Política, cultura e generalidades

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Falha deixa o sistema de passaportes da PF fora do ar em todo o país

É pra dificultar a saída de dissidentes políticos?

Fonte: O Globo.

SÃO PAULO - Uma falha deixa fora do ar o sistema de passaportes da Polícia Federal há três dias em todo o país. Quem precisa dar entrada em pedido de passaporte ou pegar o documento não consegue. É preciso reagendar. Os problemas teriam começado no último sábado. O prazo dado pelo departamento de tecnologia da PF para solucionar o problema é 18 horas desta terça.


No posto do Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, no Rio, são feitos entre 350 e 400 atendimentos por dia. Quem foi ao local nesta terça não vai precisar entrar de novo na internet para agendar de novo. A nova data de atendimento está sendo marcada diretamente no balcão.


A PF informou que casos de emergência estão sendo atendidos, apesar de o sistema estar fora do ar. Porém, o atendimento é mais demorado. A superintendência em Brasília informou que o site passou por manutenção na tarde desta segunda-feira, por volta das 16h30m, mas que o serviço demorou mais que o necessário.


Em São Paulo, onde são emitidos diariamente 1.000 passaportes por dia, muita gente saiu frustrada. Eliane Marques foi à PF com o marido e dois filhos.


- Viemos retirar mas disseram que está sem sistema e que não há prazo para voltar. É ruim, porque a gente vem com todo mundo, os filhos faltam a escola e a gente sai daqui sem os passaportes - lamenta.


No Rio, segundo reportagem do Extra, a espera por um passaporte é de quase três meses . Em uma simulação feita no site da Polícia Federal no dia 21 deste mês, a data mais próxima para atendimento era 13 de dezembro, nos postos dos shoppings Leblon e RioSul. Na unidade do Aeroporto Internacional do Galeão, não há mais vagas neste ano.


Segundo a PF de Brasília, a carência de funcionários no Rio pode ser um dos motivos do "apagão do passaporte". O órgão afirmou, porém, que não pode responder por uma unidade independente. A PF do Rio não atendeu à solicitação.


A demora também pode ser atribuída ao crescimento no número de pedidos. No primeiro semestre do ano, 753.333 passaportes foram emitidos, contra 543.188 no mesmo período de 2009. Até o fim de 2010, a instituição estima que 1,6 milhão de documentos serão concedidos - 40% a mais do que em 2009 (1,1 milhão de emissões).


Se a viagem é para os Estados Unidos e o passageiro ainda não tem visto, a situação é bem pior. O prazo para agendar a entrevista no consulado é de, no mínimo, três meses. Assim, a espera para pisar na terra do Tio Sam chega a seis meses, pois, para obter o visto, é preciso levar o passaporte.


Apesar da burocracia, quem embarca tem gastado mais no exterior. Segundo o Banco Central, de janeiro a agosto deste ano, foram US$ 9,888 bilhões, contra US$ 6,414 bilhões em igual período de 2009.


Para o presidente da Agência Brasileira de Viagens (Abav), Carlos Alberto Ferreira, o turismo só não cresceu mais por conta da lentidão para a retirada de documentos:


- Aumentou em 20% o número de brasileiros viajando para o exterior. Mas o movimento poderia ter sido superior, se não houvesse essa barreira burocrática.


A situação deixa até os agentes de viagens pessimistas.


- Quem não tem visto nem passaporte pode desistir de viajar este ano - disse Edvaldo Leite, da agência Rio Express.


Outro agente afirmou que é até possível conseguir o passaporte em uma semana, mas será preciso pagar de R$ 500 a mil reais a um despachante.

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