Política, cultura e generalidades

sábado, 14 de agosto de 2010

A Voz do Brasil, o mais antigo lixo autoritário

Fonte: Ethevaldo Siqueira.

10 de agosto de 2010 10h22

Estatal, jurássica e inútil. Assim é A Voz do Brasil, o programa de rádio típico dos regimes autoritários, irritante e anacrônico. Criado há 75 anos, ou seja, em 1935, em plena ditadura Vargas, numa época em que as comunicações não alcançavam a totalidade do território nacional, o programa se perpetuou não apenas por interesse dos presidentes e de políticos oriundos dos grotões distantes, que passaram a utilizá-lo como canal de comunicação com suas bases. É o rádio que já foi usado como o “Alô, mamãe” – de parlamentares do baixo clero, seus defensores mais ferrenhos.

A partir de 10 de novembro de 1937, com a ascensão do
Estado Novo, Getúlio Vargas passou a utilizar intensamente o programa, então chamado A Hora do Brasil, em suas mensagens à população, como carro-chefe do antigo Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP, de triste lembrança.

Redemocratizado o País em 1945, já com o nome de A Voz do Brasil, e, de lá para cá, com o
golpe militar de 1964, entra governo, sai governo, com a queda da ditadura, o programa continua, sempre transmitido em rede obrigatória, hoje com mais de 3 mil emissoras em cadeia divulgando o noticiário chapa branca. Antes de mais nada, estamos diante de um imenso desperdício de energia elétrica.

Antigamente se dizia que a maior utilidade da Voz do Brasil era levar informações ao habitante da Amazônia, que só conseguia ouvir emissoras estrangeiras. Então, por que não restringir a obrigatoriedade do programa àquela região? E hoje por que não aproveitar as emissoras federais e estaduais e, em especial, a
Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), criada por Lula?

Ora se o governo federal dispõe de emissoras de rádio em quase todos os Estados e no Distrito Federal, por que obrigar 3 mil estações de rádio a repetirem a mesma coisa? Por que não distribuir esse noticiário e deixar a critério de cada rádio o aproveitamento do que possa ter maior interesse jornalístico, em função dos interesses regionais?

Vou propor aos candidatos a deputado federal e senador que acabem com esse lixo autoritário. Faça o mesmo, leitor.

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