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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Lula diz que não será responsável por eventuais derrotas de aliados nos estados

Lula já sabe que dona Dilma não terá a molezinha que ele sonha para ela. Se por um lado ela poderá escapar de lidar com brucutus oposicionistas como Arthur Virgílio, Demóstenes Torres, Eduardo Azeredo e Heráclito Fortes, é provável que tenha que lidar com Cesar Maia, Heloísa Helena e desconhecidos fora de seus estados de origem.

Fonte: O Globo.

Gerson Camarotti

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai aceitar pressão por uma participação mais ativa em determinadas campanhas e já rejeita qualquer tentativa de responsabilizá-lo por eventuais derrotas de aliados nos estados. Mesmo sobre possíveis derrotas de candidaturas "forçadas" pelo
PT e pelo Planalto, o presidente não aceita cobrança. O presidente fará esforço pelos candidatos aliados nos estados no limite em que esse empenho não prejudique a candidatura da petista Dilma Rousseff.

O recado tem endereço certo: o candidato ao governo de Minas, senador
Hélio Costa (PMDB-MG), que está com a liderança ameaçada pela reeleição do governador tucano Antonio Anastasia, afilhado político de Aécio Neves.

Apesar de ter confirmado que irá fazer novas gravações para o ex-ministro Hélio Costa, Lula tem dito que não tem poderes para reverter o jogo em favor de todos aliados. No caso de Minas, da mesma forma que o governo Lula não consegue garantir a vitória de Hélio Costa, o sucesso do governo Aécio não impede que Dilma tenha lá mais que o dobro das intenções de votos de
José Serra.

A coordenação nacional identificou que cresceu no eleitorado mineiro e até mesmo entre os prefeitos de Minas o voto "Dilmasia", em Dilma e no Anastasia. Diante disso, avalia-se que é que é preciso ter cuidado com a forma como Lula irá atuar em Minas.

Segundo um ministro, o mesmo cuidado ocorrerá em outros estados. Em São Paulo, já foi identificado o "Dilmin", voto em Dilma e no tucano
Geraldo Alckmin para governador. A preocupação é encontrar o tom correto para também não abandonar o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que só saiu candidato para atender um pedido de Lula.

Situação semelhante ocorre no Paraná. Lula já participou da campanha do senador
Osmar Dias, do PDT, que praticamente foi obrigado por seu partido a ser candidato para dar palanque a Dilma, mas considera que não pode fazer muito mais, dado o favoritismo do tucano Beto Richa, que está em campanha há anos. Osmar Dias só decidiu ser candidato no último dia de prazo, em 30 de junho.

No núcleo da campanha petista, esses estados e mais Santa Catarina são considerados os mais difíceis para virar em favor dos aliados. Para o presidente do PT, José Eduardo Dutra, a transferência de votos acontece de forma natural quando é para o mesmo cargo, e não para postos diferentes.

- Ninguém pode responsabilizar o Lula por derrota alguma. A transferência de votos é mais fácil quando ocorre para o mesmo cargo. Isso vale para presidente e para governador. É bem mais fácil um governador bem avaliado fazer o sucessor do que influir numa eleição presidencial. Se o Lula entrar mais forte para ajudar o Hélio (Costa), pode não ter sucesso. A lógica do eleitor é outra e ele costuma montar a sua própria chapa. Muitas vezes o eleitorado não leva em conta as alianças políticas na hora do voto - disse José Eduardo Dutra.

Segundo ele, em São Paulo, apesar das dificuldades, a expectativa é que Mercadante cresça e passe da barreira dos 30%. Mesmo assim, ele admite que um segundo turno vai depender do desempenho dos demais candidatos da base governista:
Celso Russumano (PP) e Paulo Skaf (PSB).

- Em 2008, Lula subiu no palanque de
Marta Suplicy para prefeitura de São Paulo, mas não ganhamos a eleição - lembra Dutra.

Já o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), também adverte que nenhum candidato pode cobrar de Lula resultado eleitoral.

- O presidente Lula não é candidato. Se eu perder a eleição para deputado, como posso responsabilizar o presidente? Só tenho que agradecer por ser do mesmo palanque. Imagine se esses candidatos não tivessem em seu palanque um presidente com popularidade em alta, como Lula!.

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