Política, cultura e generalidades

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Casseta & Planeta Urgente acabou na terça-feira passada. Já foi tarde!

Na terça-feira passada, depois da "novela das oito" (que é na prática novela das nove e um dia será novela das dez) a Rede Globo apresentou a derradeira edição do programa Casseta & Planeta Urgente, do (ainda) grupo humorístico Casseta & Planeta. Já foi tarde! O programa já estava decadente desde antes da morte do saudoso Bussunda, e ultimamente ocupava inutilmente um espaço na grade de programação da Rede Globo que deveria ser bem utilizado.

Eu já fui telespectador assíduo dos cassetas. Mas há anos deixei de ver, quando começou a decadência do programa. Estava querendo ver o programa hoje, para depois celebrar o fim daquela joça, mas agora fiquei sabendo que a edição de terça-feira passada foi a última. Eu realmente ando desligado da TV aberta.

Casseta & Planeta Urgente refletia basicamente o que passava na cabeça dos seis integrantes do Casseta & Planeta, e também um pouco da linha editorial da Rede Globo. Ou seja: uma gororoba dos infernos. Todas as piadas políticas, por exemplo, refletiam fielmente a linha editorial traçada pelos Marinho e pelo diretor de jornalismo da emissora. Tudo muito neoliberal, portanto.

Boa parte das paródias eram homenagens, jamais críticas. Os cassetas são noveleiros assumidos. Como tal, faziam paródias das novelas da casa, notadamente as "das oito", podendo eventualmente aparecer alguma paródia de alguma das outras novelas: a "das seis" e a "das sete".

Haviam também as paródias musicais, em que os cassetas exaltavam a mesma Música de Cabresto Brasileira exaltada no restante da programação jabazeira da Globo. Chegaram a criar personagens como a dupla MC Ferrow & MC Deumal (alusão aos fanqueiros cariocas) e a cantora baiana Acarajette Love, que algumas vezes contracenou com cantoras de verdade da ala baiana da Música de Cabresto, como Claudia Leitte e a onipresente Ivete Sangalo. Outros artistas da Música de Cabresto eram convocados para parodiarem a si mesmos. Uma vez, fizeram Os Travessos vestirem roupas de travesti para encenarem uma apresentação do grupo Os Travecos.

Os Cassetas merecem críticas quanto à decadência de seu programa televisivo. Por outro lado, não faço coro com as dondocas progressistas que gostariam muito de censurar os Cassetas por suas posições e sátiras a respeito de políticos e partidos. Vitoriosos, deveriam agora deixar os Cassetas se recolherem à sua insignificância e irrelevância. Talvez o único casseta que emite opiniões político-partidárias seja Marcelo Madureira, que prefiro definir como um sujeito que se acha mais do que realmente é, acima do bem e do mal, o suprassumo do humor, o último biscoito do pacote, além de um sujeito mal humorado, contradição absoluta para quem trabalho com humorismo. Mas não faço coro com as dondocas progressistas que gostariam de ver o sr. Madureira censurado, ou se tornando um humorista chapa-branca (embora alguns chapa-branca sejam talentosos, como Bessinha, que venho destacando no blog). Se Madureira quer ser um comentarista político chapa cinza, isso é problema dele. Liberdade de expressão deve ser para todos. Ou não existe.



Marcelo Madureira é tão somente um humorista medíocre, que só conseguiu chegar onde chegou por integrar um grupo de amigos humoristas mais talentosos e equilibrados. No Casseta & Planeta, Bussunda puxava a média para cima e Madureira puxava para baixo. Sem o Bussunda, a média dos cassetas rolou ladeira abaixo.

Com o fim de Casseta & Planeta Urgente, hoje rolará um especial de fim de ano chamado Batendo Ponto. Em janeiro, deverá entrar no lugar dos cassetas a Big Bosta Brasil 11. Quando a bosta acabar, espero que coloquem algo que preste. Podiam fazer uma faixa de seriados com episódios mensais, um seriado diferente por semana. Inclusive o sensacional Aline.

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