pobre que se acha o tal. E capaz de eu estudar numa UFRJ, UERJ ou PUC onde filhos de papai de fato estão e este pessoal ainda ser mais humilde e legal por incrivel que pareça. Resumindo, as pessoas mais pobres conseguem sre mais reacionarias e discrimadoras do que ricas e é justamente esta geração que você citou que eu estudo. Gente que nasceu entre 1987 a 1992. Nem o pessoa da minha faixa etária é assim e eu nasci em 1981 e o pior é que esta gente mais nova acaba influenciando pessoas mais melhas até com mais de 40, porém são poucos o que se influenciam. O mais triste é ver que quanto mais pobre e suburbano é mais reacionario fica.

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  2. Isso tudo Marcelo acontece sabe aonde: em Campo Grande, Zona OEste do Rio.

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